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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 5, 27-32)

Naquele tempo, Jesus viu um cobrador de impostos, chamado Levi, sentado na coletoria. Jesus lhe disse: “Segue-me”. Levi deixou tudo, levantou-se e o seguiu.

Depois, Levi preparou em casa um grande banquete para Jesus. Estava aí grande número de cobradores de impostos e outras pessoas sentadas à mesa com eles. Os fariseus e seus mestres da Lei murmuravam e diziam aos discípulos de Jesus: “Por que vós comeis e bebeis com os cobradores de impostos e com os pecadores?”

Jesus respondeu: “Os que são sadios não precisam de médico, mas sim os que estão doentes. Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores para a conversão”.

É este o primeiro sábado da Quaresma, dia em que somos chamados a unir aos preparativos para a Páscoa do Senhor uma particular menção ao papel da Virgem SS. na obra da nossa redenção. Nada mais útil, portanto, do que contemplá-la hoje no monte Calvário junto à cruz de seu Filho e penetrar-lhe a alma, não já com uma espada de dor, mas com o olhar amoroso da fé, para ver de mais perto que função lhe coube em hora tão tremenda. Sabemos, e é certo, que o único redentor é Jesus Cristo: “Ele é a expiação pelos nossos pecados” (1Jo 2, 2). A Igreja, no entanto, vendo em Adão e Eva como que um só princípio de queda para o gênero humano, reconhece também entre Cristo e sua Mãe vínculos tão estreitos que não teme chamar-lhes a ambos, como a uma só causa de salvação, redentores da humanidade, cada um porém segundo o modo que lhe é próprio. A redenção de Cristo, com efeito, foi principal e independente, enquanto a de Maria foi secundária e subordinada, na medida em que os méritos e satisfações da Virgem dependem dos de Cristo e deles extraem todo o seu valor. A redenção de Cristo, ademais, foi essencial e suficiente, ao passo que a de Maria foi acidental e completiva, no sentido de que os méritos e satisfações de Cristo eram não apenas necessários, mas superabundantes para satisfazer à divina justiça e realizar a nossa redenção, enquanto os da Virgem SS. nada podiam acrescentar por si sós aos de seu Filho. Neste sentido, Maria cooperou com Cristo padecente, não para que a redenção como tal fosse levada a cabo, mas para que fosse excelente o modo de realizá-la. Com efeito, assim como Adão e Eva foram, juntos, responsáveis pela nossa ruína, assim também a nossa reparação, haviam de obrá-la juntos o novo Adão e a nova Eva: o primeiro derramando seu Sangue de infinito valor e sacrificando ao Pai atos de perfeitíssima caridade; a segunda oferecendo ao Pai a vítima a quem ela mesmo deu a carne redentora e sacrificando-Lhe, a um tempo, os atos de fé mais perfeitos. Eis por que a Igreja, como dito, venera Maria como verdadeira Corredentora do gênero humano, sem que isto em nada diminua a unicidade e autossuficiência da Redenção de Jesus Cristo. Antes, pelo contrário, mais a exalta e manifesta, porque mostra com que sabedoria pode Deus, sem deixar de ser soberano, contar com o auxílio de suas criaturas e, sem deixar de ser causa primeira, conceder a elas o serem causas segundas dos efeitos que Ele dispôs produzir. Que neste e nos seguintes sábados da Quaresma possamos honrar com especial devoção a Nossa Senhora, invocando-a com este título tão doce — um de seus privilégios singulares e pessoais — de Corredentora nossa, porque Mãe do redentor e compadecida do crucificado [1].

Referências

  1. O texto desta homilia se baseia grandemente em Gabriel M.ª Roschini, Mariologia. 2.ª ed., Roma, Angelus Belardetti (ed.), 1947, vol. 2, pp. 252-262.
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