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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
8, 18-22)

Naquele tempo, vendo uma multidão ao seu redor, Jesus mandou passar para a outra margem do lago. Então um mestre da Lei aproximou-se e disse: "Mestre, eu te seguirei aonde quer que tu vás".

Jesus lhe respondeu: "As raposas têm suas tocas e as aves dos céus têm seus ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça". Um outro dos discípulos disse a Jesus: "Senhor, permite-me que primeiro eu vá sepultar meu pai". Mas Jesus lhe respondeu: "Segue-me, e deixa que os mortos sepultem os seus mortos".

No Evangelho de hoje, Jesus é interpelado por duas personagens que O desejam seguir. A primeira, um escriba, aproxima-se dEle e diz: "Mestre, eu te seguirei aonde quer que tu vás". Cristo, lendo-lhe o íntimo do coração, não o rejeita de pronto; antes, mostra-lhe quais disposições devem ter os seus seguidores: "As raposas têm suas tocas e as aves dos céus têm seus ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça", ou seja: para segui-lO, é preciso estar disposto a não ter sequer como cuidar do corpo; nossa entrega, portanto, deve ser total. A segunda personagem, já pertencente ao grupo dos discípulos, achega-se a Ele para pedir: "Senhor, permite-me que primeiro eu vá sepultar meu pai". Cristo, no entanto, diz-lhe que nenhum cuidado temporal, nem mesmo a piedade paterna, deve desviar aquele que é chamado a pregar o Evangelho. Por isto, diz em seguida: "Segue-me, e deixa que os mortos sepultem os seus mortos"; São Lucas é ainda mais específico: "Deixa que os mortos enterrem seus mortos; tu, porém, vai e anuncia o Reino de Deus" (Lc 9, 60).

Para irmos um pouco além do sentido literal, vejamos a interpretação moral que São Gregório Magno faz desta passagem (cf. Moralia, XIX, 1). Ao responder ao mestre da Lei, Jesus se serve de uma analogia: as raposas têm suas tocas; as aves do céu, seus ninhos; o Filho do Homem, contudo, não tem onde descansar. As raposas, por um lado, são animais astutos: vivem, sorrateiras, em covas ou buracos, não andam com passo reto, preferindo os caminhos tortos e sinuosos; as aves, por outro, sobem até ao alto do céu e olham para quem está cá na terra com ar sobranceiro e emproado. As raposas representam a fraude, o engano; as aves, a soberba, o orgulho. Assim, todos estes vícios encontram maneira de se instalar em nosso coração: ali fazem suas tocas e seus ninhos; Jesus, porém, não podendo achar descanso numa alma soberba, "não tem onde reclinar a cabeça". Esta leitura de São Gregório deve levar-nos a refletir: acaso o meu coração tem sido toca e abrigo de "raposas" e de "aves", de vícios como a mentira, o orgulho, a astúcia etc.? Há em mim lugar para Cristo repousar e vir, com o Pai, fazer a sua morada (cf. Jo 14, 23)?

Coloquemo-nos hoje na presença do Senhor sacramentado e, de alma aberta, peçamos a Ele que nos mostre quais têm sido os nossos apegos, com quais pecados e imperfeições temos sido coniventes, em que pontos podemos lutar com mais empenho. Imploremos também o auxílio de nossa Mãe e Senhora, para que Ela nos ajude a abrir cada vez mais espaço em nosso coração para o seu Filho amado, o único que deve reinar, soberano, em nossa vida: "Regnare Christum volumus! Queremos que Cristo reine" (São Josemaria Escrivá, Forja, n. 639).

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