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O Coração manso e humilde por excelência

Muitas são as vezes que soberbamente nos colocamos acima de Deus ou que, por nossas irritações, ferimos os irmãos. Ao ver tais fraquezas, o Senhor nos pede que a Ele nos configuremos cada vez mais: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 11, 25–30)

Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

Meditação. — 1. No Evangelho deste 14.º Domingo do Tempo Comum, Nosso Senhor louva o Pai pelos frutos da missão empreendida pelos Apóstolos. Como Filho encarnado, Ele apresenta ao Pai uma oração de louvor que emana do fundo de sua Alma: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra” (v. 25).

Esta oração reflete o modo de rezar dos judeus, apresentando desde o início um louvor às obras divinas. No original grego (“Ἐξομολογοῦμαί σοι, Πάτερ, Κύριε τοῦ οὐρανοῦ καὶ τῆς γῆς”), essa ideia está presente no verbo “confessar”, que, de acordo com Santo Tomás de Aquino, admite três acepções: professar a fé, reconhecer os pecados e, no caso em questão, louvar as obras de Deus. Com esse hino, Nosso Senhor reconhece que Deus é a fonte das conversões realizadas pelos Apóstolos, e demonstra sua admiração com o modo de Deus operar: “Escondestes estas coisas aos sábios e entendidos e as revelastes aos pequeninos” (v. 25). 

Com efeito, esse ato de fazer-se pequeno é fundamental para conseguir compreender, dentro de nossa limitação humana, a natureza de Deus e seus mistérios. Na vida espiritual, a humildade é uma virtude imprescindível, pois apenas os humildes conseguem progredir na fé. E na Alma humana de Jesus temos o exemplo máximo de humildade a ser seguido, como Ele mesmo afirma: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”.

Infelizmente, o que mais vemos nos dias de hoje são pessoas que, soberbas, se julgam superiores a Deus e acreditam saber melhor do que Ele como o mundo ou as próprias vidas deveriam ser. Os humildes, ao contrário, são capazes de reconhecer que Deus está acima da nossa capacidade de compreensão.

Por isso, nos momentos de dificuldade, quando não compreendemos por que Deus permite uma tribulação em nossas vidas, precisamos inclinar nossa cabeça, num gesto de profunda humildade, e aceitar seus desígnios, pois Ele sabe, na sua bondade e sabedoria infinitas, o que é melhor para nós, por mais que não o entendamos, por causa seja da malícia, seja ignorância que nos cegam. Somente assim cresceremos na fé, pois “Deus resiste aos soberbos e se dá a conhecer aos humildes” (Tg 4, 6).

Na vida cristã, é necessário humilhar-se debaixo da poderosa mão de Deus e, renunciando à soberba adâmica, inclinar-se aos seus bondosos desígnios. Para isso, devemos aprender do próprio Cristo, em cujo Coração se encontra a humildade por excelência.

2. A segunda característica que devemos aprender do Coração de Jesus é a mansidão. Assim como o divino Mestre, precisamos ser humildes diante de Deus e mansos com os homens. Aqui, é importante reconhecer que, além de soberbos e ignorantes em relação a Deus, somos também raivosos e coléricos com nossos irmãos.

Feridos pelo pecado, tendemos à impaciência e à má vontade no convívio com os demais, sobretudo nestes tempos de pandemia, em que as pessoas se vêem forçadas a conviver mais tempo umas com as outras.

Ora, para compreender em que consiste a mansidão, vale a pena recorrer a um exemplo simples, o de um “animal manso”. S. Isidoro de Sevilha, em uma de suas etimologias (nem sempre exatas do ponto de vista filológico, mas muito intuitivas em termos espirituais), nos diz que “manso” é o animal manu assuetus, ou seja, que está acostumado com a mão do dono e por ela se deixa tocar. Sob esse prisma, um coração manso é aquele que não se revolta com as dificuldades, inconveniências e contrariedades do dia-a-dia, pois aprendeu a carregar a cruz pacientemente.

A mansidão é fundamental para o nosso crescimento espiritual, porque nesta vida nem sempre se fará a nossa vontade. Mesmo em família precisamos nos acostumar a ser contrariados. Nesse sentido, o ambiente familiar constitui uma oportunidade natural para forjar o caráter e preparar-se para as adversidades que inevitavelmente surgirão ao longo desta peregrinação terrena.

Se olharmos para a vida de Jesus, perceberemos que Ele viveu em grau máximo a mansidão, desde seus pequenos atos de paciência em Nazaré, passando pelos juízos e incompreensões de seus conterrâneos que não o reconheceram como Messias, até a hora derradeira em que, para nossa salvação, carregou as nossas dores e se ofereceu em sacrifício no madeiro da cruz.

Contudo, por ser tão sobrenatural a mansidão de Cristo, somos tentados a pensar que, apesar de admirável, ela não é imitável. Para não cair nessa tentação, é preciso enfrentar com ânimo decidido e esperançoso as dificuldades cotidianas, ante as quais muitas vezes cairemos, e aprender a recomeçar sempre.

3. Este ensinamento de Cristo sobre as virtudes da humildade e a mansidão está cimentado no mandamento do amor a Deus e ao próximo. Ele não apenas nos pede que amemos a Deus sobre todas as coisas; mostra-nos também o caminho para isso: a humildade e o reconhecimento de nossa pequenez. Ele não se limita a ordenar o amor ao próximo e a nós mesmos; indica-nos também o modo de vivê-lo: pela mansidão, suportando as dores uns dos outros.

Percorramos este caminho, e veremos como o nosso coração ficará iluminado e esclarecido, pois o próprio Verbo encarnado nos diz que “ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”. Configuremo-nos, pois, ao Coração manso e humilde de Cristo, e revelar-se-ão, límpidas e fulgurantes, as realidades que, por nossa malícia e ignorância, nos parecem às vezes nebulosas e confusas. Não desanimemos diante de nossas fraquezas; mas, buscando em Cristo o bálsamo para nossas feridas, corramos ao encontro do Senhor que diz: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso” (v. 30). 

Oração. — Senhor Jesus Cristo, Vós que sois manso e humilde de coração, fazei com que abandonemos a soberba e a impaciência, a fim de que, configurando-nos a Vós, consigamos amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Amém.

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