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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 18,12-14)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Que vos parece? Se um homem tem cem ovelhas, e uma delas se perde, não deixa ele as noventa e nove nas montanhas, para procurar aquela que se perdeu?

Em verdade vos digo, se ele a encontrar, ficará mais feliz com ela, do que com as noventa e nove que não se perderam. Do mesmo modo, o Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequeninos”.

1. Ocasião. — De acordo com o evangelista S. Mateus (cf. Mt 18, 10-11), Jesus contou a parábola da ovelha perdida aos seus discípulos (cf. Mt 18, 1) para os prevenir contra o perigo de escandalizarem os pequeninos, pois é vontade do Pai celeste que não se perca um só deles (cf. Mt 18, 14). De acordo com o evangelista S. Lucas (cf. Lc 15, 1-3), por outra parte, as parábolas da ovelha desgarrada, da dracma perdida e do filho pródigo foram proferidas quando alguns fariseus e escribas murmuravam da misericórdia e benignidade do Senhor para com os pecadores. Apesar do aparente conflito, ambos os testemunhos são verdadeiros. A parábola da ovelha perdida, com efeito, é de tal índole e de tamanha beleza, além de ser muito familiar à mentalidade judaica, que Jesus a deve ter contado não uma, mas várias vezes.

2. Duas comparações.a) A ovelha perdida (cf. Mt 18, 12-13; Lc 15, 4-6). A comparação proposta por Cristo é tão simples e transparente que dispensa explicações. Um pastor leva cem ovelhas ao pasto (S. Mateus diz “na montanha”, enquanto S. Lucas se refere a um “deserto”). Se acontecer de uma delas desgarrar-se do rebanho, o pastor deixa no aprisco as outras noventa e nove e sai à procura da que se perdeu. Quando por fim a encontra, põe-na sobre os ombros e volta cheio de júbilo ao rebanho. Alguns exegetas observam que a contraposição entre os números 99 e 1, como forma de realce, é bastante frequente nos ensinamentos rabínicos. — b) A dracma perdida (cf. Lc 15, 8-9). Uma mulher, talvez uma pobre viúva, possuía apenas dez dracmas: se perde uma delas, acende a lâmpada, mesmo que seja de dia, e vasculha diligentemente todos os cantos da casa até a encontrar. Tendo-a achado, reúne as amigas e vizinhas para lhes comunicar a sua alegria. Trata-se, obviamente, de uma hipérbole usada para descrever, à maneira oriental, um sentimento de contentamento e satisfação.

3. Doutrina espiritual. — “Assim haverá maior júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (Lc 15, 7), à semelhança de uma mãe que se alegra mais com a cura de um filho que estava doente do que com a saúde dos que já estavam sãos. Daqui não se pode inferir, porém, que os escribas e fariseus sejam justos de fato, pois Cristo se refere somente aos que são tidos publicamente como pecadores; quantos aos justos, fala deles de forma geral, sem revelar se eram realmente justos os que, como os fariseus, se consideravam tais. Além da alegria que há no céu pela conversão de um pecador, o Senhor também expressa, em cores muito bonitas, a solicitude com que Deus busca por todos os meios reaver uma única alma perdida. Em S. Mateus, a conclusão da parábola reza assim: “Do mesmo modo, o Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequeninos” (Mt 18, 14), ou seja, assim como um pastor não mede esforços para que não se perca uma única ovelha, assim também Deus, que tem cuidado até dos mais pequenos, vos adverte seriamente para que não façais perecer, escandalizando-o, a nenhum destes pequeninos.

Também se podem notar os seguintes aspectos: a) Jesus é o Salvador dos pecadores: “Não vim chamar à conversão os justos, mas, sim, os pecadores” (Lc 5, 32). Ele ama e deseja os que estão perdidos; vai-lhes ao encalço; tendo-os achado, põe-nos sobre os ombros e leva-os ao aprisco da Igreja e, cheio de alegria, ordena que no céu se faça festa pela salvação deles. — b) Jesus é o Salvador dos homens, não dos anjos: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas” (Is 53, 6), pois Ele se encarnou para salvar os que, descendentes de Adão por geração natural, nascemos em pecado e inimizade com Deus, mas que ainda podemos, pela conversão e a graça de Cristo, chegar à salvação eterna. O divino Pastor deixa, pois, as noventa e nove ovelhas (os anjos bons, confirmados em graça) e saí à procura da ovelha perdida (todo o gênero humano) [1]. Busca-a com grande trabalho (por seu ministério público), coloca-a nos ombros (por sua Paixão e Morte) e, por fim, volta cheio de júbilo para casa (por sua Ascensão). A alegria não é mais do que o fruto sazonado da Redenção. — c) A dracma espiritual. Trata-se da alma que, qual uma moeda, traz impressa em si mesma a imagem e semelhança de Deus. Esse cunho, porém, está muitas vezes sujo e corroído pelo pecado, a ponto de ser quase irreconhecível. A Igreja, simbolizada na mulher, busca diligentemente a dracma perdida. Por fim, a conversão dos pecadores deve ser para todos, graças ao vínculo de caridade que nos une num só Corpo, motivo de grande alegria: “Regozijai-vos comigo, achei a dracma que tinha perdido” (Lc 15, 9).

Referências

  1. Também a Virgem Maria, apesar de ter sido concebida sem a mancha do pecado original, foi verdadeiramente redimida por Cristo, e redimida de um modo até mais excelente: enquanto os outros homens fomos salvos por uma redenção reparativa, Maria SS. foi redimida por uma redenção preservativa: nós, uma vez doentes, fomos curados; Ela, desde a sua conceição, foi mantida imune de toda doença. Em nós, a graça, ao mesmo tempo que eleva, cura; nela, a graça eleva e, ao mesmo tempo, preserva.
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