Continuaremos indiferentes?
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Continuaremos indiferentes?

Como é possível que Ele tenha nos amado tanto e nós, indiferentes e ingratos, não vivamos para Ele? É isso que a devoção ao Sagrado Coração de Jesus quer nos recordar: toda primeira sexta-feira nos voltamos para esse grande mistério de amor.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 16, 1-8)

Naquele tempo, Jesus disse aos discípulos: “Um homem rico tinha um administrador que foi acusado de esbanjar os seus bens. Ele o chamou e lhe disse: ‘Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, pois já não podes mais administrar meus bens’.

O administrador então começou a refletir: ‘O Senhor vai me tirar a administração. Que vou fazer? Para cavar, não tenho forças; de mendigar, tenho vergonha. Ah! Já sei o que fazer, para que alguém me receba em sua casa quando eu for afastado da administração’.

Então ele chamou cada um dos que estavam devendo ao seu patrão. E perguntou ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu patrão?’ Ele respondeu: ‘Cem barris de óleo! “O administrador disse: ‘Pega a tua conta, senta-te, depressa, e escreve cinquenta!’ Depois ele perguntou a outro: ‘E tu, quanto deves?’ Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. O administrador disse: ‘Pega tua conta e escreve oitenta’.

E o Senhor elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza. Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz”.

É a primeira sexta-feira do mês, por isso recordamos o Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo, que tanto nos amou e merece o nosso amor. Em que consiste essa devoção? Antes de tudo, é preciso compreender que Deus, amor subsistente, quis nos amar também com um coração humano. Amando-nos deste a eternidade com seu amor divino, Ele assumiu no tempo humanidade, com a qual, unida à sua pessoa, nos amasse também com amor humano. Embora não esteja sujeito ao sofrimento, Ele quis vir ao mundo sofrer por nosso amor, recebendo ingratidão e injustiças, condenado por nós à morte de cruz.

Na Paixão de Cristo com todos os sofrimentos físicos, morais e espirituais de Jesus, que quis vivê-los livremente para a nossa salvação. Quando apareceu a Santa Margarida Maria de Alacoque, o Senhor mostrou-lhe o seu Coração com as marcas da Paixão — a chaga da lança e uma coroa de espinhos, símbolos de sua agonia —, mas também com uma chama de fogo, símbolo de sua ardente caridade. É o Coração humano do Verbo encarnado, que se sujeitou ao sofrimento dos homens, amando-nos com amor humano e divino.

E no entanto, embora Ele tanto tenha sofrido por nós, continuamos indiferentes! Esse talvez seja o núcleo das revelações a Santa Margarida Maria: o Coração que mais amou os homens só recebe dele ingratidão e indiferença. O Amor não é amado! Basta olhar para os nossos dias. Vivemos como se Deus fora alguém distante, ou mesmo inexistente. Mas Cristo passou todo o tempo de sua vida na terra pensando em cada um de nós. Sua alma bem-aventurada contemplava a Deus sem cessar, e nele via todos os homens, presentes, passados e futuros, pelos quais havia de morrer na cruz.

Não se trata de recurso retórico nem de apelos afetivos. É doutrina da Igreja. O Papa Pio XII, na Encíclica Mystici Corporis, recorda que Deus Filho, desde a manjedoura de Belém, durante o seu tempo de ministério público, na Última Ceia e na cruz, pensou em cada membro de seu Corpo místico. Ele passou a vida no mundo sem nos tirar de seus pensamentos, e nós passamos os dias esquecidos dele! Como é possível que, sabendo disso, sejamos tão indiferentes e ingratos e não vivamos para Ele? É disto o que a devoção ao Sagrado Coração de Jesus quer nos recordar, deste grande mistério de amor do Deus encarnado, que não deixa de nos amar e atrair com vínculos humanos.

Quando lermos o Evangelho e ouvirmos a narrativa da Paixão, não pensemos que Cristo é uma personagem do passado que nada tem a ver conosco. Não! Ele está vivo, glorioso e ressuscitado à direita do Pai. Quando há dois mil o Senhor curou os cegos, era a nós que Ele queria devolver a luz; quando perdoou os pecadores, era a nós que Ele queria perdoar; quando exorcizou os endemoniados, éramos nós que Ele queria libertar do demônio; quando viu Pedro afundar sob as águas, era a nós que Ele estendia a mão. Jesus pensou em nós quando, triste, viu Pedro negá-lo; pensou em nós quando foi flagelado, coroado de espinhos, com a cruz às costas, pregado no madeiro, na hora da morte e quando a lança lhe traspassou o peito.

Cristo pensou em nós sempre. E nós não iremos pensar em Cristo? Sim, porque é pensando que começa o primeiro movimento do amor. Se Ele nos amou o tempo todo, temos de dirigir a Ele sempre o nosso pensamento, elevando-lhe o nosso coração constantemente. Somente assim poderemos dizer que amamos de volta aquele que nos amou com a ternura de seu Sagrado Coração. Não deixemos passar essa primeira sexta-feira do mês sem vivê-la intensamente, com gratidão e disposição devota para com o Sagrado Coração de Jesus.

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