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Homilia Dominical
17 Fev 2017 - 27:14

Como amar os nossos inimigos?

No Evangelho deste domingo, dia 19 de fevereiro, Nosso Senhor manda a seus discípulos que rezem por seus perseguidores e ofereçam-lhes a outra face. Mas o que significam verdadeiramente essas palavras de Cristo? Estaria Ele falando literalmente ou apenas "fazendo poesia"? Será realmente possível amar os próprios inimigos?
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Homilia Dominical - 17 Fev 2017 - 27:14

Como amar os nossos inimigos?

No Evangelho deste domingo, dia 19 de fevereiro, Nosso Senhor manda a seus discípulos que rezem por seus perseguidores e ofereçam-lhes a outra face. Mas o que significam verdadeiramente essas palavras de Cristo? Estaria Ele falando literalmente ou apenas "fazendo poesia"? Será realmente possível amar os próprios inimigos?
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
5, 38-48)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: "Vós ouvistes o que foi dito: 'Olho por olho e dente por dente!' Eu, porém, vos digo: Não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! Se alguém quiser abrir um processo para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto! Se alguém te forçar a andar um quilômetro, caminha dois com ele! Dá a quem te pedir e não vires as costas a quem te pede emprestado.

Vós ouvistes o que foi dito: 'Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!' Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre justos e injustos. Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito!"

Para a passagem do Evangelho de hoje, em que Cristo nos manda amar os nossos inimigos e fazer o bem aos que nos perseguem, os teólogos normalmente apresentam duas interpretações extremas: há os que, de um lado, entendem que esses ensinamentos do Senhor devam ser aplicados em todos os âmbitos da vida humana, inclusive no convívio civil — o que equivaleria, na prática, à abolição do direito criminal ou, em última instância, da própria Justiça; e há aqueles, por outro lado, como Martinho Lutero, que imaginam que Nosso Senhor estava simplesmente a "fazer poesia" com suas palavras, pois as exigências do Sermão da Montanha seriam inatingíveis para o homem pós-lapsário.

Entre esses dois opostos, figura o próprio Jesus, o qual, ao ser esbofeteado por um dos servos do sumo sacerdote, não ofereceu a outra face, mas perguntou: "Se falei mal, prova-o, mas se falei bem, por que me bates?" (Jo 18, 23). Com isso, Nosso Senhor sinalizava para a importância da virtude da justiça. Ao mesmo tempo, porém, sendo Deus, Cristo não manda a ninguém o impossível: seus preceitos não são normas meramente ideais ou abstratas; são, muitos pelo contrário, "palavras de vida eterna", destinadas a produzir abundantes frutos na vida dos que as colocam em prática.

Por isso, ambas as interpretações de que se falou mais acima são inaceitáveis. Quem quiser entender de fato o que ensina o Evangelho deste domingo, deve lançar um olhar de fé ao mistério da Encarnação do Verbo, tal como é descrito por São João: "De tal modo Deus amou o mundo que lhe deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3, 16), e igualmente por São Paulo: "Eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós" (Rm 5, 8). Em outras palavras, o Verbo se fez carne para a nossa salvação — salvação que está na remissão dos pecados (cf. Lc 1, 77) — quando ainda éramos inimigos de Deus. Jesus Cristo foi o primeiro, portanto, a amar os seus inimigos — que somos nós mesmos.

Destruído porém o muro da inimizade, transformados que fomos, pela graça, em seus amigos mais íntimos, o nosso destino agora é caminhar para cada vez mais perto da semelhança com o Filho de Deus. Isso só é possível quando, enxergando com os olhos da fé com quanto amor Ele nos amou, brota de nossos corações uma profunda gratidão, a qual está destinada a transformar-se em mais caridade ainda. Diante do que Deus realizou para nos resgatar, diante do fato de que Ele rompe os céus para nos vir buscar e transportar-nos para o seu Reino, não há resposta mais adequada que amar de volta. "Se nos custava amá-lO", dizia Santo Agostinho, "ao menos não nos custe retribuir-lhe o amor": si amare pigebat, saltem reamare non pigeat.

Se o amor de Deus é o primeiro na ordem de importância, não acontece o mesmo, entretanto, na ordem de execução, lembrava ainda o Doctor Gratiae. Não basta que procuremos amar a Deus de volta; é necessário que, imitando o Cristo, também saibamos amar o nosso próximo, especialmente quando ele nos maltrata, nos persegue e nos faz o mal. Do contrário, se não soubermos perdoar a quem nos tem ofendido, tampouco o Pai dos céus perdoará as inúmeras ofensas que cometemos contra Ele.

Como pôr em prática esse preceito, no entanto, quando os sentimentos de ódio e de vingança parecem aflorar quase que de modo inevitável? Como perdoar de coração àqueles que nos ofenderam?

A resposta está no encontro que devemos fazer, todos os dias, com Aquele que é o divino hóspede das almas. Lá no fundo de nosso ser, bem onde Nosso Senhor nos toca quando comungamos com devoção, está Ele mesmo a reinar majestoso, permanentemente, à espera de que entremos no aposento de nossa alma e peçamos-lhe, em intimidade, a graça de amar. Só unindo-nos a Ele, de fato, o único que perdoou de modo perfeito os seus algozes, poderemos também nós reconciliar-nos, nem que seja interiormente, com os nossos inimigos.

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