A neuroplasticidade é uma das descobertas mais relevantes das últimas décadas para compreendermos o cérebro humano. Intuída por alguns autores desde a segunda metade do século XX, ela tem-se tornado cada vez mais clara em pesquisas recentes, especialmente nas que se dedicam ao mapeamento de conexões cerebrais. Ao contrário do genoma, por exemplo, de natureza estável, o cérebro se revela a nós como altamente adaptável em função das experiências vividas.
A ideia, bastante difundida até há não pouco tempo, de que nascemos com um número fixo e não renovável de neurônios foi posta em xeque. Evidências atuais indicam que há regiões cerebrais capazes de gerar novos neurônios ao longo da vida, o que reforça, de mais a mais, a compreensão do cérebro como estrutura dinâmica e em contínua transformação.
Para compreender como funciona o cérebro, é preciso ter uma visão adequada do ser humano, sem reduzi-lo a pura e simples biologia nem ignorar sua dimensão corporal em favor de uma espiritualização descabida que o iguale aos anjos. O homem é uma unidade substancial de corpo e alma, co-princípios constitutivos em constante interação mútua, quer harmônica quer...








