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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 8, 1-4)

Tendo Jesus descido do monte, numerosas multidões o seguiam. Eis que um leproso se aproximou e se ajoelhou diante dele, dizendo: “Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar”. Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero, fica limpo”. No mesmo instante, o homem ficou curado da lepra. Então Jesus lhe disse: “Olha, não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote, e faze a oferta que Moisés ordenou, para servir de testemunho para eles”.

1. Circunstâncias. a) De tempo. Mateus narra este milagre logo após o Sermão da Montanha: “Tendo Jesus descido do monte, numerosas multidões o seguiam. Eis que um leproso se aproximou” etc. No entanto, três razões tornam improvável que o milagre tenha ocorrido a esta altura: α) por um lado, o próprio evangelista S. Mateus, como sabemos, ordena o seu relato segundo a disposição lógica, e não cronológica, dos fatos; β) por outro lado, se o episódio tivesse ocorrido logo após o Sermão da Montanha, Jesus teria realizado o milagre diante da turba que o seguia: “Numerosas multidões o seguiam”, o que é negado expressamente no v. 4: “Olha, não digas nada a ninguém”; γ) por último, os evangelistas Marcos e Lucas, mais fiéis à ordem cronológica dos fatos, narram o acontecido logo no início da pregação pública, e o próprio S. Marcos o situa entre as primeiras curas e exorcismos de Cristo (cf. Mc 1, passim). — b) De lugar. Lemos em S. Lucas: “Estando Ele numa cidade” (Lc 5, 12). Não sabemos com certeza de que cidade se trata; é certo, não obstante, que de Mc 2, 1 não se pode inferir que seja Cafarnaum, pois Marcos mesmo o nega (cf. 1, 45) ao dizer que, realizado o milagre, o Senhor já não podia mais “entrar publicamente em uma cidade” (εἰς πόλιν): se, com efeito, se tratasse de Cafarnaum, o evangelista teria escrito “na cidade” (εἰς τὴν πόλιν), isto é, onde Ele habitava.

2. Exposição. — V. 2. “Eis que um leproso se aproximou” de Jesus “e se ajoelhou diante dele” (em Marcos, “suplicando-lhe de joelhos”; em Lucas, “lançou-se com o rosto por terra e lhe suplicou”), dizendo: “Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar”. O leproso, evidentemente, tinha Jesus em alta conta e lhe atribuía, com fé, algum poder divino para curar qualquer doença; é incerto, contudo, se cria nele como Messias e Filho de Deus. — V. 3. Jesus compadeceu-se dele (cf. Mc 1, 41), pois é provável que o homem, cheio de lepra (cf. Lc 5, 12), fosse de aspecto deplorável, e, estendendo a mão, “tocou nele”, a fim de mostrar que estava acima da Lei e manifestar a virtude de sua natureza humana, que, ao invés de contaminar-se com o contato de um contagiado, podia com o seu próprio toque purificar-nos de qualquer contágio, “e disse: ‘Eu quero, fica limpo’”. Nos milagres, como nos sacramentos, a um sinal externo associa Cristo sua própria palavra, para que da união de ambos se produza o efeito desejado: “Accedit verbum ad elementum, et fit sacramentum”.

V. 4. “Então Jesus lhe disse: ‘Olha, não digas nada a ninguém’”, para evitar uma excessiva comoção do povo, alvoroçado com estes sinais, ou para que os sacerdotes não o caluniassem, dizendo que não fora realmente curado aquele cuja saúde eles mesmos, por prescrição da Lei, não tivessem comprovado antes. Segundo Marcos, Jesus, com severa admoestação (ἐμβριμησάμενος), “o despediu em seguida” (Mc 1, 43), não por temer algum perigo de contágio, mas para cumprir o quanto antes o prescrito pela Lei: “Vai mostrar-te ao sacerdote, e faze a oferta que Moisés ordenou” (cf. Lv 14) “para servir de testemunho para eles”, isto é, para que tenham certeza do milagre e, caso persistam na incredulidade, para que o testemunho deste sinal se volte contra eles. O leproso, porém, não demorou a propagar por todos os cantos o acontecido, “de modo que Jesus não podia entrar publicamente em uma cidade”, devido às multidões que Ele, embalde, quisera evitar, pois “de toda parte vinham ter com Ele” (Mc 1, 45).

3. Para meditar. — 1) Lepra, figura do pecado: “Pelas afecções corpóreas indica a Lei as doenças da alma, e pelos males que se sofrem sem culpa repreende os que se padecem com ela. Se, com efeito, até as misérias naturais parecem impuras, muito mais o serão as voluntárias” (Teófanes, In Lev., 15: PG 80, 319). “Por um único leproso coberto de chagas é simbolizado o conjunto dos fiéis cobertos de pecados; por isso, que ninguém se glorie dos próprios méritos, pois todos éramos filhos da ira […]; se não descesse Ele pela Encarnação, assemelhando-se aos homens, não subiriam como homens os leprosos, outrora expulsos das alegrias do paraíso” (S. Pascásio, In Mat. 8, 2: PL 120, 339). — 2) Os efeitos das duas lepras: a) como a física corrompe o corpo, a espiritual destrói a alma; b) o pecado torna o homem imundo e o exclui da sociedade dos justos, como a lepra excluía da sociedade civil; c) entrega o pecador a uma morte infeliz, solitária e cheia de dores. — 3) Para curar a lepra espiritual: a) estimulemos o desejo, cada vez mais ardente, da nossa salvação; b) recorramos com frequência e confiança a Nosso Senhor Jesus Cristo, repetindo a humilde oração do leproso: “Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar”; c) e apresentemos a Deus a oferta da nossa satisfação e emenda, como prescreve a Lei da justiça e do amor [1].

Referências

  1. O texto desta homilia é uma tradução de H. Simón, Prælectiones Biblicæ. Novum Testamentum. 4.ª ed., iterum recognita a J. Prado. Marietti, 1930, vol. 1, pp. 274-276.
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