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Homilia Dominical
7 Set 2018 - 24:16

Cristãos que não convertem ninguém

O Evangelho deste domingo narra uma prática comum dos primeiros cristãos, que, por acreditarem no poder salvífico de Jesus Cristo, apresentavam-lhe toda sorte de doentes, do corpo e da alma, para que Ele os curasse. Para os cristãos de hoje, porém, essa já não é uma atitude tão óbvia. Nesta homilia, Padre Paulo Ricardo mostra como o indiferentismo religioso está ameaçando a Igreja e indica os remédios para o surgimento de uma evangelização verdadeiramente nova.
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Homilia Dominical - 7 Set 2018 - 24:16

Cristãos que não convertem ninguém

O Evangelho deste domingo narra uma prática comum dos primeiros cristãos, que, por acreditarem no poder salvífico de Jesus Cristo, apresentavam-lhe toda sorte de doentes, do corpo e da alma, para que Ele os curasse. Para os cristãos de hoje, porém, essa já não é uma atitude tão óbvia. Nesta homilia, Padre Paulo Ricardo mostra como o indiferentismo religioso está ameaçando a Igreja e indica os remédios para o surgimento de uma evangelização verdadeiramente nova.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 7, 31-37)

Naquele tempo, Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole.

Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão. Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. Olhando para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer: “Abre-te!”

Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade.

Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam. Muito impressionados, diziam: “Ele tem feito bem todas as coisas: aos surdos faz ouvir e aos mudos falar”.

Meditação. — 1. O Evangelho da Missa deste domingo conta que “trouxeram um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão”. Os contemporâneos de Cristo assistiam aos seus milagres e se convenciam cada vez mais do seu poder salvífico. Por isso, eles entendiam a necessidade de divulgar as suas obras, pois Jesus fazia bem todas as coisas: “Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar”.

Apresentar pessoas para Jesus era uma prática comum entre os cristãos. Na verdade, a evangelização dos povos traduzia uma convicção sobrenatural de que Cristo é a cura para todas as enfermidades do corpo e da alma. Os grandes evangelizadores não pouparam esforços para tornar Jesus conhecido entre todos os povos e nações, a fim de libertá-los da surdez que impede de ouvir a verdade de Deus. Esses homens e mulheres eram, antes de tudo, pessoas de fé.

2. Nos últimos séculos, a evangelização parece ter se tornado algo politicamente incorreto, e os cristãos já não se importam tanto com a divulgação da Palavra de Deus. Os efeitos da Reforma Protestante de Lutero produziram a ideia de que religião é uma coisa privada, que não deve ser discutida nem apresentada a ninguém, pois a missionariedade poderia resultar em polêmicas e guerras. Esse pensamento gerou a doença dos tempos modernos: o indiferentismo religioso.

O Ocidente está caminhando para um novo paganismo justamente porque os cristãos não querem evangelizar, não estão interessados naquelas palavras de Jesus sobre o Batismo e o ensino de todas as nações: “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15). E é exatamente por isso que as almas estão se perdendo, pois “o indiferentismo religioso gera a incoerência nos princípios, a ponto de fazer acreditar, falsamente, que é possível manter o nexo íntimo e vivo com a Igreja” e, ao mesmo tempo, “frequentar outros cultos e denominações religiosas”, inclusive aquelas que pregam doutrinas anticristãs (S. João Paulo II, Discurso em 5 set. 1995, n. 5).

3. Cristo prometeu que as portas do inferno jamais prevalecerão contra a Igreja (Mt 16, 18). Todavia, os cristãos não podem se acomodar. O amor de Cristo nos deve impelir a uma missionariedade ainda mais intensa que a dos primeiros cristãos, sobretudo agora que o mundo se encontra surdo para a verdade. Temos de trazê-lo para Jesus. Temos de romper com a linguagem pseudo tolerante e politicamente correta para converter os povos para a pessoa de Jesus, o mesmo Jesus dos Evangelhos, das Escrituras Sagradas, e não aquele das teologias modernas. A Palavra de Cristo deve sempre nos incomodar, produzir em nós uma metanoia, ou seja, a cura da nossa surdez.

É uma alegria saber que Jesus pode mudar o nosso coração, pois não estamos abandonados às nossas misérias. Ao contrário, Ele reza, olha para o céu, e com um gemido, um suspiro, mostra o quanto Ele quer a nossa conversão. De fato, Cristo intercede por nós, e não somente intercede, Ele tem o poder, Ele é Cristo, Rei do Universo, Ele é nosso Salvador e Senhor e ordena que a sua palavra transforme a nossa alma. Na Missa deste domingo, estejamos com os ouvidos bem atentos para as palavras de Cristo, que diz: “Efatá”, a fim de que também saiamos curados e capazes de divulgar as boas obras do Senhor.

Oração. Ó Senhor Jesus, apresento-me diante de vós como o surdo do Evangelho deste domingo, para que vossa santa Palavra cure a minha enfermidade e faça de mim um incansável divulgador das vossas boas obras.

Propósito. — Convidar algum amigo ou parente que está longe da religião para participar de algum retiro ou da Santa Missa.

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