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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 17, 7-10)

Naquele tempo, disse Jesus: “Se algum de vós tem um empregado que trabalha a terra ou cuida dos animais, por acaso vai dizer-lhe, quando ele volta do campo: ‘Vem depressa para a mesa?’ Pelo contrário, não vai dizer ao empregado: ‘Prepara-me o jantar, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois disso poderás comer e beber?’ Será que vai agradecer ao empregado, porque fez o que lhe havia mandado? Assim também vós: quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: ‘Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer’”.

No Evangelho de hoje, Jesus nos conta a parábola do servo inútil. A nossa tradução litúrgica, infelizmente, decidiu verter por empregado o que, no texto grego dessa passagem, corresponde à palavra δοῦλος (servo inútil = δοῦλος ἀχρεῖος), que, como explicado em outras homilias e episódios, significa propriamente escravo. Não se trata de um detalhe de somenos importância. Um empregado, com efeito, tem uma série de direitos amparados pela lei, e os deveres a que se vê obrigado, no cumprimento do seu ofício, estão limitados àquilo, e somente àquilo, que prevê o seu contrato. Um escravo não tem nem uma nem outra vantagem. Um empregado é dono de si e da sua vida; um escravo é propriedade do seu senhor. Um empregado trabalha apenas a jornada estabelecida; um escravo está sempre à disposição do seu dono. Um empregado, enfim, tem direito a protestar contra quem o contratou; um escravo está à mercê da vontade de quem o comprou. Isso, porém, não nos deve escandalizar, como se fôra uma grande injustiça e desumanidade, porque o senhorio que Cristo exerce sobre nós tem duas propriedades que faltam ao senhorio, ou antes tirania, dos homens: ele é amoroso, da parte de quem possui, e é livre, da parte dos que somos possuídos. Quem nos possui é Jesus Cristo, mas com um domínio cheio de compaixão e ternura, que não oprime despoticamente e, se exige algum serviço ou sacrifício, dá todos os recursos necessários ao seu perfeito cumprimento. Os possuídos somos nós, não como coisas compradas no mercado, mas servos resgatados ao preço do Sangue do nosso próprio Senhor, que nos chama, como a criaturas racionais e livres, à obediência do Evangelho e à total submissão à amorosíssima vontade de Deus. Ele é nosso Senhor por direito natural, enquanto Verbo divino, e adquirido, enquanto Redentor da humanidade, e, porque nos quer fazer reinar no céu, nos chama agora a esta doce escravidão que é uma vida plenamente cristã. Se o não quisermos servir nesta vida, teremos de arcar com a consequência de termos servido a Satanás; se, no entanto, nos fizermos escravos de tão bondoso Senhor, nos veremos livres da verdadeira escravidão, que nos acorrenta a liberdade, nos desumaniza e degrada: a escravidão do pecado.

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