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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 11, 20-24)

Naquele tempo, Jesus começou a censurar as cidades nas quais tinha sido realizada a maior parte de seus milagres, porque não se converteram: “Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Se em Tiro e Sidônia se tivessem realizado os milagres feitos no meio de vós, há muito tempo teriam demonstrado arrependimento, vestindo-se de saco e cobrindo-se de cinza. Pois bem! Eu vos digo: no dia do julgamento, Tiro e Sidônia terão uma sentença menos dura do que vós. E tu, Cafarnaum! Acaso serás elevada até o céu? Até o inferno serás rebaixada! Pois se os milagres realizados no meio de ti se tivessem produzido em Sodoma, ela existiria até hoje! Eu, porém, te digo: no dia do juízo, Sodoma terá uma sentença menos dura do que tu!”

Hoje, a Igreja celebra a memória do bem-aventurado Inácio de Azevedo e companheiros mártires, missionários jesuítas vindos ao Brasil no século XVI e mortos por calvinistas franceses antes mesmo de desembarcarem em nossas terras. Foi decerto por causa desse sangue derramado que as missões jesuíticas puderam aqui prosperar, convertendo à fé cristã um sem número de indígenas. Prova disso é o fato de, já em 1574, somente quatro anos após o martírio, já se celebrarem no Brasil missas em honra destes soldados da Companhia de Jesus. O martírio destes quarenta beatos, se de um ponto de vista puramente humano não parece mais do que um “fracasso”, de uma perspectiva cristã consiste em uma estrondosa vitória. Porque evangelizar não é uma “jogada de marketing”, baseada em estratégias retóricas e de propaganda, mas uma ação da graça, uma iniciativa de Deus, que quer servir-se de homens unidos ao sacrifício de Cristo crucificado, conforme aquilo de S. Paulo: “O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu Corpo que é a Igreja” (Col 1, 24). Não porque falte algo ao sacrifício do Calvário, cujo valor é infinito e superabundante, mas porque as graças que lá foram conquistadas pelo Deus-Homem, o Pai as quer comunicar mediante instrumentos humanos, membros do Corpo místico de seu Filho. O martírio, nesse sentido, é uma forma de, em união com Cristo e em dependência dele, merecer de Deus graças que só por este meio Ele dispôs conceder, razão por que podemos dizer que o beato Inácio e seus companheiros salvaram mais almas morrendo por Cristo do que teriam salvado se houvessem desembarcado ilesos.  — Que eles, coroados no céu com a palma do martírio, intercedam continuamente por nós, a fim de que no Brasil não desapareça nunca a fé que eles vieram pregar e sempre haja homens prontos a seguir o exemplo que nos deixaram com sua fortaleza.

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