CNP
Christo Nihil Præponere"A nada dar mais valor do que a Cristo"
Evangelize compartilhando!
Todos os direitos reservados a padrepauloricardo.org®
Texto do episódio

Texto do episódio

imprimir

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 18, 1–19, 42)

Depois de ter falado assim, Jesus foi com seus discípulos para o outro lado da torrente de Cedron. Havia ali um jardim onde Jesus entrou com seus discípulos. Judas, o traidor, conhecia bem o lugar, porque Jesus e seus discípulos se reuniam lá muitas vezes. Judas, conseguindo um destacamento de soldados, e guardas dos sacerdotes e fariseus, lá chegou à luz de lanternas e tochas, e com armas.

Jesus, sabendo tudo que lhe ia acontecer, adiantou-se e perguntou: “A quem procurais?” Responderam: “A Jesus de Nazaré”. Ele disse: “Sou eu”. Judas, o traidor, estava com eles. Mas quando Jesus lhes disse: “Sou eu”, recuaram e caíram por terra. Ele lhes perguntou de novo: “A quem procurais?” Disseram: “A Jesus de Nazaré”. Jesus respondeu: “Já vos disse que sou eu. E se é a mim que procurais, deixai que os outros se retirem”. Assim é que se cumpriu a palavra que ele tinha dito: “De todos aqueles que me deste, nenhum se perdeu”.

Simão Pedro, que tinha uma espada, puxou dela e feriu um servo do Sumo Sacerdote cortando a sua orelha direita. O nome do servo era Malco. Jesus disse a Pedro: “Embainha a tua espada. Por acaso deixarei de beber o cálice que o Pai me deu?” Então o destacamento, seu comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus e amarraram-no.

Primeiro levaram-no à presença de Anás, pois era sogro de Caifás, o Sumo Sacerdote daquele ano. Caifás é que tinha aconselhado aos judeus: “É preferível que morra um só homem por todo o povo”. Entretanto, Simão Pedro e outro discípulo acompanhavam a Jesus. Este outro discípulo era conhecido do Sumo Sacerdote e entrou com Jesus no pátio dele.

Pedro tinha ficado de fora, perto da porta. Saiu, então, o outro discípulo que era conhecido do Sumo Sacerdote, falou com a porteira e fez com que Pedro também entrasse. A empregada, que era porteira, perguntou a Pedro: “Não és tu também um dos discípulos deste homem?” Ele respondeu: “Não sou!” Os empregados e os guardas tinham feito uma fogueira por causa do frio e estavam se aquecendo. Pedro, de pé junto a eles, também estava se aquecendo.

O Sumo Sacerdote interrogou Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina. Jesus respondeu: “Eu falei abertamente ao mundo; ensinei sempre na sinagoga e no Templo, onde se reúnem os judeus. Nada falei às escondidas. Por que me interrogas? Pergunta aos que me ouviram o que lhes ensinei; eles bem sabem o que eu disse”.

A estas palavras, um dos guardas que estavam por ali deu uma bofetada em Jesus dizendo: “É assim que respondes ao Sumo Sacerdote?” Jesus respondeu: “Se falei erradamente, mostra a todos o que foi, se, pelo contrário, acertadamente, por que estás batendo em mim?”

Então, Anás enviou Jesus ainda amarrado a Caifás, o Sumo sacerdote. Simão Pedro continuava lá, de pé, a se aquecer. Disseram lhe: “Acaso não és tu também um dos seus discípulos?” “Não, não sou”, respondeu ele. Um dos empregados do Sumo Sacerdote, parente daquele de quem Pedro tinha cortado a orelha, disse: “Como? Eu não te vi com eles no jardim?” Pedro negou de novo. Naquele momento um galo cantou.

Levaram Jesus da presença de Caifás à residência do Governador. Era de madrugada e eles não entraram na residência para não se contaminarem e poderem comer o cordeiro pascal. Então, Pilatos saiu para falar com eles e lhes disse: “Que acusação apresentais contra este homem?” Responderam: “Se não fosse um malfeitor, não o entregaríamos a ti”. Pilatos disse: “Tomai-o vós mesmos e julgai-o conforme vossa Lei”. Os judeus responderam: “Não temos direito de matar ninguém”. E isto porque era preciso que se cumprisse a palavra de Jesus, pela qual tinha dado a entender de que morte devia morrer.

