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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 12, 39-48)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Ficai certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, não deixaria que arrombasse a sua casa. Vós também ficai preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que menos o esperardes”.

Então Pedro disse: “Senhor, tu contas esta parábola para nós ou para todos”. E o Senhor respondeu: “Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor vai colocar à frente do pessoal de sua casa para dar comida a todos na hora certa? Feliz o empregado que o patrão, ao chegar, encontrar agindo assim! Em verdade eu vos digo: o senhor lhe confiará a administração de todos os seus bens. Porém, se aquele empregado pensar: ‘Meu patrão está demorando’, e começar a espancar os criados e as criadas, e a comer, a beber e a embriagar-se, o senhor daquele empregado chegará num dia inesperado e numa hora imprevista, ele o partirá ao meio e o fará participar do destino dos infiéis.

Aquele empregado que, conhecendo a vontade do senhor, nada preparou, nem agiu conforme a sua vontade, será chicoteado muitas vezes. Porém, o empregado que não conhecia essa vontade e fez coisas que merecem castigo, será chicoteado poucas vezes. A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!”

Celebramos hoje a memória do beato Carlos I da Áustria, último chefe do Império Austro-Húngaro, que por Providência divina teve de viver um profundo desapego das “realezas” da terra. O trono da Áustria, com efeito, deveria ser herdado por seu tio, o arquiduque Francisco Fernando, assassinado em 1914 em Sarajevo, capital da Bósnia, o que deu origem aos conflitos que acabaram desembocando na I Guerra Mundial. Assim, com a progressiva polarização das nações europeias, o assassinato de uma única pessoa tornou-se o estopim de uma das páginas mais sangrentas da história. Foi neste cenário de guerra e carnificina que Carlos I, apesar de não ser o herdeiro original, foi elevado ao trono austríaco. O novo imperador, porém, saiu da guerra derrotado e, após algumas tentativas fracassadas de restaurar a monarquia húngara, foi definitivamente exilado à Ilha da Madeira, onde passou os últimos dias, sem coroa, sem bens nem esperança de tornar um dia à sua terra e à sua família. E no entanto, embora tenha perdido tudo, Carlos mostrou sempre um total desprendimento de glórias mundanas, fruto de sua entrega sem reservas à Providência divina, à qual não deixou de entoar, desterrado e prestes a morrer, suas mais sentidas ações de graças por meio de um profundo Te Deum. Despojado e degredado, Carlos não pensou em si nem no que perdera, porque só lhe importava o único que vale a pena ganhar: a glória do céu, a verdadeira realeza que Deus tem preparada para aqueles que, a exemplo deste beato, sabem do valor único, inestimável, que é amar e ser amado por Jesus Cristo, como filho de sua Santa Igreja, Católica Apostólica Romana. — Que Deus nos conceda, pelos méritos, a intercessão e o exemplo do beato Carlos I da Áustria, as três grandes virtudes que ornaram a alma deste piedoso monarca: dócil obediência aos Mandamentos, fiel cumprimento dos deveres de estado e um olhar sobrenatural para os sucessos e insucessos da vida, nos quais Deus manifesta de diferentes modos sua vontade e executa suavemente seus desígnios salvíficos.

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