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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 10, 1-10)

Naquele tempo, disse Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo, quem não entra no redil das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora. E, depois de fazer sair todas as que são suas, caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. Mas não seguem um estranho, antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos”. Jesus contou-lhes esta parábola, mas eles não entenderam o que ele queria dizer. Então Jesus continuou: “Em verdade, em verdade vos digo, eu sou a porta das ovelhas. Todos aqueles que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os escutaram. Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem. O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”.

Meditação. — 1. O 4.º Domingo da Páscoa é também conhecido como Domingo do Bom Pastor porque, neste dia, a Igreja tradicionalmente medita um trecho do capítulo 10 do Evangelho de São João, em que Jesus se apresenta como o pastor que dá a vida por suas ovelhas. Em nossa meditação, vamos nos ater ao versículo 3: “As ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora”.

Antes, porém, a fim de compreender o significado das palavras de Jesus, precisamos ter uma visão clara sobre a relação entre o pastor e as suas ovelhas. Muito mais que uma figura bucólica que serenamente conduz as ovelhas por verdes pastagens, o pastor é aquele que de forma combativa enfrenta intensos perigos para defender seu rebanho. O Salmo 23 relata a segurança que as ovelhas possuem junto de seu pastor: “Ainda que eu passe pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque estão comigo o teu bastão e o teu cajado”.

Essa realidade do pastor que coloca sua vida em risco para proteger o rebanho já tinha sido profetizada no Antigo Testamento, na figura de Davi, que é o protótipo do Rei Pastor. Quando era um simples pastor de ovelhas, o jovem Davi enfrentou grandes perigos, como ele próprio narra ao rei Saul: “Quando o teu servo apascentava as ovelhas do seu pai e vinha um leão ou um urso roubar uma ovelha do rebanho, eu o perseguia e o matava, tirando-lhe a ovelha da boca” (1Sm 17, 34-35). Essa atitude de coragem ao defender seu rebanho preparou-o para, tempos depois, enfrentar o grande Golias e salvar o povo de Israel dos filisteus. 

Por ter sido um bom pastor, Davi foi achado digno de ser rei; e na sua pessoa Deus apresentou uma prefiguração de seu Filho Jesus Cristo, Rei e Pastor. Por mais que esses termos possam causar certo estranhamento, é assim, como rei e pastor, que o próprio Jesus se define no final do Evangelho de São Mateus (25, 31-46), ao afirmar que, quando o Filho do Homem voltar em sua glória, como pastor Ele separará as ovelhas dos cabritos, e como Rei acolherá em seu reino as ovelhas e condenará os cabritos ao fogo eterno.

Com essas palavras, Nosso Senhor mostra que nele se realiza tudo o que, no Antigo Testamento, era anunciado sobre Aquele que viria, da descendência do rei pastor Davi, para salvar suas ovelhas. E, de fato, mesmo sendo o Rei do Universo, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade desceu de sua realeza e assumiu a condição humana, a fim de, na Cruz, dar a vida pelas ovelhas.

Não podemos, pois, perder de vista os dois aspectos importantes da parábola pastoril: o pastor é, sim, aquele que conduz suas ovelhas por pastagens verdejantes e as leva a descansar; mas também é aquele que, de forma dramática e combativa, enfrenta os lobos e as feras selvagens que atacam seu rebanho. Esse duplo aspecto está presente na Santa Missa, que é tanto a Ceia do Senhor quanto o sacrifício do seu Corpo e Sangue. Nesse sentido, a Eucaristia é o alimento que nos é dado pelo Bom Pastor por meio do sacrifício de sua própria vida.

2. Tendo isso em mente, podemos agora refletir sobre o versículo terceiro do evangelho de hoje. Ao afirmar que as ovelhas escutam a voz do seu pastor e que este as chama pelo nome, Nosso Senhor está descrevendo uma cena muito comum para quem conhece como funcionava, em outros tempos, a criação de ovelhas.

Sobretudo em lugares frios, os pastores mais pobres associavam-se numa espécie de “cooperativa” para reunir suas ovelhas, durante a noite, em um único estábulo. Então, pela manhã, cada pastor chamava pelo nome as suas ovelhas; estas, por sua vez, ao identificarem a voz de seu pastor, dirigiam-se até ele, sem que ele tivesse de ir buscá-las. 

Diante dessa característica das ovelhas, que reconhecem a voz do seu pastor e o seguem, podemos fazer o seguinte exame de consciência: À voz de quem temos dado ouvidos? À do Bom Pastor, que nos amou a ponto de dar a vida por nós, ou à das paixões que fervilham em nosso interior e nos arrastam ao desespero e à inquietação?

Nestes tempos de pandemia, desordem social e distorção de informações, a cada dia constatamos nossa fragilidade e limitação. No entanto, em vez de colocarmos nossa confiança no Senhor, muitas vezes terminamos sendo arrastados pelas fraquezas e tomados pelo medo.

Somos frágeis ovelhas que necessitam do Bom Pastor para passar por este “vale da sombra da morte”. Mas, para sermos protegidos por Ele, antes precisamos ouvir a sua voz, e esta infelizmente não poderá ser ouvida se estivermos presos às nossas paixões desordenadas. Por isso, Santo Tomás de Aquino explica que o pastor “conduz para fora” as ovelhas, no sentido de que quem verdadeiramente ouve a voz do pastor sai do mundo, rompe com a mundanidade e deixa de ser escravo das paixões e preocupações mundanas. 

Não façamos ouvidos moucos ao Senhor que nos diz: “Oxalá ouvísseis hoje a sua voz, não endureçais o vosso coração” (Sl 94, 7-8). Reencontremos a voz do Bom Pastor e abandonemos tudo aquilo que nos impede de ouvi-la. 

Oração.Senhor Jesus Cristo, Vós que como Bom Pastor destes a vida por nossa salvação, ajudai-nos a romper com as vozes da mundanidade a fim de que, atentos ao vosso chamado, possamos seguir-vos em todas as circunstâncias, tanto nas verdes pastagens quanto nos vales da sombra da morte. Amém.

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