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Conheça os sacramentos da Igreja com o Padre Paulo Ricardo

Texto do episódio
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 23,1-12)

Naquele tempo, Jesus falou às multidões e aos seus discípulos e lhes disse: “Os mestres da Lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a Lei de Moisés. Por isso, deveis fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam. Amarram pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo. Fazem todas as suas ações só para serem vistos pelos outros. Eles usam faixas largas, com trechos da Escritura, na testa e nos braços, e põem na roupa longas franjas. Gostam de lugar de honra nos banquetes e dos primeiros lugares nas sinagogas. Gostam de ser cumprimentados nas praças públicas e de serem chamados de Mestre. Quanto a vós, nunca vos deixeis chamar de Mestre, pois um só é vosso Mestre e todos vós sois irmãos. Na terra, não chameis a ninguém de pai, pois um só é vosso Pai, aquele que está nos céus. Não deixeis que vos chamem de guias, pois um só é vosso Guia, Cristo. Pelo contrário, o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve. Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado”.

No Evangelho de hoje, Jesus descreve de forma bastante evidente a atitude dos fariseus por meio de um pecado espiritual: o pecado da soberba e da vaidade.

O Evangelho tem basicamente duas partes. Na primeira parte, Jesus fala da atitude dos fariseus, que amarram fardos pesados, mas não fazem o que obrigam os outros a fazer. Eles não seguem o que é sua própria indicação. Mas por que agem assim? Simplesmente porque gostam? São sádicos e querem ver os outros sofrer? Não. A razão é que, ao se mostrarem rígidos, moralistas e exigentes, transmitem uma ideia de santidade: “Vejam como essa pessoa é santa”, já que ela exige de mim a santidade que ela supostamente vive. Mas Jesus os desmascara e diz: “Não vivem coisa nenhuma”.

Na segunda parte do Evangelho, Jesus mostra a atitude dos que gostam de ser saudados em público e de ter os lugares de honra, gostam de grandes títulos, como os títulos de guia, de mestre ou de pai. Por que tudo isso? Porque são honrarias.

Quais são, pois, os pecados por trás das atitudes farisaicas? São os pecados espirituais da soberba e da vaidade. É importante recordar que esses pecados são gravíssimos, principalmente a soberba, porque são pecados do próprio Satanás.

As pessoas às vezes ficam preocupadíssimas com certos pecados, como a luxúria, a gula, a bebedeira, a avareza — de fato, são pecados graves —, mas esses pecados, apesar de graves, são aqueles de que as pessoas se convertem mais facilmente.

Por quê? Porque são pecados vergonhosos. Quando uma pessoa se entrega à luxúria, ela se envergonha do que está fazendo com muita facilidade. Pois bem, o que faz uma pessoa não se converter nem mudar de vida são os pecados espirituais que têm aparência de virtude. Trata-se exatamente da soberba e da vaidade, pelos quais a pessoa se coloca no lugar de Deus. Como Lúcifer se colocou ao tentar nossos primeiros pais, dizendo: “Sereis como deuses”; também nós tomamos o lugar de Deus.

Ora, ao tomarmos o lugar de Deus, queremos nos tornar legisladores, promulgando leis que valem para os outros, mas não para nós. Ao tomar o lugar de Deus, queremos a glória que pertence a Ele, e assim realmente perdemos o rumo. Por quê? Porque quem, sob a aparência de virtude, não tem do que se envergonhar, parece ser uma pessoa boa.

É importante notar isso. Não basta fazer as coisas certas, é necessário fazer as coisas certas pela razão certa. Quem faz a coisa certa pela razão errada não tem virtude alguma.

Quem chamaria de virtuoso o criminoso que, para roubar ou matar, se submete a treinamentos e asceses, sem comer nem dormir, e com coragem e paciência faz todo tipo de sacrifícios, a fim de se preparar para um grande roubo ou um grande assassinato? Ele fez coisas “boas” — jejum, penitência, treinamento, ascese, perseverança, paciência —, mas pela razão errada; a razão é o roubo, a razão é o assassinato.

Pois bem, ir à igreja, rezar, fazer jejum, viver a Quaresma, tudo isso é muito bom, são coisas boas e virtuosas; comungar todos os dias, rezar de joelhos, ter realmente vida ascética, tudo isso é muito bom, mas se não for pela razão verdadeira, que é amar a Deus e humilhar-se de coração na presença dele, o que fazemos são coisas boas pela razão errada. Estamos pecando ao errar de alvo, porque talvez haja dentro de nós uma grande soberba e uma grande vaidade, como a de Satanás. Sim, precisamos nos converter!

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