Pilatos entrou novamente na sua residência, mandou chamar Jesus e lhe disse: “És tu o rei dos judeus?” Jesus perguntou por sua vez: “Dizes isto por conta própria ou outros te disseram isso de mim?” Pilatos respondeu: “Por acaso sou eu judeu? Teu povo e os sacerdotes-chefes te puseram nas minhas mãos. Que fizeste?” Jesus respondeu: “Meu reino não é deste mundo. Se meu reino fosse deste mundo, meus guardas teriam combatido para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas meu reino não é daqui”. Pilatos perguntou: “Então tu és rei?” Jesus respondeu: “Tu o dizes, eu sou rei! Para isto nasci. Para isto vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta minha voz”. Pilatos por fim lhe perguntou: “Mas, que é a verdade?”

Dito isto, saiu de novo ao encontro dos judeus e comunicou-lhes: “Não acho nenhuma culpa nele. Mas tendes o costume de que eu solte um preso na Páscoa. Não desejais, então, que solte o rei dos judeus? Todos começaram a gritar, com fúria: “Não ele, mas Barrabás!” Barrabás, no entanto, era um bandido.

Então Pilatos mandou prender e flagelar Jesus. Em seguida, os soldados entrelaçaram com ramos de espinhos uma coroa, que puseram sobre a sua cabeça e o cobriram com um manto de púrpura. E se achegavam a ele e diziam: “Salve, rei dos Judeus!”, e davam-lhe bofetadas. Pilatos saiu de novo para fora e lhes disse: “Vede! Eu o trago aqui fora, diante de vós, para que saibais que não acho nele nenhum motivo de condenação”. Fez, então, com que Jesus saísse, trazendo a coroa de espinhos e o manto cor de púrpura, e lhes disse: “Eis o homem!”

Quando o viram, os sacerdotes-chefes e os seus guardas gritaram: “Crucifica-o! Crucifica-o!” Pilatos disse: “Tomai-o vós e crucificai-o, porque eu mesmo não encontro nele motivo algum de condenação”. Os judeus protestaram: “Nós temos uma Lei e, segundo esta Lei, ele deve morrer, porque se diz Filho de Deus”. Quando Pilatos ouviu isto, ficou mais assustado ainda. Voltando a entrar na sua residência, perguntou de novo a Jesus: “De onde és tu?” Mas Jesus não lhe deu resposta. Pilatos então lhe falou: “Não me respondes? Não sabes que tenho poder para te pôr em liberdade ou crucificar-te?” Jesus respondeu: “Não terias nenhum poder sobre mim se não tivesse sido dado por Deus, por isso quem me entregou a ti tem pecado maior”.

A partir desse momento, Pilatos procurava soltá-lo. Mas os judeus gritavam: “Se o soltares, não serás mais amigo de César: todo aquele que se faz rei se opõe a César!” Ouvindo isto, Pilatos levou Jesus para fora e sentou-se no tribunal instalado no lugar, chamado Litóstrotos, em hebraico Gabbatá. Era o dia da Preparação da Páscoa, por volta do meio-dia. Pilatos disse aos judeus: “Aqui está o vosso rei!” Eles começaram a gritar: “À morte! À morte! Crucifica-o!” Pilatos insistiu: “Como? Crucificar vosso rei?” Os sacerdotes-chefes responderam: “Não temos outro rei senão César!” Então, Pilatos o entregou para ser crucificado. E eles se apoderaram de Jesus.

Ele, carregando a cruz, saiu da cidade, rumo ao lugar chamado Crânio (em hebraico Golgothá). Ali o crucificaram juntamente com dois outros: um de cada lado e Jesus no meio. Pilatos escreveu também um letreiro e mandou colocá-lo no alto da cruz. Nele estava escrito: “Jesus de Nazaré, o rei dos judeus”. Muitos dos judeus tomaram conhecimento deste letreiro, porque o lugar onde crucificaram Jesus ficava perto da cidade; e além disso, o letreiro estava escrito em hebraico, grego e latim. Os sacerdotes-chefes dos judeus pediram inutilmente a Pilatos: “Não escrevas: ‘O rei dos judeus’, mas sim ‘este homem disse: eu sou o rei dos judeus’”. Pilatos respondeu: “O que escrevi, está escrito”.

Depois de terem crucificado Jesus, os soldados pegaram suas roupas e as dividiram em quatro partes: uma para cada soldado. Quando chegou a vez da túnica, uma túnica sem costuras, de uma só peça tecida de cima abaixo, eles decidiram entre si: “Não a rasguemos; tiremos a sorte para ver a quem caberá”. Cumpria-se assim a profecia: Repartiram entre si minha roupa, e sortearam minha túnica. Assim fizeram os soldados.

