O homem distingue-se dos animais, entre outras coisas, pela capacidade de narrar, isto é, de contar histórias e reorganizar a própria experiência em forma narrativa. Trata-se de uma capacidade constitutiva da identidade tanto pessoal, ou seja, de cada indivíduo, quanto coletiva, quer dizer, da comunidade a que se pertence. Tribos e famílias, povos e nações se constituem a partir dos relatos que preservam a memória de acontecimentos considerados significativos. Na esfera individual, a narração da própria história tem uma função importantíssima para a saúde mental e espiritual, visto que nos permite integrar nossas experiências e conferir-lhes sentido.
A recordação de acontecimentos passados constitui uma virtude formativa e terapêutica. Ao revisitar a própria trajetória, o homem pode reconhecer em sua vida determinados padrões, interpretar suas vivências e, com isso, elaborar uma compreensão de si mesmo mais unificada e coerente. Esse processo não se limita ao plano meramente psicológico, mas se estende também à dimensão espiritual, porquanto a história de cada um de nós pode e deve, à luz da fé, ser compreendida como uma história dotada de sentido, querida e ordenada...









