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1264. Memória de São João Crisóstomo

Nascido em Antioquia na mesma época em que viveu Santo Agostinho, São João Crisóstomo é exemplo de paciência e caridade no ofício de pregar, sem receios nem respeitos humanos, a verdade de Cristo.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 6, 39-42)

Naquele tempo, Jesus contou uma parábola aos discípulos: “Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois num buraco? Um discípulo não é maior do que o mestre; todo discípulo bem formado será como o mestre. Por que vês tu o cisco no olho do teu irmão, e não percebes a trave que há no teu próprio olho?

Como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o cisco do teu olho, quando tu não vês a trave no teu próprio olho? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás enxergar bem para tirar o cisco do olho do teu irmão”.

A Igreja celebra hoje a memória de S. João Crisóstomo, nascido em Antioquia, na Síria, na mesma época em que viveu outro grande Padre da Igreja, S. Agostinho de Hipona. Órfão de pai ainda muito cedo, João recebeu da mãe, mulher de grande cultura, boa parte de sua educação e já em seus anos de escola tornou-se famoso entre os colegas por sua singular capacidade oratória; daí o nome com que passou a ser alcunhado: o epíteto grego “Crisóstomo” (Χρυσόστομος), com efeito, significa justamente “boca de ouro”, tal era a beleza com que ele ornava seus discursos. Atraído pela verdade de Cristo, João fez-se batizar com cerca de dezoito anos. Apesar das recusas da mãe, que jamais contraiu segundas núpcias e lhe dedicara suas melhores forças, juntou-se a um grupo de monges que viviam nos arredores de Antioquia para dedicar-se à vida contemplativa e ao estudo das SS. Escrituras. Partiu depois para as montanhas, onde, num regime de vida eremítica, se entregou com tanto empenho à penitência — talvez num exagero de juventude — que acabou debilitando-se e, de certa forma, vendo-se obrigado a voltar à cidade.

De volta a Antioquia, foi ordenado diácono em 381 por S. Melécio, bispo, que chegou a ocupar o patriarcado da cidade. Aos 39 anos, ordenou-se sacerdote e, do púlpito, pôde fazer seu talento de orador servir à sua missão de pregador: a exigência de suas exortações, ao mesmo tempo fortes e belas, foi um meio utilíssimo de que Deus se serviu para levar à perfeição fiéis nem sempre coerentes na vida com a fé que professavam com palavras. Por volta de 397, João, cuja fama já rompera havia muito as fronteiras de Antioquia, é chamado a Constantinopla (capital do Império Romano do Oriente, governado então por Flávio Arcádio); lá, é sagrado bispo e eleito sucessor de Nectário, ascendendo assim, como novo Patriarca, à principal sede oriental. Suas homilias, em que se denunciavam os vícios dos ricos e poderosos, valeram-lhe a antipatia das elites, que maquinaram contra ele toda sorte de ardis, a ponto de lograrem a sua deposição e exílio. Com menos de sessenta anos, S. João morre exilado e injustiçado, perseguido e maltratado por aqueles a quem entregara a própria vida, pelos quais tanto rezara, a fim de os converter, santificar e salvar. Vencido pela doce caridade de Cristo, ele a todos perdoou, partindo desta vida dando glória a Deus por todas as suas tribulações.

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