Perto da cruz de Jesus, estavam sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas e Maria Madalena. E Jesus, vendo sua mãe e perto dela o discípulo a quem amava, disse à sua mãe: “Mulher, eis aí teu filho!” Em seguida, disse ao discípulo: “Eis aí tua mãe!” E desde aquela hora o discípulo a recebeu aos seus cuidados.

Depois, sabendo que estava tudo consumado, Jesus, cumprindo a Escritura, disse: “Tenho sede”. Havia por ali um vaso cheio de vinagre. Prendendo uma esponja embebida em vinagre na haste de um hissopo, a levaram à boca de Jesus. Depois de ter tomado o vinagre, Jesus exclamou: “Tudo está consumado!” E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.

Entretanto, como era o dia da Preparação, os judeus, com medo de que os corpos ficassem nas cruzes durante o sábado, porque aquele sábado era dia de festa solene. Então pediram a Pilatos licença para lhes quebrar as pernas e retirar os corpos de lá. Os soldados então, foram, quebraram as pernas do primeiro e, depois, do outro que tinha sido crucificado com ele. Quando chegaram, porém, a Jesus, viram que já estava morto e não lhe quebraram as pernas; mas um soldado lhe abriu o lado com a lança e, no mesmo instante, saiu sangue e água.

Aquele que viu dá testemunho e seu testemunho é verdadeiro. E ele sabe que diz a verdade, para que vós também acrediteis. Porque tudo isto aconteceu para que se cumprisse a Escritura: Nenhum osso lhe será quebrado. E a Escritura diz também: Contemplarão aquele que traspassaram.

Depois disto, José de Arimatéia, que era discípulo de Jesus, mas em segredo, por medo dos judeus, pediu autorização a Pilatos para retirar o corpo de Jesus. Pilatos concedeu. Então foi e retirou o corpo dele. Foi também Nicodemos, aquele que em certa ocasião tinha ido encontrar-se com ele à noite. Levava uma grande quantidade de mirra com aloés. Tomaram o corpo de Jesus e o envolveram com panos perfumados, como é costume enterrar entre os judeus. No lugar onde tinha sido crucificado, havia um jardim e, no jardim, uma sepultura nova, na qual ninguém ainda tinha sido depositado. Como a sepultura estivesse próxima, depositaram ali Jesus por causa da Preparação dos judeus.

Na Sexta-feira Santa, a Igreja acompanha o seu divino Mestre em suas dores redentoras. Junto de Maria SS., das santas mulheres e do Apóstolo S. João, somos chamados a viver espiritualmente, com os olhos postos na cruz, o mistério da nossa Redenção. O dia de hoje chama-nos, pois, a reconhecer uma verdade oculta sob o véu de um crime: um inocente é condenado à pior e mais humilhante das mortes, tratado como outro dos tantos inocentes que, ao longo da história, foram vítimas de injustiça; mas aqui há algo mais. Por trás do véu do crime cometido no Calvário, esconde-se de quem não se abriu ainda à luz da fé a verdade da nossa salvação, levada a cabo através de um sacrifício de amor. Pelos padecimentos do crucificado, desprezado e condenado sem culpa alguma, os que antes merecíamos a condenação do inferno tornamo-nos filhos de Deus, co-herdeiros com Cristo da glória do céu.

A adoção que hoje recebemos está belamente representada no fato de o Filho de Deus, rejeitado pelo povo, deixar-se condenar para que Barrabás, “filho do pai” em aramaico, seja solto. Ele se deixa prender a fim de libertar a todos nós, filhos adotivos do Pai celeste. Sim, todos somos Barrabás, não só por sermos pecadores, mas porque em Cristo temos a graça da adoção filial. Antes, éramos prisioneiros, escravos de Satanás; agora, pelo sacrifício de Nosso Senhor, rompem-se-nos as correntes do pecado, desfazem-se os grilhões da morte eterna: somos, verdadeiramente, filhos de Deus, nosso Pai. Colocando-nos hoje na presença de Jesus, digamos-lhe de coração agradecido: “Senhor, vós sois o único e legítimo Filho do Pai, gerado por Ele desde todos os séculos! Dai-nos a graça de vivermos fielmente a nossa nova condição de filhos, libertos da ira e das trevas pelo vossa sacrifício de amor!”

Material para Download
Texto do episódioMaterial para downloadComentários dos alunos

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.