Vimos ao longo do curso que a narrativa não é um simples ornamento cultural, mas um instrumento profundamente humano de organizar a experiência, capaz de dar sentido à vida, integrar emoções e favorecer o aprendizado e a cura interior.
Para isso, a narrativa tem de envolver a um tempo as dimensões afetiva e racional, evocando, por um lado, emoções e memórias implícitas e proporcionando, por outro, significado e ordem às experiências narradas. Os sentimentos, quando são trazidos à consciência dentro de uma história coerente, deixam de ser reações atomizadas e passam a integrar um horizonte mais amplo de sentido.
Esse processo, aliás, está na base de práticas terapêuticas baseadas na fala e foi intuído, em algum grau, por correntes como a psicanálise e, de forma mais completa, pela logoterapia, a qual reconhece que, além de repisar o passado, é também necessário orientá-lo por referência a um sentido que nos abra para o futuro.
Para tornar concreta essa dinâmica, recorremos à leitura de um trecho autobiográfico do escritor brasileiro Joaquim Nabuco, presente na sua obra Minha Formação, na qual se vê claramente como a memória, elaborada mediante a narrativa,...









