CNP
Christo Nihil Praeponere"A nada dar mais valor do que a Cristo"
Evangelize compartilhando!
Todos os direitos reservados a padrepauloricardo.org®
Homilia Dominical
9 Nov 2016 - 25:24

O fim dos “nossos” tempos

Talvez não estejamos vivos para ver a segunda vinda de Cristo, mas, no momento de nossa morte, todos nos encontraremos com o Salvador. O fim dos tempos pode até demorar mais um pouco, mas o fim dos "nossos" tempos está cada vez mais próximo, a cada dia que passa. Assista ao Testemunho de Fé deste domingo, venha meditar conosco sobre a morte e comece já a levar esta vida com os olhos voltados para a eternidade!
00:00 / 00:00
Homilia Dominical - 9 Nov 2016 - 25:24

O fim dos “nossos” tempos

Talvez não estejamos vivos para ver a segunda vinda de Cristo, mas, no momento de nossa morte, todos nos encontraremos com o Salvador. O fim dos tempos pode até demorar mais um pouco, mas o fim dos "nossos" tempos está cada vez mais próximo, a cada dia que passa. Assista ao Testemunho de Fé deste domingo, venha meditar conosco sobre a morte e comece já a levar esta vida com os olhos voltados para a eternidade!
Texto do episódio

Texto do episódio

imprimir

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc
21, 5-19)

Naquele tempo, algumas pessoas comentavam a respeito do Templo que era enfeitado com belas pedras e com ofertas votivas. Jesus disse: "Vós admirais estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído". Mas eles perguntaram: "Mestre, quando acontecerá isto? E qual vai ser o sinal de que estas coisas estão para acontecer?"

Jesus respondeu: "Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome, dizendo: 'Sou eu!' e ainda: 'O tempo está próximo'. Não sigais essa gente! Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não fiqueis apavorados. É preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim".

E Jesus continuou: "Um povo se levantará contra outro povo, um país atacará outro país. Haverá grandes terremotos, fomes e pestes em muitos lugares; acontecerão coisas pavorosas e grandes sinais serão vistos no céu. Antes, porém, que estas coisas aconteçam, sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome. Esta será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé. Fazei o firme propósito de não planejar com antecedência a própria defesa; porque eu vos darei palavras tão acertadas, que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater. Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de vós. Todos vos odiarão por causa do meu nome. Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!"

No Evangelho deste domingo, o penúltimo do ano litúrgico, Nosso Senhor faz o seu famoso "sermão escatológico"; fala-nos o Mestre a respeito do fim dos tempos. Também hoje, assim como na época de Cristo, esse tema desperta interesse geral. Todos querem saber, afinal, "quando acontecerá" e "qual vai ser o sinal de que estas coisas estão para acontecer". Os cristãos devem precaver-se, contudo, para não se deixarem levar por um espírito de curiosidade frívola acerca dessa matéria, transformando a sua fé em "futurologia" ou convertendo as próprias Escrituras Sagradas em instrumento para práticas adivinhatórias. Essa definitivamente não é a lição que quer passar-nos Jesus ao tratar o fim dos tempos.

Que pretende ensinar-nos então o Senhor, quando menciona as terríveis coisas que estão por vir?

A primeira chave de leitura dessa passagem é a imitação de Cristo. Os verdadeiros discípulos de Cristo conformarão suas vidas à do Mestre: serão "presos e perseguidos", tal como Ele foi sequestrado e maltratado; serão "entregues às sinagogas e postos na prisão", "levados diante de reis e governadores", tal como Ele mesmo foi julgado pelas autoridades religiosas de seu tempo e "padeceu sob Pôncio Pilatos"; serão "entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos", assim como Ele foi perseguido em Nazaré; alguns chegarão a sofrer a morte, e nisto se assemelharão ainda mais a Jesus, que foi injustamente crucificado. "Todos vos odiarão por causa do meu nome", em suma. Com isso, fica patente que o caminho da Cruz não é exceção, mas a regra. O testemunho da fé, significado na palavra de origem grega "martírio", é a via ordinária por que se salvam os homens, sejam aqueles escolhidos para derramarem por causa de Cristo o seu sangue, sejam aqueles chamados a levarem com heroísmo uma vida consagrada à oração e à penitência.

A segunda chave de interpretação é o que dá sentido a tudo o que nos narra o Senhor neste Evangelho. Mesmo experimentando o sofrimento inerente a esta vida, adverte o Cristo providente, "vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça". Numa interpretação fiel ao texto original, isso quer dizer que nada do que sofrermos será em vão; nada de tudo aquilo por que passarmos ficará sem a sua recompensa. Assim se consumará, então, o nosso processo de configuração a Cristo: morrendo com Ele, também com Ele viveremos (cf. Rm 6, 8). "É permanecendo firmes", conclui Jesus, inspirando-nos confiança, "que ireis ganhar a vida!"

Como se dará isso, porém? Qual o segredo para permanecermos firmes e ganharmos, no termo desta vida, a recompensa eterna?

A resposta está na oração. "Ó Deus, sois o amparo dos que em vós esperam e, sem vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo", diz uma prece litúrgica. A verdade de nossa condição é que somos fracos e pecadores; para sermos fortes e santos, precisamos comportar-nos realmente como "mendigos da graça de Deus". É Ele quem nos concederá, a cada dia, o "pão nosso" para sustento de nosso organismo espiritual, tornando-nos capazes de oferecer o amor que lhe é devido. Não seremos santos — e até mesmo a nossa salvação corre grande risco —, se não rezarmos, e não rezarmos muito.

Muitas vezes, porém, o que nos falta para tomarmos de assalto a vida espiritual é justamente o "choque de realidade" de sabermos que esta existência é breve, que a morte chega para todos e que nos espera, do outro lado, uma eternidade ou de glória ou de tormentos. Falta-nos a meditação sobre as "últimas coisas" — os Novíssimos, sobre os quais tanto insistiram os santos.

Para corrermos atrás do prejuízo, todavia, nem é preciso que tomemos em mãos uma "Preparação para a morte", de Santo Afonso de Ligório, ou uma "A arte de morrer bem", de São Roberto Belarmino — ainda que sejam obras muitíssimo recomendáveis. Basta, para tanto, que pensemos um pouco nos infortúnios que subitamente advêm a tantos de nossos irmãos, ou nas mortes trágicas que com tanta frequência vemos relatadas em nossos jornais e noticiários televisivos. Deus não nos fala só por palavras, mas também por acontecimentos: a todo momento Ele está a ensinar-nos que este mundo passa e que só no Céu, de fato, encontraremos nossa morada definitiva.

Ao cabo deste ano litúrgico, tenhamos em mente duas sugestivas imagens. Primeiro, a do caixão: para muitos de nós, será ele o marco de nosso fim, o fim dos nossos tempos. Segundo, a da mulher grávida, com a qual Nosso Senhor comparou certa vez a situação de quem morre na graça: "A mulher, quando vai dar à luz, fica angustiada, porque chegou a sua hora. Mas depois que a criança nasceu, já não se lembra mais das dores, na alegria de um ser humano ter vindo ao mundo. Também vós agora sentis tristeza. Mas eu vos verei novamente, e o vosso coração se alegrará, e ninguém poderá tirar a vossa alegria. Naquele dia, não me perguntareis mais nada" (Jo 16, 21-23). Assim seja! Amém!

Download do Material
Texto do episódioDownload do áudio e textoComentários dos alunos

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.