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Homilia Dominical
28 Mar 2014 - 27:19

Quem me segue não anda em trevas

Refletindo sobre o evangelho da cura do cego de nascença, damo-nos conta de que a humanidade é dividida em dois grupos de pessoas: as que se abriram à luz de Cristo e as que permanecem fechadas a esta luz e veem o distorcido pela cegueira do pecado.
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Homilia Dominical - 28 Mar 2014 - 27:19

Quem me segue não anda em trevas

Refletindo sobre o evangelho da cura do cego de nascença, damo-nos conta de que a humanidade é dividida em dois grupos de pessoas: as que se abriram à luz de Cristo e as que permanecem fechadas a esta luz e veem o distorcido pela cegueira do pecado.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo João 

(Jo 9,1.6-9.13-17.34-38)

Refletindo sobre o evangelho da cura do cego de nascença, damo-nos conta de que a humanidade é dividida em dois grupos de pessoas: as que se abriram à luz de Cristo e começa a enxergar o mundo como ele realmente é; e as que permanecem fechadas a esta luz e veem o distorcido pela cegueira do pecado.

O famoso exegeta padre Alonso Schöckel, jesuíta, comenta, sobre este trecho do evangelho:

"Nele assistimos a dois processos encontrados: a progressiva iluminação do cego, cada vez mais penetrante em sua visão sobrenatural. O processo se adverte no que vai dizendo de Jesus: um homem (v. 11), um profeta (v. 17), procede de Deus (v. 33), Senhor (v. 38). A progressiva cegueira das autoridades, que resistem em não compreender e quereriam não ver. No princípio estão divididas, depois asseguram duas vezes ‘consta-nos’, depois recorrem ao insulto e à expulsão". [1]

Essa "progressiva iluminação" que acontece com quem recebe a fé pode parecer, a um leitor desatento, apenas uma metáfora. No entanto, a experiência dos Doutores místicos e as próprias Sagradas Escrituras atestam que se trata de uma experiência bem real.

A fé realmente torna-nos capazes de enxergar a realidade em sua profundidade. É algo que podemos experimentar no ordinário do nosso dia a dia. Quando entramos em um relacionamento de amor com Deus, fazemos a experiência de que é mais fácil aprender as coisas. A nossa fé verdadeiramente ilumina a nossa inteligência. Por isso, não existe nenhuma oposição entre a fé e a razão. De fato, no ser humano existe uma única inteligência, mas esta única faculdade pode ser iluminada por dois tipos diferentes de luz: a natural e a sobrenatural. E esta é, sem dúvida, a mais excelente das luzes.

O exemplo mais clamoroso dessa realidade foi a conversão de Santo Agostinho. Se para maior parte das pessoas a conversão se dá num processo de mudança moral, com Agostinho aconteceu diferentemente, como é possível ler em suas "Confissões". Após ler um trecho da carta de São Paulo, ele escreve: "Quando cheguei ao fim da frase, uma espécie de luz de certeza se insinuou em meu coração, dissipando todas as trevas de dúvida" [2]. Ou seja, foi quando deu o passo da fé que ele começou a enxergar melhor a realidade. A fé "potencializou" a sua inteligência.

Ele fez a experiência daquilo que São João expôs em todo o seu Evangelho [3] e que é o que acontece em nosso batismo. São Justino, o mártir, é o primeiro Padre da Igreja a usar a palavra "iluminação" (φωτισμός) como termo técnico para indicar o sacramento do Batismo: "A este batismo dá-se também o nome de ‘iluminação’, porque os iniciados desta doutrina são iluminados na sua capacidade de compreender as coisas" [4].

O que São Justino diz sobre os cristãos é exatamente o contrário do que o mundo costuma pensar sobre eles. Se os mundanos acham que são os batizados quem vivem na ignorância, nas trevas, o que acontece, na verdade, é justamente o contrário: quando se perde a fé, perde-se a luz para enxergar as coisas. É o que atestam São Pedro [5] e São Paulo, em várias de suas cartas [6].

Então, a luz de Cristo ilumina as inteligências dos homens. Só que, para cultivar uma vida intelectual, é indispensável o recurso à oração. Antes, no alvorecer da civilização cristã, os grandes teólogos eram, ao mesmo tempo, grandes místicos. Com a fundação das universidades, no entanto, aconteceu uma separação trágica entre a vida espiritual e a vida de estudo: as pessoas começaram a estudar não para descobrir a Verdade ou para viver a santidade, mas para conseguirem diplomas, esquecendo que, quando o estudo não está unido a uma vida autenticamente espiritual, não pode haver fruto.

Jesus, nesse Evangelho, quer que saiamos de nossa cegueira. Talvez o melhor comentário a essa carta sejam as palavras de São Paulo aos Efésios, exortando-os a que não se comportem mais "como se comportam os pagãos, por sua mentalidade fútil (ἐν ματαιότητι τοῦ νοὸς αὐτυῶν). αὐτυῶν). Eles têm a inteligência obscurecida e são alheios à vida de Deus por causa da ignorância produzida neles pela dureza de seus corações" [7]. A falta de conversão deixa o homem na ignorância. Por isto que se veem tantas pessoas com diplomas incapazes de enxergar realidades óbvias e tantas pessoas analfabetas, mas, com fé e conversão, capazes de ver: a luz de Cristo faz falta às inteligências humanas.

Referências

  1. Nota de Rodapé a Jo 9, 1-41, in Bíblia do Peregrino, Paulus
  2. Confissões, VIII, 12
  3. Cf. Jo 1, 4-5.9-10; 8, 12; 9, 5; 12, 46
  4. Primeira Apologia em defesa dos cristãos, Cap. 61, 12
  5. Cf. 1 Pd 2, 9
  6. Cf. Ef 4, 17-18; 5, 8-14; Col 1, 12-14
  7. Ef 4, 17-18
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