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Homilia Dominical
20 Ago 2014 - 25:57

O preço da fé em Cristo

Assumir a profissão de fé de Pedro significa estar disposto a “pagar o preço” por ser cristão. Este preço não é nada menos do que a Cruz.
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Homilia Dominical - 20 Ago 2014 - 25:57

O preço da fé em Cristo

Assumir a profissão de fé de Pedro significa estar disposto a “pagar o preço” por ser cristão. Este preço não é nada menos do que a Cruz.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo Mateus
(Mt 16, 13-20)

À pergunta de Cristo sobre quem dizem os homens ser o Filho do Homem, São Pedro responde, com coragem: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. A expressão “Filho do Deus vivo”, segundo alguns exegetas, seria fora de mão. É esse o mesmo Pedro que é chamado de “pedra de tropeço” mais adiante [1]? O mesmo apóstolo que quer fazer três tendas, durante a Transfiguração de Cristo, no monte Tabor [2]? O mesmo que nega Jesus três vezes em Sua Paixão [3]? Sim, é o mesmo Pedro, mas, ao contrário dessas ocasiões em que mostra sua pouca fé e suas imperfeições, agora, “não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu”. Realmente, o apóstolo não era capaz de fazer a profissão de fé que acabara de fazer. Por isso, Cristo diz que foi Deus a inspirá-lo.

Se é verdade que a fé de Pedro é a pedra em que a Igreja foi edificada, também é verdade que a transmissão do poder de Cristo ao apóstolo ainda é expressa no futuro: “...sobre esta pedra construirei a minha Igreja”; “Eu te darei as chaves do Reino...”. Esses fatos só acontecerão mesmo após a Ressurreição, quando Cristo pede que ele apascente as Suas ovelhas [4].

O trecho do Evangelho deste Domingo com certeza aconteceu, e antes da Ressurreição. Em primeiro lugar, não se pode desconsiderar a historicidade dos Evangelhos. Depois, São Mateus é muito honesto em seu livro, não pretendendo divinizar a figura de São Pedro, mas mostrando também narrativas que o desabonam. Além disso, esse trecho do Evangelho apresenta traços da língua falada por Nosso Senhor, o aramaico, fato que conta não só para confirmar a solidez da tradição desse acontecimento, como para respaldar a interpretação católica de que a pedra aludida por Cristo é realmente Pedro – afinal, como se sabe, a única palavra aramaica para “pedra” é cefas.

Mas a pedra sobre a qual Cristo edifica a Sua Igreja é Pedro não enquanto pessoa privada, senão enquanto primeiro crente, em referência à sua fé na divindade de Cristo, fé que é confirmada ao longo dos séculos por seus sucessores no trono de Roma. Por isso é sempre possível aos católicos amarem o Papa, ainda que nem todos tenham sido santos ou virtuosos: a fé no Romano Pontífice, mais que a reverência a uma pessoa, é a confiança numa instituição divina, o papado.

Pedro, por exemplo, embora tivesse sido iluminado em sua resposta, ainda era muito fraco na fé, não estando disposto a pagar o preço por crer na divindade de Cristo. E que preço é este? A Cruz. A mesma confissão de São Pedro aparece, em forma de pergunta, na passagem de Nosso Senhor diante do sinédrio: “O sumo sacerdote disse-lhe: ‘Eu te conjuro, pelo Deus vivo, dize-nos se tu és o Cristo, o Filho de Deus’” [5]. Ao responder afirmativamente, Jesus se expõe a cusparadas, bofetões e zombarias. Mesmo assim, dá testemunho da verdade e não nega a Sua divindade.

Em nossa sociedade, muitos aceitam Jesus como um “iluminado” ou um “grande líder espiritual”, mas poucos se mostram dispostos a crer que Ele é Deus feito homem e menos ainda estão prontos para pagar o preço por essa fé. Mais tarde, São Pedro, imitando Jesus, enfrentou as consequências daquilo em que cria, sendo também crucificado. E nós? Como lidamos com essa realidade?

Hoje, no Oriente Médio, os cristãos estão sendo duramente perseguidos pelo califado islâmico que se tem imposto nas regiões do Iraque e da Síria. Os muçulmanos, que, assim como muitos de nossos contemporâneos, veem em Jesus apenas um profeta, têm tentado impor sua religião a todos os habitantes dos territórios que conquistam. Para permanecerem fiéis a Cristo, exigem dos cristãos o pagamento de um imposto, o êxodo ou a morte pelo fio da espada. Tragicamente, enquanto chega a milhares o número de cristãos desabrigados no Médio Oriente, o mundo inteiro permanece de braços cruzados, como se nada acontecesse.

Não nos devemos surpreender com as perseguições. Se Cristo promete que “portae inferi non praevalebunt – as portas do inferno não prevalecerão” contra a Igreja, é porque certamente as potências infernais se desencadeariam contra ela. As palavras de Nosso Senhor, no entanto, são claras: non praevalebunt – não prevalecerão!

Rezemos para que tenhamos coragem e força de professar a nossa fé. Oremos particularmente por nossos irmãos perseguidos no Oriente Médio, para que não cedam às facilidades de trair Jesus e abandonar a própria fé.

Para realizar uma ação mais concreta a fim de ajudar os cristãos que sofrem no Iraque, basta acessar o site da CNEWA (Catholic Near East Welfare Association) e realizar uma doação.

Referências

  1. Mt 16, 23
  2. Cf. Mt 17, 4
  3. Cf. Mt 26, 69-75
  4. Cf. Jo 21, 15-19
  5. Mt 26, 63
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