CNP
Christo Nihil Præponere"A nada dar mais valor do que a Cristo"
Evangelize compartilhando!
Todos os direitos reservados a padrepauloricardo.org®

Servo sofredor, mas não vingativo

 “Ele não discutirá, nem gritará, e ninguém ouvirá a sua voz nas praças. Não quebrará o caniço rachado, nem apagará a mecha que ainda fumega, até que faça triunfar o direito”.

Texto do episódio

Texto do episódio

imprimir

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 12, 14-21)

Naquele tempo, os fariseus saíram e tomaram a decisão de matar Jesus. Ao saber disso, Jesus retirou-se dali. Grandes multidões o seguiram, e ele curou a todos. Advertiu-os, no entanto, que não dissessem quem ele era. Assim se cumpriu o que foi dito pelo profeta Isaías: “Eis o meu servo, que escolhi; o meu amado, no qual está meu agrado; farei repousar sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará às nações o direito. Ele não discutirá, nem gritará, e ninguém ouvirá a sua voz nas praças. Não quebrará o caniço rachado, nem apagará a mecha que ainda fumega, até que faça triunfar o direito. Em seu nome as nações depositarão sua esperança”.

“Ao saber disso”, ou seja, das maquinações que contra Ele preparavam os fariseus, “Jesus retirou-se dali” com seus discípulos para o mar (Mc 3, 7), isto é, para as margens do mar de Genesaré, nas fronteiras da Galiléia, por onde seria mais fácil fugir em caso de perigo. Até ali, porém, o seguiu uma grande multidão, reunida de todas as partes da Palestina. “Todos os que padeciam de algum mal se arrojavam a Ele para o tocar” (Mc 3, 10) e os endemoniados, prostrados aos seus pés, confessavam-no abertamente como Filho de Deus. “Advertiu-os, no entanto, que não dissessem quem Ele era”, para que se não inflamasse ainda mais o ânimo de seus inimigos. “Assim se cumpriu”, anota o evangelista S. Mateus, “o que foi dito pelo profeta Isaías” (cf. 42, 1-4): “Eis o meu servo, que escolhi” para ser o Messias; “o meu amado, no qual está meu agrado”, como reafirmei em seu Batismo (cf. Mt 3, 17). “Farei repousar sobre Ele o meu Espírito [1], e Ele anunciará às nações”, ou seja, a todos os povos pagãos, “o direito”, que é a justiça ou santidade contida em sua Lei e causada por sua graça. “Ele não discutirá nem gritará”, isto é, se absterá de toda rixa e contenção, mas usará de moderação e muita misericórdia, “e ninguém ouvirá a sua voz nas praças”, porque se fará ouvir mais pela inspiração interior da graça do que por discursos e raciocínios humanos. Será pois tão amante da paz, que “não quebrará o caniço rachado nem apagará a mecha que ainda fumega”, quer dizer, não fará desesperar aos que ainda preservam, apesar de seus pecados, alguma centelha de esperança da salvação; “até que faça o direito”, isto é, a justiça e a doutrina que vem pregando, “triunfar”, ou seja, dar o fruto esperado, que é levar a todas as gentes a esperança e os meios de salvação pelos méritos redentores do Messias. Por isso, conclui o profeta, “em seu nome as nações depositarão sua esperança”, já que “debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens”, judeus ou gentios, “pelo qual devamos ser salvos” (At 4, 12) [2].

Referências

  1. Cf. H. Simón, Prælectiones Biblicæ. Novum Testamentum. 4.ª ed., iterum recognita a J. Prado. Marietti, 1930, vol. 1, p. 229, n. 148: “Que significa essa infusão do Espírito Santo em Cristo? No Antigo Testamento, quem quer que fosse chamado pelo Senhor a assumir uma missão árdua e difícil era movido por um singular impulso do Espírito Santo. É o caso de Otoniel (cf. Jz 3, 10), Gideão (Jz 6, 34), Jefté (Jz 11, 29), Sansão (Jz 13, 25), Bezaleel (cf. Ex 31, 3; 35, 31), Balaão (cf. Nm 24, 2), Saul (1Rs 10, 6.10) etc., que eram movido pelos Espírito para levar a cabo, com fortaleza e sabedoria, a missão que receberam. Nessas passagens, a infusão ou moção do Espírito Santo não designa a graça santificante. Ora, é evidente por sua própria natureza, além de ser totalmente conforme ao testemunho dos SS. Padres, que à infusão do Espírito Santo em Jesus corresponde um sentido mais pleno, a saber: o de plenitude da graça e inabitação do Espírito Santo. Seria ímpio, no entanto, supor em Cristo algum aumento de graça ou entender a descida sobre Ele do Espírito Santo como se, nesta ocasião, Cristo tivesse sido eleito e ungido como Messias; com efeito, essa admirável manifestação [do Espírito no Batismo] foi feita não por causa de Cristo, mas por nossa causa”. 
  2. Cf. Id., p. 294, n. 195.

Material para Download
Texto do episódioMaterial para downloadComentários dos alunos

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.