Nossa reflexão sobre a memória tem como objetivo fundamentar a importância da narrativa não apenas como recurso pedagógico, mas também como instrumento de integração pessoal e até de restauração interior. Com efeito, dar significado à própria história — quer no plano individual, quer no coletivo — é essencial à formação da identidade. É por isso que a literatura, o estudo da história e a narração autobiográfica têm um valor que vai muito além do simples entretenimento ou da simples aquisição de conhecimentos. Trata-se, no fundo, de meios de nos encontrarmos com nossa própria identidade.
Pois bem, vimos anteriormente que a criança possui desde cedo grande capacidade de retenção, isto é, uma memória semântica bastante eficiente. No entanto, sua memória episódica, a que organiza as experiências em forma de história, ainda precisa amadurecer. Daí a necessidade de uma intervenção educativa que a ajude a recordar, ordenar e narrar o que ela vive, pois é justamente assim que se vai formando o chamado “eu narrativo”, quer dizer, a compreensão de si mesmo ao longo do tempo.
Ora, como vimos, a memória humana é seletiva e reconstrutiva. O que recordamos não é...









