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Homilia Dominical
19 Jul 2019 - 26:38

“Unum est necessarium”

“Uma só coisa é necessária”. Pronunciadas dois mil anos atrás na casa de Marta e Maria, em Betânia, essas palavras de Nosso Senhor devem calar bem fundo no coração do homem moderno, recordando-o de uma verdade perene, mas há muito esquecida: de nada adianta “ganhar” o mundo inteiro e perder a própria alma no fogo do inferno. Medite com Padre Paulo Ricardo sobre o Evangelho deste domingo e descubra o que (ou quem, melhor dizendo) é o “único necessário” de nossa existência.
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Homilia Dominical - 19 Jul 2019 - 26:38

“Unum est necessarium”

“Uma só coisa é necessária”. Pronunciadas dois mil anos atrás na casa de Marta e Maria, em Betânia, essas palavras de Nosso Senhor devem calar bem fundo no coração do homem moderno, recordando-o de uma verdade perene, mas há muito esquecida: de nada adianta “ganhar” o mundo inteiro e perder a própria alma no fogo do inferno. Medite com Padre Paulo Ricardo sobre o Evangelho deste domingo e descubra o que (ou quem, melhor dizendo) é o “único necessário” de nossa existência.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 10, 38-42)

Naquele tempo, Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e escutava a sua palavra.

Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres. Ela aproximou-se e disse: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!”

O Senhor, porém, lhe respondeu: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”.

1. Neste domingo, ouvimos a narração exclusiva do Evangelho de São Lucas acerca da hospedagem de Jesus na casa de duas irmãs. A certa altura, uma delas, chamada Marta, fica agitada por conta do aparente descaso da outra, Maria, que, ao invés de ajudá-la com as tarefas domésticas, prefere ficar ouvindo as palavras do Mestre. A indignação toma conta de seu coração e ela desabafa: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço?” Com delicadeza, o Senhor percebe o que se passa e aproveita a ocasião para mostrar-lhe qual deve ser a nossa tarefa mais importante: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”.

“Uma só coisa é necessária”. Com essas palavras, Jesus pretende mostrar que o bem mais importante de nossas vidas é o “bem espiritual”, ou seja, estar ao seu lado, ouvindo os tesouros de sua Palavra, a fim de nos convertermos e conquistarmos a coroa do Céu. Portanto, o foco de toda a nossa existência deve ser a união com Cristo, porque Ele é, afinal, a razão de ser (raison d'être) da nossa natureza, o fim para o qual devem tender todos os nossos pensamentos e ações. Vivendo desse modo, teremos escolhido a “melhor parte”, que não nos será tirada.

2. De uns 300 anos para cá, o mundo preferiu adotar outra prioridade que não a vida espiritual. Com a Guerra dos Trinta anos, a religião acabou recebendo a pecha de “violenta”, porque milhares de pessoas padeceram nesse conflito entre católicos e protestantes. Para assegurar a paz, os políticos fizeram um pacto internacional que tornava a religião um “assunto privado”. E, assim, as preocupações do coração humano se voltaram à conquista dos bens temporais, das coisas passageiras, contingentes, de natureza perecível.

O homem moderno é, por conta disso, um homem profundamente agitado, a personificação histórica da Marta do Evangelho. Ele vai, de lugar em lugar, à procura de algum bem que lhe possa trazer a felicidade: a juventude, a beleza, a saúde, o dinheiro etc. E gasta-se violentamente por tudo isso, entrando até mesmo em novas guerras. 

Mas só podia dar nisso, porque os bens perecíveis não podem ser igualmente partilhados, nem eternamente possuídos. É da característica deles perecer. Então resta a pergunta do Evangelho de São Marcos: “Que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida?” (8, 36). De que adianta viver uma vida longeva, cercada de luxo e todos os prazeres deste mundo, se o que nos espera, afastados de Deus, é a eternidade do inferno?

3. Os bens espirituais, por outro lado, podem ser partilhados de um modo que todos saem ganhando. Tanto aquele que comunica o bem como o que o recebe se enriquecem. Apesar de seus percalços, a cristandade medieval era toda voltada para essa certeza sobre a finalidade sobrenatural do ser humano, de modo que, nesse período, a sociedade gozou de uma paz relativamente duradoura. Foi apenas com a revolução protestante e a introdução de princípios errôneos na consciência dos homens que esse ambiente cultural se perdeu.

O objetivo desta pregação é, pois, reavivar nos corações das pessoas comuns e lideranças políticas a “agenda católica”, para que, em suas vidas, haja essa opção firme de buscar apenas “o único necessário”. Não se trata aqui de idealizar pessoas que saiam às ruas fazendo pregações ou políticos que, lá no Congresso, cantem publicamente hinos de louvor a Deus. Trata-se de algo mais profundo e concreto: uma vida diariamente pautada nos conselhos evangélicos, na busca de fazer com que o Reinado Social de Cristo seja uma realidade não apenas exterior, mas principalmente no coração das pessoas, a fim de que a vida delas seja uma vida autenticamente cristã. E assim esse tesouro não lhes será tirado.

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