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Christo Nihil Præponere"A nada dar mais valor do que a Cristo"
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Por que cremos no que não vemos?

Por que crer em Deus, se não é possível vê-lO? Qual o sentido, perguntam os descrentes, de acreditar em algo invisível? Nesta pregação, respondendo à dúvida singela de uma criança, Padre Paulo Ricardo expõe a farsa de muitos adultos que, acreditando tão somente no que lhes transmitem os sentidos, acabam reduzidos, sem se dare...

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Uma vez, uma menina na idade escolar, perguntou a um padre:

— Padre, o que eu devo responder às minhas amigas na escola quando elas me perguntam por que eu acredito em Deus? Elas ficam me questionando por que eu devo crer numa coisa que eu não vejo. A gente não vê Deus! Por que isso?

O sacerdote, ouvindo-a atenciosamente, respondeu com prontidão:

— Minha filha, a resposta é muito simples: tudo o que realmente importa é invisível! As coisas visíveis são todas irrelevantes. Por exemplo, o seu cachorro é capaz de ver a comida e a bebida que você dá para ele, é capaz de sentir o carinho que você faz na barriguinha dele, mas, se um dia você der sua vida e morrer pelo seu cachorro, num ato heróico de amor, ele nunca “terá notícia” do seu heroísmo. Isso acontece porque ele é capaz de receber carinho, e isso é coisa do cérebro, ele é capaz de receber comida, de se alegrar e de abanar o rabinho quando você chega em casa, e tudo isso também são coisas do cérebro; mas ele não é capaz de conhecer a verdade do amor, porque isso é coisa da alma.

De fato, todas as coisas que realmente importam são invisíveis. 

No pasto, nenhuma vaca fica se perguntando qual é o sentido da vida. Os bezerros jamais ficam agitados, se perguntando: “Meu Deus, e se eu não me realizar? O que eu vou ser quando crescer? Qual vestibular vou fazer? Qual profissão vou trilhar? Será que eu vou me casar, ter uma família? Terei filhos ou não”. 

Todas essas coisas são invisíveis porque se referem ao sentido da vida.

A vaca vê o pasto, mas não vê o drama de que é possível ser feliz ou não, porque isso é próprio da alma. Absolutamente todas as coisas que realmente importam são invisíveis.

A moça que ganha de seu namorado uma caixa de bombons recebe algo bem visível, certo? Mas isso não importa, porque é possível que ela receba exatamente a mesma caixa de bombons do funcionário da loja que a atendeu no balcão. O que importa é quando aquela caixa de bombons significa algo invisível: o amor.

Por que devemos crer em algo invisível?

Por que crer em Deus, se não o vemos? Por uma razão muito simples: se continuamos crendo apenas naquilo que vemos, não seremos nada além de “vacas e cachorros”. Como um animal, teremos acesso somente às coisas visíveis, irrelevantes e ridículas. Mas o que importa não é visível. O amor daquele namorado, se existe, não está na caixa de bombons e não está sequer nos hormônios ou no cérebro dele. Afinal, as vacas e os cachorros também têm cérebro, também têm hormônios e atração sexual, mas não são capazes de amar, de se sacrificar, de derramar seu sangue pelo bem de um terceiro.

Nosso Senhor Jesus Cristo, no Evangelho, diz assim: “Quando eu for elevado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12, 32). Mostre, porém, a cruz para uma vaca e ela não se sentirá atraída. Mostre um homem realmente crucificado (perdão pela crueza) para um cachorro ou um abutre, e tudo o que eles sentirão será água na boca, porque o sangue derramado, para eles, é suculento e lhes faz querer se alimentar.

Tudo isso é do cérebro, mas somente uma alma pode ver algo mais profundo por trás daquele espetáculo horrível que é a Cruz. Somente uma alma pode enxergar, por trás da aparência repugnante de um ser humano crucificado, o gesto infinito de amor de Deus que se fez homem e morreu por nós. 

“Quando eu for elevado, atrairei todos a mim”. Mas Ele não atrairá nem vacas, nem cachorros, nem abutres ou passarinhos — Ele atrairá aqueles que são capazes de ver por trás das aparências visíveis o amor invisível.

Por que devemos crer em algo que não vemos? Porque, se o que realmente importa na vida é invisível, quando alguém crê somente no que vê, não crê em nada consistente, porque está reduzido ao mundo animal, torna-se um “bicho”, ainda que não se dê conta disso.

Infelizmente, nossas escolas e universidades educam nossos filhos para serem animaizinhos. Educam a nossa sociedade para crermos somente naquilo que vemos, apalpamos e sentimos. Ensinam cérebros, mas não conseguem educar almas, porque já não acreditam mais no que realmente importa. É por isso que essa “geração má e perversa” não consegue fazer outra coisa senão buscar consolação no seu próprio cérebro, seja pelas drogas ilícitas (como maconha e cocaína), procurando sabe-se lá que consolações cerebrais — ou então em drogas lícitas, fazendo fila nas salas de espera dos consultórios de psiquiatria para ver se conseguem algo para acalmar o cérebro; porque, afinal, uma vida tão sem sentido só pode ser apaziguada quando se coloca o cérebro “para dormir”.

Nós não somos animais, nós temos uma alma! Não somos somente animais, nós temos, além do cérebro, algo que os animais não têm. E por isso somos capazes de ver o invisível, somos capazes de ver o que realmente importa. O que realmente importa nesta vida é se somos amados e se amamos.

Ao olharmos para a Cruz de Cristo, para esse amor infinito que nos amou e se entregou por nós, nós enxergamos o invisível, se formos capazes de penetrar as aparências e buscar o verdadeiro significado da vida. Vacas e cachorros não buscam o sentido da vida. Essa busca é exclusiva de quem tem alma e não endureceu o próprio coração.

Busquemos a Deus! Ele quer nos atrair: “Quando eu for elevado, atrairei todos os homens e mulheres de boa vontade pelo meu amor”.

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