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Parresía
24 Nov 2010 - 40:41

Papa e os preservativos

Em seu novo livro-entrevista "A Luz do Mundo" as afirmações do Papa a respeito dos preservativos se tornaram manchete nos jornais do mundo inteiro. As declarações do Papa, no entanto, em nada alteraram o ensinamento tradicional da Igreja.
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Parresía - 24 Nov 2010 - 40:41

Papa e os preservativos

Em seu novo livro-entrevista "A Luz do Mundo" as afirmações do Papa a respeito dos preservativos se tornaram manchete nos jornais do mundo inteiro. As declarações do Papa, no entanto, em nada alteraram o ensinamento tradicional da Igreja.
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Trecho do livro "A Luz do Mundo"

Na África, Vossa Santidade afirmou que a doutrina tradicional da Igreja tinha se mostrado como o caminho mais seguro para conter a proliferação da AIDS. Os críticos, provenientes também da Igreja, dizem, pelo contrário, que é uma loucura proibir a utilização de preservativos a uma população ameaçada pela AIDS.
Em termos jornalísticos, a viagem à África foi totalmente ofuscada por uma única frase. Perguntaram-me porque é que, no âmbito da AIDS, a Igreja Católica assume uma posição irrealista e sem efeito – uma pergunta que considerei realmente uma provocação, porque na verdade a Igreja faz mais do que todos os outros. E mantenho o que eu disse. A Igreja faz mais porque é a única instituição que está muito próxima e muito concretamente junto das pessoas, agindo preventivamente, educando, ajudando, aconselhando, acompanhando. Faz mais porque trata como mais ninguém tantos doentes com AIDS e, em especial, crianças doentes com AIDS. Pude visitar uma dessas unidades hospitalares e falar com os doentes.
Essa foi a verdadeira resposta: a Igreja faz mais do que os outros porque não se limita a falar da tribuna que é o jornal, mas ajuda as irmãs e os irmãos na vida concreta. Não tinha, nesse contexto, dado a minha opinião em geral quanto à questão dos preservativos, mas apenas dito – e foi isso que provocou um grande escândalo – que não se pode resolver o problema com a distribuição de preservativos. É preciso fazer muito mais. Temos de estar próximos das pessoas, orientá-las, ajudá-las; e isso quer antes, quer depois de uma doença.
Efetivamente, acontece que, onde quer que alguém queira obter preservativos, eles existem. Só que isso, por si só, não resolve o assunto. Tem de se fazer mais. Desenvolveu-se entretanto, precisamente no domínio secular, a chamada teoria ABC, que defende "Abstinence – Be faithful – Condom" ("Abstinência – Fidelidade – Preservativo"), sendo que o preservativo só deve ser entendido como uma alternativa quando os outros dois não acontecerem.
Ou seja, a mera fixação no preservativo significa uma banalização da sexualidade, e é precisamente esse o motivo perigoso pelo qual tantas pessoas já não encontram na sexualidade a expressão do seu amor, mas antes e apenas uma espécie de droga que administram a si próprias. É por isso que o combate contra a banalização da sexualidade também faz parte da luta para que ela seja valorizada positivamente e o seu efeito positivo se possa desenvolver no todo do ser pessoa.
Eu diria que, se um prostituto usa um preservativo, isto pode ser uma primeira atitude para uma moralização, um primeiro passo de responsabilidade, para voltar a desenvolver uma consciência de que nem tudo é permitido e que não se pode fazer tudo o que se quer. Não é, contudo, a forma apropriada para lidar com este mal. Essa tem, realmente, de residir na humanização da sexualidade.
Quer isso dizer que, em princípio, a Igreja Católica não é contra a utilização de preservativos?
É evidente que ela não a considera uma solução verdadeira e moral. Num ou noutro caso, embora seja utilizado para diminuir o risco de contágio, o preservativo pode ser um primeiro passo na direção de uma sexualidade vivida de outro modo, mais humana.

Texto Original

Die bloße Fixierung auf das Kondom bedeutet eine Banalisierung der Sexualität, und die ist ja gerade die gefährliche Quelle dafür, dass die Menschen in der Sexualität nicht mehr den Ausdruck ihrer Liebe finden, sondern nur noch eine Art von Droge, die sie sich selbst verabreichen. Deshalb ist auch der Kampf gegen die Banalisierung der Sexualität ein Teil des Ringens darum, dass Sexualität positiv gewertet wird und ihre positive Wirkung im Ganzen des Menschseins entfalten kann.
Ich würde sagen, wenn ein Prostituierter ein Kondom verwendet, kann das ein erster Akt zu einer Moralisierung sein, ein erstes Stück Verantwortung, um wieder ein Bewusstsein dafür zu entwickeln, dass nicht alles gestattet ist und man nicht alles tun kann, was man will. Aber es ist nicht die eigentliche Art, dem Übel beizukommen. Diese muss wirklich in der Vermenschlichung der Sexualität liegen.
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