Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 3, 13-19)
Naquele tempo, Jesus subiu ao monte e chamou os que ele quis. E foram até ele. Então Jesus designou Doze, para que ficassem com ele e para enviá-los a pregar, com autoridade para expulsar os demônios. Designou, pois, os Doze: Simão, a quem deu o nome de Pedro; Tiago e João, filhos de Zebedeu, aos quais deu o nome de Boanerges, que quer dizer “Filhos do trovão”; André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o cananeu, e Judas Iscariotes, aquele que depois o traiu.
No Evangelho de hoje, Jesus escolhe os seus Doze Apóstolos. Antes de entendermos o que realmente significa esse ato de Jesus, recordemo-nos de uma polêmica que existe entre a Igreja Católica e os teólogos protestantes. Eles alegam que a Igreja não foi fundada por Jesus e que Ele teria vindo a este mundo apenas para pregar o Reino dos Céus, de modo que, após sua Morte e Ressurreição, os homens começaram a organizar os seus ensinamentos e fundaram a Igreja.
Na década de setenta, um grande sacerdote e teólogo chamado Joseph Ratzinger — que depois se tornou o Papa Bento XVI — escreveu um livro chamado O Novo Povo de Deus, no qual ele afirma que, se buscarmos os atos nos quais Jesus teria iniciado uma Igreja, estamos na verdade fazendo o questionamento errado. A pergunta correta seria: Ele quis abolir o povo de Deus ou reformá-lo? A resposta, então, é evidente: Jesus não quis abolir o povo de Deus, que já existia desde o Antigo Testamento, mas fazer com que ele se estendesse para além dos vínculos de sangue do judaísmo, a fim de abarcar todas as nações. Mas, se o vínculo agora não vem da descendência, vem de onde? Vem da nossa união com Jesus Cristo.
Sabendo disso, podemos voltar ao Evangelho de hoje. Jesus subiu à montanha, como o novo Moisés, e, então, “designou Doze, para que ficassem com Ele e para enviá-los a pregar” (Mc 3, 13-14). Eis aí o vínculo fundamental que constitui o novo povo de Deus.
Os teólogos liberais gostam especialmente do Evangelho de São Marcos porque dizem que ele está mais próximo do Jesus histórico, que, na visão deles, não queria fundar nada duradouro. No entanto, é o próprio Evangelho de São Marcos que mais insiste na realidade de que Cristo constituiu os Doze Apóstolos, que representam aqui as doze tribos de Israel, a partir das quais Deus constituiu o seu povo no Antigo Testamento.
Quanto a nós, precisamos renovar a nossa fé nesta Igreja instituída por Cristo, não nos deixando abalar por erros de membros frágeis da Igreja, mas nos alegrando por pertencermos ao Corpo místico e imaculado de Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, estando unidos a Ele, tornamo-nos o novo povo de Deus.
Que graça imensa ser católico! Pertencemos a uma Igreja que não foi iniciada por uma invenção humana, mas foi fundada pelo povo de Deus que, desde o Antigo Testamento, trilhava o caminho da salvação e que foi reformado por Cristo e seus Doze Apóstolos, a fim de que também nós tivéssemos um lugar nesse povo escolhido através da fé e da união com Jesus.



























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