Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 19,1-10)
Naquele tempo, Jesus tinha entrado em Jericó e estava atravessando a cidade. Havia ali um homem chamado Zaqueu, que era chefe dos cobradores de impostos e muito rico. Zaqueu procurava ver quem era Jesus, mas não conseguia, por causa da multidão, pois era muito baixo. Então ele correu à frente e subiu numa figueira para ver Jesus, que devia passar por ali. Quando Jesus chegou ao lugar, olhou para cima e disse: "Zaqueu, desce depressa! Hoje eu devo ficar na tua casa". Ele desceu depressa, e recebeu Jesus com alegria. Ao ver isso, todos começaram a murmurar, dizendo: "Ele foi hospedar-se na casa de um pecador!" Zaqueu ficou de pé, e disse ao Senhor: "Senhor, eu dou a metade dos meus bens aos pobres, e se defraudei alguém, vou devolver quatro vezes mais". Jesus lhe disse: "Hoje a salvação entrou nesta casa, porque também este homem é um filho de Abraão. Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido".
Celebramos hoje, com grande alegria, a memória dos mártires São Roque González e seus companheiros, os padres Afonso Rodrigues e João de Castilho. Trata-se de três sacerdotes jesuítas: o primeiro, paraguaio; os dois últimos, espanhóis.
Roque González era sacerdote e chegou a ser pároco da Catedral de Assunção e vigário geral da diocese, mas resolveu entrar para a Companhia de Jesus quando tinha 33 anos. Desse modo, por cerca de vinte anos, o Padre Roque se dedicou à evangelização dos povos indígenas nas chamadas reduções jesuíticas. Ele atuou no sul do Brasil — onde hoje é o estado do Rio Grande do Sul — e ali, na atual diocese de Santo Ângelo, foi martirizado.
Observando a vida deste santo, percebemos o amor imenso que ele tinha aos indígenas, querendo livrá-los da ignorância das falsas religiões e tirá-los do poder das trevas.
Contudo, por se opor às religiões pagãs, São Roque foi martirizado pelo líder religioso de uma tribo, que fez com que os índios o matassem, queimassem seu corpo e o deixassem exposto. No entanto, algo surpreendente aconteceu: dias depois, os índios voltaram e, vendo que o corpo ainda não estava inteiramente queimado, transpassaram com uma flecha o coração do padre, o qual milagrosamente disse: “Matastes a quem tanto vos amou. Meu corpo está morto; minha alma, no entanto, está no Céu”. Esse milagre extraordinário aconteceu para a conversão e a salvação dos índios culpados pela morte do santo.
“Matastes a quem tanto vos amou”. Essa frase certamente expressa o que foi a vida do Padre Roque González. O Ofício das Leituras traz uma das cartas deste homem que, treze anos antes do martírio, descreveu suas ações diárias e o método que utilizava nas missões indígenas. Primeiro, os jesuítas demonstravam todo o amor que tinham aos índios, e estes, depois de estarem convencidos do quanto aqueles homens eram sacrificados e os amavam de verdade, baixavam o escudo do coração e se abriam para ouvi-los.
Dessa forma, o Padre Roque González e seus companheiros conseguiram converter esses povos, edificando capelas, ensinando a adorar a Santa Cruz de Cristo, a ter reverência pelo sacrifício do Calvário na Santa Missa, a abraçar a fé e ser batizado e, finalmente, participar do santo e augusto sacrifício do Corpo de Jesus Cristo.
Quem deseja que alguém perdido no pecado encontre a Verdade, que é Cristo, e vá para o Céu, fazendo de tudo para ajudá-lo, até derramando, se for preciso, o próprio sangue, possui no coração o verdadeiro amor e a verdadeira caridade. Hoje, vemos esse exemplo de virtude na vida de Padre Roque González e seus companheiros. Que eles, de lá do Céu, intercedam por nós e nos ajudem a permanecermos fiéis em nosso propósito de vida, levando os ignorantes a se converterem e a participarem dos sacramentos da Santa Igreja Católica, a fim de que, um dia, possamos todos triunfar no Céu.




























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