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Homilia Dominical
3 Abr 2014 - 27:19

Vem para fora!

Ao bradar a Lázaro: “Vem para fora!”, Jesus também grita às nossas almas, rogando que saiamos da surdez maligna que nos conduz à morte eterna. Essa voz também quer chamar-nos a uma conversão mais profunda, na qual nós abandonamos o pecado não só por conta do inferno, mas por causa do choro secreto de Deus.
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Homilia Dominical - 3 Abr 2014 - 27:19

Vem para fora!

Ao bradar a Lázaro: “Vem para fora!”, Jesus também grita às nossas almas, rogando que saiamos da surdez maligna que nos conduz à morte eterna. Essa voz também quer chamar-nos a uma conversão mais profunda, na qual nós abandonamos o pecado não só por conta do inferno, mas por causa do choro secreto de Deus.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo João
(Jo 11,3-7.17.20-27.33b-45)

A chave de leitura deste belíssimo Evangelho, que expressa de modo dramático o afeto, a humanidade e o amor de Jesus, são a Sua paixão, morte e ressurreição. A pedido de Marta e Maria, Jesus sai da região da Galileia e vai a Betânia, que ficava a “uns três quilômetros” (v. 18) de Jerusalém, consciente de que sobe para dar a vida, seja para Lázaro, seja para todos os homens, na morte da Cruz. Os próprios discípulos, ao ouvirem a proposta de Jesus de voltar à Judeia, respondem: “Mestre, agora há pouco os judeus queriam te apedrejar, e vais de novo para lá?” (v. 8).

Então, para compreender em profundidade a narrativa de São João, é preciso recorrer a outro trecho desse mesmo Evangelho, em que Jesus diz que “ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos” [1]. Em Betânia, Jesus dá a vida a Lázaro e, em troca, Ele mesmo ganha a morte.

Esse amor de amizade de Cristo manifesta-se de modo enigmático no capítulo 11 do Evangelho de São João. É verdade que Jesus se comove, como se lê nos versículos 33 e 38. No entanto, o verbo grego usado para expressar a Sua reação faz referência a uma comoção por raiva, por ira, como que a indicar o zelo de Deus pelo homem.

Ao mesmo tempo em que se comove, na síntese do versículo 35, é dito que “Jesus chorou”. Eis uma verdadeira epifania, uma revelação do coração de Deus que se comove diante da morte do ser humano. A palavra usada para expressar o choro de Jesus é o grego ἐδάκρυσεν (lê-se: edákrisen), que, diferentemente do verbo usado para expressar o choro de Maria e dos judeus (κλαίω; lê-se: klaío), faz referência a um choro comedido e sereno; a gotas de lágrima (δάκρυ; lê-se: dákri), literalmente.

Isso leva-nos a penetrar no segredo do sofrimento de Deus. Se Ele chora diante da morte física de seu amigo, sofre muito mais com a morte das almas que se afastam d’Ele pelo pecado, tornando-se de fato inimigas de Deus [2]. O Seu choro secreto é algo que nos deve fazer tomar a firme decisão de consolar o Seu coração, ferido por nossas culpas.

Com isso, não se está a dizer que Lázaro não ressuscitou. Esse milagre realmente aconteceu, mas aponta para algo mais profundo: Jesus quer dar-nos a vida eterna, como diz a Marta: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (v. 25).

No versículo 43, Jesus dirige um chamado a Lázaro a todos nós: “Lázaro, vem para fora!”. Ao contrário de seu choro comedido diante da morte, quando Deus nos chama à vida, Ele brada, com uma forte voz (φωνῇ μεγάλῃ; lê-se: foní megáli). Essa voz quer vencer a nossa surdez mortífera e chamar-nos a uma conversão mais profunda, na qual nós abandonamos o pecado não só por causa do inferno, mas porque ele ofende a Deus e fá-Lo chorar.

Vamos rezar, neste domingo, pedindo a Deus o dom da contrição perfeita. Muitas vezes, arrependemo-nos de nossos pecados por conta das penas do inferno ou pela recompensa do Céu. Neste Evangelho, Jesus convida-nos a vir para fora, sair do pecado para corresponder ao Seu amor e consolar o Seu coração, parar de ofendê-Lo por causa da lágrima secreta que Ele derrama a cada pecado que cometemos. Quantas vezes Jesus não chorou sobre o túmulo de nossa alma morta pelo pecado!

No capítulo seguinte do Evangelho de São João, Jesus senta-se à mesa com Marta, Maria e Lázaro: é a festa dos amigos que se sentam à mesa para agradá-Lo. Que beleza é ser amigo de Cristo, como o foram Marta, Maria e Lázaro! Que alegria é transformar a nossa alma em Betânia, onde Deus pode sentar-se conosco como com comensais e onde podemos, à imitação de Maria, ungir os Seus pés com um “bálsamo de nardo puro, de grande preço” [3]! Determinemo-nos, peçamos a Deus a graça da contrição perfeita e aproximemo-nos da Eucaristia, como comensais que querem consolar o coração divino.

Referências

  1. Jo 15, 13
  2. Cf. Rm 1, 30
  3. Jo 12, 3
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