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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc
6, 6-11)

Aconteceu num dia de sábado que Jesus entrou na sinagoga, e começou a ensinar. Aí havia um homem cuja mão direita era seca. Os mestres da Lei e os fariseus o observavam, para ver se Jesus iria curá-lo em dia de sábado, e assim encontrarem motivo para acusá-lo. Jesus, porém, conhecendo seus pensamentos, disse ao homem da mão seca: "Levanta-te, e fica aqui no meio". Ele se levantou, e ficou de pé. Disse-lhes Jesus: "Eu vos pergunto: O que é permitido fazer no sábado: o bem ou o mal, salvar uma vida ou deixar que se perca?"

Então Jesus olhou para todos os que estavam ao seu redor, e disse ao homem: "Estende a tua mão". O homem assim o fez e sua mão ficou curada. Eles ficaram com muita raiva, e começaram a discutir entre si sobre o que poderiam fazer contra Jesus.

A perícope que o Evangelho desta segunda-feira nos propõe é bastante reveladora. Além de nos recordar que as ações de Nosso Senhor, longe de se reduzirem à sua mera factualidade histórica, contêm um ensinamento espiritual dirigido às almas de todos os tempos e lugares, o episódio do homem de mão ressequida nos desperta para o fato de haver em todos nós uma profunda e radical impotência para fazer o bem. Foi que a Igreja nos ensinou ao condenar, no século V d.C., a heresia pelagiana. Contemporâneo de Santo Agostinho e espírito de dura ascese, um monge de nome Pelágio ousou ensinar que o ser humano, sendo por si só capaz de alcançar a eterna salvação, tem em Cristo apenas um modelo de como agir bem: para Pelágio, com efeito, Jesus seria tão-somente o caminho a seguir, mas não a vida que nos permite trilhá-lo. No entanto, é de fé ortodoxa que, depois da Queda, o homem tornou-se radicalmente incapaz de fazer o bem como convém à consecução da vida eterna, razão por que lhe é absolutamente necessário o auxílio da graça divina, representado na cura que hoje vimos Cristo operar: "Estende a tua mão", disse Ele. "O homem assim o fez e sua mão ficou curada", isto é, tornou-se hábil de novo para fazer o que lhe compete.

Ao realizar este prodígio em dia de sábado, o Senhor também nos ensina que, se não tivermos vida de oração — de verdadeira intimidade com Deus —, não receberemos dEle as graças de que tanto precisamos para amá-lO e servi-lO. Temos, pois, de rogar ao nosso amado Pai celeste, com súplicas incessantes, que se digne derramar sobre nossos pobres corações a graça de O podermos amar como Ele é digno de ser amado, de O podemos servir como Ele quer ser servido, de O podermos adorar como Ele tem direito de ser adorado, porque, sem Ele, nada podemos fazer (cf. Jo 15, 5).

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