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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
10, 1-7)

Naquele tempo, Jesus chamou os doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos maus e de curar todo tipo de doença e enfermidade. Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, que foi o traidor de Jesus. Jesus enviou estes Doze, com as seguintes recomendações: "Não deveis ir aonde moram os pagãos, nem entrar nas cidades dos samaritanos! Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! Em vosso caminho, anunciai: 'O Reino dos Céus está próximo'".

Hoje, Jesus escolhe os doze Apóstolos sobre os quais irá fundar a sua Igreja. Ao narrar essa passagem, São Lucas faz questão de salientar que, antes de os escolher, o Senhor "retirou-se a uma montanha para rezar" (Lc 6, 12). Tendo ali passado toda a noite orando a Deus, Cristo cumpriu com perfeição aquilo que Ele mesmo nos havia pedido e ordenado no Evangelho de ontem: "Pedi, pois, ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita" (Mt 9, 38). Escondido aos olhares do mundo, o Senhor pôs no coração do Pai todos aqueles que, segundo os seus eternos desígnios, estão predestinados a assumir o sagrado ministério de pregar a Palavra e dispensar os Santos Mistérios confiados à Igreja. "Ao amanhecer, chamou os seus discípulos e escolheu doze dentre eles que chamou de apóstolos" (Lc 6, 13); dentre os muitos que O seguiam, apenas alguns foram elevados à dignidade de serem enviados especialmente em seu nome: "Quem vos recebe", diz-lhes, "a mim recebe" (Mt 10, 40).

Há, porém, uma presença que nos costuma inquietar: "Judas Iscariotes, aquele que foi o traidor" (Lc 11, 16), está ali, eleito como os demais. O que pensar desta escolha? Por que Cristo chamou a tão alto apostolado justamente aquele que O havia de entregar aos seus verdugos? Ora, por sua infinita caridade, Jesus escolhe Judas para ensinar-nos, antes de tudo, que o estado em que vivemos — seja como leigos, seja como Bispos, padres ou religiosos — não manifesta necessariamente o nosso grau de amor e santidade. Ser apóstolo não garante, por si só, a pureza dos costumes, a integridade da fé, a generosidade no serviço etc. A eleição de Judas também nos deve recordar de que, malgrado nem todos os sacerdotes do Altíssimo vivam fielmente a sua vocação, há um Senhor a governar providencialmente a sua Igreja, o mundo e todo curso da história humana. Nada escapa ao seu poder e ao seu olhar justíssimo, que sabe separar o joio do trigo.

Perseveremos hoje em nossas preces pelas vocações. Peçamos a Deus que aumente nossa fé e o nosso abandono à sua sapientíssima Providência, que tudo ordena para o bem daqueles que, com coração sincero, buscam agradá-lO e servi-lO, conforme o estado de vida que foram chamados a abraçar. Ao concluirmos nossa oração de hoje, peçamos também à Virgem Santíssima, Mãe da Igreja, que vele continuamente por aqueles que Cristo chamou ao sacerdócio.

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