Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 2, 16-21)
Naquele tempo, os pastores foram às pressas a Belém e encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura.
Tendo-o visto, contaram o que lhes fora dito sobre o menino. E todos os que ouviram os pastores ficaram maravilhados com aquilo que contavam.
Quanto a Maria, guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração.
Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo que tinham visto e ouvido, conforme lhes tinha sido dito. Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo antes de ser concebido.
Com grande alegria, celebramos hoje a Solenidade da Toda Santa Mãe de Deus, Maria Santíssima. Celebrar a maternidade da Virgem Maria é celebrar o seu título mais importante, do qual decorrem todos os seus outros privilégios. Santo Tomás de Aquino diz que a maternidade divina de Nossa Senhora tem uma dignidade como que infinita, porque ela é mãe de uma Pessoa Divina — o Verbo Encarnado, o qual obviamente possui uma dignidade inesgotável — e está unida de forma extraordinária ao seu Filho.
Sabemos que Maria é a Mãe de Jesus Cristo, Deus que se fez homem, e também costumamos recordar e celebrar que ela é igualmente nossa Mãe. Muitos acreditam que ela seja considerada assim apenas porque, aos pés da Cruz, Jesus olhou para São João e disse: “Filho, eis aí a tua Mãe” (Jo 19, 27). Porém, se formos refletir verdadeiramente sobre esse grande mistério, chegaríamos à conclusão de que Maria seria a nossa Mãe mesmo que Jesus não tivesse realizado esse gesto, pois, pelo Batismo, nós nos tornamos membros do Corpo de Cristo e, consequentemente, filhos da Virgem Santíssima.
Há oito dias atrás, celebramos no Natal o fato de que Deus se tornou Filho do Homem, e agora nós celebramos o fato de que uma mulher, Maria, tornou-se Mãe de Deus. Essa realidade faz com que Jesus e Maria estejam unidos num tal mistério de amor que nós, ao nos associarmos a Cristo, fazendo parte do seu Corpo, somos também filhos de Maria. Como disse certa vez São Luís Maria Grignion de Montfort: “Seria muito estranho que uma mulher fosse mãe da cabeça, mas não fosse mãe dos membros do corpo”. Então, é evidente: sendo mãe da Cabeça, que é Cristo, a Virgem Santíssima é mãe dos outros membros desse Corpo, que é a Igreja. Realmente, o mistério da Maternidade Divina pede o mistério da maternidade universal de nossa Mãe Santíssima!
Por isso, celebrar o privilégio e a honra de Maria ser Mãe de Deus é celebrar também um grande dom entregue a nós, porque, sendo membros do Deus que se fez homem, somos filhos da Virgem Santíssima, Mãe do Salvador e Mãe da Igreja. Agradeçamos, pois, hoje e sempre, pela maravilha que Cristo nos concedeu no Natal: a melhor e mais perfeita Mãe que poderíamos ter.




























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