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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 10, 1-12)

Naquele tempo, o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir.

E dizia-lhes: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos”. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita. Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa nem sacola nem sandálias, e não cumprimenteis ninguém pelo caminho! Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vós. Permanecei naquela mesma casa, comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não passeis de casa em casa.

Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos, comei do que vos servirem, curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: ‘O Reino de Deus está próximo de vós’.

Mas, quando entrardes numa cidade e não fordes bem recebidos, saindo pelas ruas, dizei: ‘Até a poeira de vossa cidade que se apegou aos nossos pés, sacudimos contra vós. No entanto, sabei que o Reino de Deus está próximo!’ Eu vos digo que, naquele dia, Sodoma será tratada com menos rigor do que essa cidade”.

S. Francisco de Assis, com seu coração seráfico, é um exemplo extremado do que é um homem verdadeiramente evangélico, configurado de corpo e alma ao mistério de Cristo em toda a sua plenitude. Numa época em que se vivia o cristianismo mais como “cultura dominante” do que como convicção profunda, o poverello soube enxergar com singular clareza qual era a raiz das crises por que então passava a Igreja Católica: tratava-se do fenômeno — por assim dizer — do “cristão de carteirinha”, daquela vida de fé limitada ao cumprimento, às vezes puramente legal, do mínimo do mínimo. Pode-se dizer que, tanto entre os leigos como entre os clérigos, o catolicismo que então se praticava não era mais do que medíocre, acomodado, e como na vida espiritual parar equivale a regredir, não é de estranhar que os cristãos da época vivessem na mais desgarrada mundanidade. Mas Francisco sabia, como toda alma enamorada de Cristo, que o Evangelho — sine glossa, livre de interpretações frouxamente amenas — é um desafio heróico, que ou se aceita na integridade ou se se rejeita em bloco. Não porque todos os cristãos, indiscriminadamente, devam sentir-se obrigados a vender tudo o que têm, trajar um pano velho e viver de esmola, mas porque sem esse espírito de generosa entrega de si é muito difícil ser um cristão autêntico. Deus não nos fez para a mediocridade, para contentar-nos com aquele “minimum” sem o qual não podemos entrar no céu. Ele nos quer salvos, mas também nos quer santos, e quem em bom juízo ousaria pensar, tendo diante dos olhos a história da Igreja, que os santos se destacaram só por fazer o que todos já fazem, por não ir além do que a todos é exigido? Que, a exemplo de S. Francisco de Assis e apoiados no auxílio da graça, possamos assumir de coração nossa vocação à santidade, à perfeição no amor, a tudo sacrificar por amor a Deus, que tanto se sacrificou, fazendo-se como um de nós, para que pudéssemos um dia, glorificados no céu, participar daquilo que Ele mesmo é.

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