Vimos que, nos primeiros anos de vida, a criança ainda não dispõe plenamente das estruturas necessárias para a formação de memórias explícitas, razão por que sua capacidade de recordar de modo consciente e organizado é bastante limitada.
Vimos também que o ambiente escolar tende a favorecer o desenvolvimento da memória de conteúdos teóricos, mas nem sempre estimula a organização narrativa das vivências. Por causa disso, acontecimentos significativos do dia a dia, incluídos os dolorosos, terminam privados de interpretação adequada e registrados de forma difusa, quando não são evitados totalmente. Daí a necessidade de ajudar a criança a recordar as próprias experiências, narrando-as, a fim de que elas possam ser integradas em sua história pessoal e percam, ao menos em parte, seu caráter desordenado.
Cumpre notar que o impacto de determinadas experiências não se manifesta, necessariamente, no momento em que sucedem, mas depende, em boa medida, da interpretação que se lhes dá mais tarde. Não é raro que acontecimentos ocorridos na infância se revistam de um peso decisivo apenas na vida adulta, quando enfim são reconhecidos e situados em um quadro mais amplo de...









