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Homilia Dominical
23 Set 2015 - 26:22

Os três inimigos da fé

No esforço para crescer de fé em fé, são muitas as batalhas a enfrentar e os obstáculos a superar. Nesta pregação, Padre Paulo Ricardo apresenta os três inimigos da nossa vida interior e convida todos os católicos a uma guerra espiritual, guerra na qual está em jogo a salvação da nossa própria alma. “É melhor entrar no Reino de Deus com um olho só, do que, tendo os dois, ser jogado no inferno”.
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Homilia Dominical - 23 Set 2015 - 26:22

Os três inimigos da fé

No esforço para crescer de fé em fé, são muitas as batalhas a enfrentar e os obstáculos a superar. Nesta pregação, Padre Paulo Ricardo apresenta os três inimigos da nossa vida interior e convida todos os católicos a uma guerra espiritual, guerra na qual está em jogo a salvação da nossa própria alma. “É melhor entrar no Reino de Deus com um olho só, do que, tendo os dois, ser jogado no inferno”.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos 
(Mc 9,38-43.45.47-48)

Naquele tempo, João disse a Jesus: "Mestre, vimos um homem expulsar demônios em teu nome. Mas nós o proibimos, porque ele não nos segue". Jesus disse: "Não o proibais, pois ninguém faz milagres em meu nome para depois falar mal de mim. Quem não é contra nós é a nosso favor. Em verdade eu vos digo: quem vos der a beber um copo de água, porque sois de Cristo, não ficará sem receber a sua recompensa. E, se alguém escandalizar um destes pequeninos que creem, melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço. Se tua mão te leva a pecar, corta-a! É melhor entrar na Vida sem uma das mãos, do que, tendo as duas, ir para o inferno, para o fogo que nunca se apaga. Se teu pé te leva a pecar, corta-o! É melhor entrar na Vida sem um dos pés, do que, tendo os dois, ser jogado no inferno. Se teu olho te leva a pecar, arranca-o! É melhor entrar no Reino de Deus com um olho só, do que, tendo os dois, ser jogado no inferno, 'onde o verme deles não morre, e o fogo não se apaga'".

*
Por trás da aparente "colcha de retalhos" que é o Evangelho deste domingo, é possível descobrir uma unidade, se se tomam por chave de leitura os "três inimigos da fé", também chamados de "três inimigos da alma". São eles:

  • O demônio. O Evangelho começa com João que se aproxima de Jesus e diz: "Mestre, vimos um homem expulsar demônios em teu nome. Mas nós o proibimos, porque ele não nos segue" (v. 38), ao que responde Nosso Senhor: "Não o proibais, pois ninguém faz milagres em meu nome para depois falar mal de mim. Quem não é contra nós é a nosso favor" (v. 39-40). Com isso, Cristo indica o primeiro adversário a debelar: "Não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares" (Ef 6, 12).
  • O mundo. "Se alguém escandalizar um destes pequeninos que creem, melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço" (v. 42), prossegue o Evangelho. Não são apenas os demônios que tentam: más companhias, más leituras e maus lugares também podem ser causa de escândalo, i.e., ocasião de pecado. Com esse inimigo sofre especialmente aquela porção de "pequeninos que creem" e que estão ainda no início da vida interior, os quais precisam ser tratados com delicadeza e com mais razão afastados do mundo. Essa afirmação de Jesus também lembra que existem graus na virtude da fé e que, portanto, importa crescer "ex fide in fidem – de fé em fé" (Rm 1, 17), repetindo ao Senhor o pedido que Lhe fizeram os discípulos: "Aumenta-nos a fé" (Lc 17, 5).
  • A carne. "Se tua mão te leva a pecar, corta-a!" (v. 43); "Se teu pé te leva a pecar, corta-o!" (v. 45); "Se teu olho te leva a pecar, arranca-o!" (v. 47). Por essas advertências, Nosso Senhor alerta contra o maior inimigo da fé, que somos nós mesmos. Para essa luta, a arma por Ele dispensada é a mortificação, sobretudo contra o pecado da soberba, que nos faz pretensiosamente prescindir da graça de Deus e confiar orgulhosamente em nossas próprias forças. Contra essa postura, escreve o Autor Sagrado que "Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes" (Pr 3, 34; Tg 4, 6; 1 Pd 5, 5). É preciso, pois, aproximar-se de Cristo como as crianças se acercam de seus pais. Estas nem sempre entendem o que é melhor para si, mas se entregam aos cuidados paternos, pois confiam na bondade de seus progenitores. Do mesmo modo, nem sempre entenderemos plenamente o projeto de Deus, mas isso não deve impedir-nos de entregarmo-nos confiantemente em Suas mãos bondosas e providentes.

Ao ordenar que se cortem as mãos e os pés e se arranquem fora os próprios olhos, se eles conduzem ao pecado, os últimos versículos do Evangelho desse domingo podem parecer-nos extremamente radicais e exagerados. Afinal, por que tudo isso?

Porque o que está em jogo aqui é um duelo de vida e de morte: ou mortificamos a própria carne e entramos "na Vida"; ou nos apegamos ciosamente a nós mesmos (cf. Fl 2, 6) e vamos "para o inferno", "onde o verme deles não morre e o fogo não se apaga" (v. 48). Para quem não crê na vida eterna – e na perdição eterna –, as palavras severas de Nosso Senhor permanecerão incompreensíveis, constituirão sempre um enigma indecifrável. Para quem se abre à verdade do Evangelho, porém, para aquele que crê, descortina-se diante de seus olhos, já nesta vida, um mundo magnífico e completamente novo: seu nome é Reino de Deus, e lá deve estar o nosso tesouro.

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