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Homilia Dominical
29 Nov 2019 - 27:12

Católicos, voltem a fazer penitência!

O sacrifício de Cristo desapareceu da consciência e do dia a dia dos fiéis católicos: a Missa é vista apenas como um encontro festivo, e a sexta-feira já não é mais um dia penitencial. No entanto, só viveremos bem o tempo do Advento se reaprendermos a fazer penitência, enquanto meio pelo qual nos desapegamos das criaturas a fim de oferecê-las amorosamente a Deus, em união com a Cruz redentora de Nosso Senhor. É o que Padre Paulo Ricardo explica nesta meditação.
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Homilia Dominical - 29 Nov 2019 - 27:12

Católicos, voltem a fazer penitência!

O sacrifício de Cristo desapareceu da consciência e do dia a dia dos fiéis católicos: a Missa é vista apenas como um encontro festivo, e a sexta-feira já não é mais um dia penitencial. No entanto, só viveremos bem o tempo do Advento se reaprendermos a fazer penitência, enquanto meio pelo qual nos desapegamos das criaturas a fim de oferecê-las amorosamente a Deus, em união com a Cruz redentora de Nosso Senhor. É o que Padre Paulo Ricardo explica nesta meditação.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 24, 37-44)

Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos: “A vinda do Filho do Homem será como no tempo de Noé. Pois nos dias, antes do dilúvio, todos comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. E eles nada perceberam, até que veio o dilúvio e arrastou a todos. Assim acontecerá também na vinda do Filho do Homem. Dois homens estarão trabalhando no campo: um será levado e o outro será deixado. Duas mulheres estarão moendo no moinho: uma será levada e a outra será deixada. Portanto, ficai atentos, porque não sabeis em que dia virá o Senhor. Compreendei bem isto: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, certamente vigiaria e não deixaria que a sua casa fosse arrombada. Por isso, também vós ficai preparados! Porque, na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá”.

Meditação. — 1. Hoje, a Igreja celebra o 1.º Domingo do Advento, iniciando assim um novo ano litúrgico, na espera do Salvador que há de vir. Esperar o Senhor não pode ser uma atitude meramente passiva, mas uma preparação constante a fim de que busquemos a conversão e o recebamos da melhor forma em nossos corações. Para isso, é indispensável vivermos a oração e a penitência, dois instrumentos que Deus nos deu para buscarmos a mudança de vida. 

A necessidade da oração e da penitência se impõe quando compreendemos o verdadeiro sentido do sacrifício, a partir dos ensinamentos da Igreja. 

Quando Deus criou os primeiros seres humanos, Adão e Eva, deu-lhes a seguinte missão: “Crescei e multiplicai-vos, enchei a terra e dominai-a” (Gn 1, 28). Nesse sentido, o ser humano recebeu a incumbência de dominar as criaturas, sendo “senhor” das coisas criadas, a fim de que, assim, pudesse oferecê-las a Deus como sacrifício de amor. O projeto de Deus, desde o início, estava vinculado à vivência do sacrifício, enquanto ato de abrir mão daquilo que é seu para oferecer amorosamente a Deus. Nisso consistiria a realização do ser humano. Todavia, Adão e Eva quebraram esse projeto ao se apegarem ao fruto proibido. Em vez de dominar as criaturas e oferecê-las a Deus como oblação, eles tomaram-nas para si e apegaram-se a elas a ponto de se tornarem escravos.

Infelizmente, essa é a condição de toda a humanidade, a partir do pecado original. Nós, que fomos criados para exercer um senhorio na obra da Criação, tornamo-nos escravos das criaturas, sendo dominados por elas, quando deveria acontecer o contrário. Assim, constatamos que, frequentemente, a comida, a bebida, o sexo, o dinheiro e os bens materiais dominam nossa vontade e condicionam nossas escolhas.

Para sermos libertos dessa escravidão, precisamos de Nosso Senhor Jesus Cristo, que veio a este mundo e encarnou-se por meio do esvaziamento de si mesmo (kenosis), conforme relata a Carta de São Paulo aos Filipenses: “Embora fosse de condição divina, não se apegou ciosamente ao seu ser igual a Deus. Porém, esvaziou-se de sua glória e assumiu a condição de um escravo, fazendo-se aos homens semelhante” (2, 6).

Diferentemente de Adão e Eva, Cristo não se apegou; em vez disso, Ele se fez homem para ser senhor do universo e oferecer tudo a Deus no sacrifício da cruz. No Calvário, Jesus ofereceu toda a Criação em ação de graças (eucaristia) a Deus Pai, vencendo assim o demônio e a morte, a fim de libertar a humanidade da escravidão do pecado.

