Santa Gertrudes, a Grande
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 19,1-10)

Naquele tempo, Jesus tinha entrado em Jericó e estava atravessando a cidade. Havia ali um homem chamado Zaqueu, que era chefe dos cobradores de impostos e muito rico. Zaqueu procurava ver quem era Jesus, mas não conseguia, por causa da multidão, pois era muito baixo. Então ele correu à frente e subiu numa figueira para ver Jesus, que devia passar por ali. Quando Jesus chegou ao lugar, olhou para cima e disse: “Zaqueu, desce depressa! Hoje eu devo ficar na tua casa”. Ele desceu depressa, e recebeu Jesus com alegria. Ao ver isso, todos começaram a murmurar, dizendo: “Ele foi hospedar-se na casa de um pecador!” Zaqueu ficou de pé, e disse ao Senhor: “Senhor, eu dou a metade dos meus bens aos pobres, e se defraudei alguém, vou devolver quatro vezes mais”.

Jesus lhe disse: “Hoje a salvação entrou nesta casa, porque também este homem é um filho de Abraão. Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido”.

Celebramos hoje a memória de Santa Gertrudes de Helfta, monja cisterciense que, ainda na Idade Média, iniciou o culto ao Sagrado Coração de Jesus, antecipando em muitos séculos a devoção instaurada por Santa Margarida M.ª de Alacoque. Nascida na Alemanha, Gertrudes viveu apenas 46 anos, e é admirável pensar como santos da estatura dela chegam ao cume perfeição em tão pouco tempo. Parece que o dia deles tem mais de 24h! Na verdade, os santos fazem às vezes coisas simples e ordinárias, mas voltados a Deus com uma tal caridade, que os frutos neles produzidos são muito mais abundantes do que em nós, a serviço de Deus de forma quase sempre morna e entibiada.

Pois bem, vejamos algumas características de Santa Gertrudes, chamada com razão de a Grande. Ainda menina, foi entregue a um mosteiro beneditino e ali educada na escola monástica, recebendo desde cedo uma educação extraordinária. Isso, por si só, já rompe inúmeros preconceitos contra a Igreja, instituição alegadamente “opressora” e “patriarcalista”. Afinal, trata-se aqui de uma mulher em pleno séc. XIII, ápice da Idade Média, alfabetizada em latim e grego, versada nos grandes clássicos da literatura antiga e instruída no que então havia de melhor em ciência. Inteligente e culta, Gertrudes é uma montanha em cujas sombras se perdem, tímidos e esmaecidos, os falsos modelos de “realização” e “empoderamento” que o feminismo busca impor às mulheres de hoje.

Seja como for, Gertrudes consagrou-se a Deus como beneditina e, aos 26 anos, muito vivaz e de aguda inteligência, percebeu que todo o saber profano acumulado desde a infância não lhe satisfazia mais o coração. Então, no dia 27 de janeiro de 1281, por ela apelidado o dia de minha conversão, Jesus apareceu-lhe sob a forma de um belo jovem de 16 anos. (Vale a pena abrir aqui um parêntese. Gertrudes era de uma pureza verdadeiramente heróica. A fim de guardar os olhos, ela jamais se detinha em fitar um homem tempo o bastante para lhe guardar a fisionomia. Os varões com quem tinha de lidar, reconhecia-os mais pelo timbre de voz que pelo rosto. Ora, não há dúvida de que foi graças à pureza que Gertrudes progrediu tanto nos saberes naturais. De fato, a experiência atesta e os santos o confirmam que poucas coisas prejudicam mais a inteligência do que o vício da luxúria. A busca desordenada do prazer sexual obscurece de tal modo o intelecto prático, que muitos homens de ciência tornam-se modelos de vidas fracassadas, inteligências malogradas e cegas para as verdades últimas.)

Jesus, íamos dizendo, apareceu-lhe então como jovem formoso. Gertrudes, se por hábito adquirido poderia desviar os olhos, reconheceu ali, por instinto sobrenatural, uma beleza divina, que tornava cativa a alma sem tentar ao pecado os sentidos inferiores, pois tudo é puro para os que são puros (Tt 1,15). A partir deste encontro, começa a desenvolver-se entre ela e Nosso Senhor um trato de amizade cada mais profundo, refletido nas páginas ternas e maravilhosas escritas por ela acerca do Sagrado Coração, e isso quatro séculos antes de esta devoção propagar-se pela Europa. Santa Gertrudes foi também um modelo de devoção às almas do purgatório, das quais é considerada padroeira. Isso nos remete ao dever de caridade a que estamos obrigados, especialmente em novembro, de rezar pelas almas benditas.

Desde o início do mês, podemos lucrar uma série de 8 indulgências plenárias em sufrágio das almas dos fiéis falecidos. Lembremos quais são as condições impostas pela Igreja para se obter qualquer indulgência plenária: a) é preciso confessar-se, sendo suficiente uma só confissão para todos os 8 dias, a não ser que se cometa entrementes algum pecado mortal; b) é necessário receber a sagrada Comunhão; c) deve-se rezar pelas intenções do Santo Padre, bastando para isso recitar um Pai-nosso e uma Ave-Maria. Lembremos ainda que só se pode ganhar uma única indulgência plenária por dia, de sorte que para lucrar diversas indulgências plenárias se requerem, para cada uma delas, uma Comunhão distinta e uma nova oração nas intenções do Sumo Pontífice. Cumpridas estas condições, temos ao longo do mês de novembro a oportunidade de obter 8 indulgências plenárias, aplicáveis apenas às almas do purgatório, sempre que visitarmos devotamente um cemitério e rezarmos, mesmo em espírito, pelos defuntos.

Oração. — “Pai eterno, eu vos ofereço o Sangue precioso de vosso Filho divino, Jesus, em união com as Missas que hoje são celebradas em todo o mundo, por todas as almas santas do purgatório, pelos pecadores em todos os lugares, pelos pecadores na Igreja universal, pelos que estão em minha própria casa e em minha própria família. Amém”.

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