2. O problema é que ninguém mais enxerga essa realidade. No Advento, somos chamados a nos unir ao sacrifício de Cristo, pela oração e pela penitência. Mas como isso acontecerá se as pessoas não param para refletir sobre o sacrifício? De modo geral, a maioria dos católicos nem mesmo percebe por que Cristo veio ao mundo.

Tudo o que Jesus fez, em sua vida pública, foi preparar os seus discípulos numa grande “Liturgia da Palavra”, a fim de que eles estivessem prontos para viver a “Liturgia Eucarística” do sacrifício do Calvário, e colher os frutos do seu verdadeiro e único sacrifício.

Essa finalidade da vida de Jesus devia estar clara para todos os católicos, que, por sua vez, deveriam assumir como fim último de suas vidas a união a Cristo pelo oferecimento de sacrifícios de amor. Se, por um lado, sofremos as consequências do pecado original, que nos faz reféns do diabo e suas maldades; por outro, quando nos unimos a Nosso Senhor pelos sacramentos e pela vida cristã , passamos a fazer parte do seu senhorio e conseguimos oferecer nossos sacrifícios a Deus.

É por isso lamentável que nós, católicos, estejamos sendo transformados por uma cultura anticristã. O sacrifício de Cristo desapareceu da consciência dos fiéis católicos. Por exemplo, a Missa é vista por muitos como “banquete festivo”, “celebração da partilha” ou “encontro da comunidade”, expressões antropocêntricas que desconsideram totalmente o caráter sacrifical da Celebração Eucarística.

Assim como o sacrifício desapareceu da consciência dos fiéis na hora da Missa, também foi esquecido na vida cotidiana. Há 50 anos, por exemplo, os católicos sabiam que, toda semana, tinham de viver uma “pequena quaresma” (na sexta-feira) e uma “pequena páscoa” (no domingo). Na sexta, vivia-se a penitência; no domingo, dia do Senhor, vivia-se para a oração e o louvor a Deus. Essa consciência era tão firme e empenhada que ditava as regras da sociedade e formava uma verdadeira cultura. Até a economia era pautada pelos católicos, como quando, por exemplo, as lanchonetes do McDonald’s tiveram de oferecer sanduíche de sardinha às sextas-feiras para não perder a sua clientela. Tudo isso caiu no esquecimento nas últimas décadas.

Diante desse triste cenário, precisamos recordar que o sacrifício é parte essencial da visão católica da vida humana realizada em Deus. É impossível viver de forma adequada o Advento, ignorando essa realidade fundamental. Neste tempo litúrgico, estamos nos preparando para o nascimento de Jesus. Para viver bem essa preparação, é necessário compreender que Cristo veio a este mundo para oferecer o verdadeiro sacrifício, ao qual devemos nos unir por meio da oração e da penitência.

3. Este tempo do Advento deve auxiliar-nos a estabelecer em nossas vidas de forma definitiva, equilibrada e alegre um ritmo constante de oração e penitência. Desde já, devemos educar os nossos filhos para isso, ensinando-lhes que, com pequenos sacrifícios, eles podem se unir ao sacrifício redentor de Nosso Senhor, pela salvação da humanidade. Em termos práticos, cada família pode habituar-se a sortear, entre seus membros, pequenos propósitos penitenciais de acordo com a idade e as condições físicas de cada um a fim de serem realizados durante o tempo do Advento.

Numa época em que muitas pessoas acreditam viver um “catolicismo alternativo” no qual as verdades doutrinárias e os atos de fé são dissolvidos por ideologias relativistas e antropocêntricas , é necessário destacar que não podemos edificar o Reino de Deus com os mesmos métodos com que é erigido o reino de Satanás, conforme adverte o Frei Maria Eugênio do Menino Jesus, no livro Ao sopro do Espírito. E os meios pelos quais edificamos o Reino de Cristo são a oração e a penitência. Nosso Senhor, na Cruz, já fez o maior de todos os sacrifícios, imensamente suficiente para a nossa salvação. No entanto, precisamos aplicá-lo nas nossas vidas, participando dele por meio da oração e da penitência.

Sigamos, pois, os ensinamentos da Virgem Santíssima em Fátima, ao instruir os três pastorinhos a rezar e a fazer penitência. Esse é o caminho que devemos percorrer, não apenas para iniciarmos o tempo do Advento, mas a fim de aderirmos a um ritmo de vida verdadeiramente católico.

Oração. — Senhor Jesus Cristo, Vós que vieste ao mundo para oferecer o sacrifício perfeito e definitivo, auxiliai-nos, neste tempo do Advento, a participar do vosso oferecimento na Cruz, por meio da oração e da penitência. Assim seja!

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