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Homilia Dominical
10 Mar 2017 - 25:56

A glória futura que nos espera

Hoje se fala muito pouco do Céu. A consequência trágica disso é que, sem olharmos para a glória futura que nos espera, as cruzes desta vida parecem absurdas e, pouco a pouco, vão se tornando até mesmo esmagadoras. Mas qual é o sentido, afinal, de estarmos aqui? Por que, entre tantas pessoas procurando a felicidade, são tão poucas as que realmente a encontram?
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Homilia Dominical - 10 Mar 2017 - 25:56

A glória futura que nos espera

Hoje se fala muito pouco do Céu. A consequência trágica disso é que, sem olharmos para a glória futura que nos espera, as cruzes desta vida parecem absurdas e, pouco a pouco, vão se tornando até mesmo esmagadoras. Mas qual é o sentido, afinal, de estarmos aqui? Por que, entre tantas pessoas procurando a felicidade, são tão poucas as que realmente a encontram?
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
17, 1-9)

Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz. Nisto apareceram-lhe Moisés e Elias, conversando com Jesus.

Então Pedro tomou a palavra e disse: "Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias". Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra. E da nuvem uma voz dizia: "Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutai-o!"

Quando ouviram isto, os discípulos ficaram muito assustados e caíram com o rosto em terra. Jesus se aproximou, tocou neles e disse: "Levantai-vos e não tenhais medo".

Os discípulos ergueram os olhos e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus. Quando desciam da montanha, Jesus ordenou-lhes: "Não conteis a ninguém esta visão até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos".

A razão de o Evangelho da Transfiguração do Senhor constar, todos os anos, no itinerário litúrgico quaresmal, depreende-se do contexto em que se deu esse episódio da vida de Cristo: é exatamente antes de subir a Jerusalém para ser crucificado que Ele toma consigo três dos Apóstolos e dá-lhes a conhecer um pouco de sua glória, como se quisesse consolar com essa visão os discípulos, antes que vivenciassem o difícil drama do Calvário. "Saboreando por alguns instantes, por pia providência, o gozo definitivo", comenta nesta linha São Beda, o Venerável, "os discípulos haveriam de suportar com mais fortaleza as adversidades" (S. Th. III, q. 45, a. 1). Isso é verdadeiro também para nós, que passamos pela Quaresma, tempo forte de oração e penitência. Contemplando Jesus glorioso, torna-se-nos muito mais fácil mortificar a própria carne agora e assistir, na Páscoa que se aproxima, à morte na carne do Filho de Deus. Se hoje nos cobrimos de cinzas e vestimos de sacos, é porque um dia também nós, a exemplo de Cristo transfigurado no Tabor, teremos brilhante o rosto como o sol e brancas as roupas como a luz.

Em nossos dias, no entanto, muito pouco se fala do Céu. A consequência trágica disso é que, sem olharmos para a glória futura que nos espera, as cruzes desta vida parecem absurdas e, pouco a pouco, vão se tornando até mesmo esmagadoras. Para muitos, então, sedentos de algo que lhes conforte e anestesie das dores inevitáveis desta existência, é tentadora a ilusão de esquecer-se definitivamente das verdades eternas e transcendentes para apegar-se às mentiras deste mundo, às sensações banais de nossa carne de morte. Deus, eterno, é abandonado e trocado então por um casamento — que finda com a morte —, por um bom trabalho — que finda com uma crise, com a velhice ou com a invalidez — ou pelo culto idolátrico ao próprio corpo — que, no fim, se transformará em um punhado de cinzas. Em suma, nossos contemporâneos não querem o Céu, o qual se alcança após muitos sofrimentos (cf. At 14, 21); o que querem é armar tendas no Tabor — isto é, nesta vida terrenal —, alimentando a imagem de uma vida fácil e sem sofrimentos.

Acontece que, infelizmente, "não sofrer" não é opção nenhuma. Aqui, neste mundo, somos todos herdeiros de Adão e Eva: sofrem igualmente justos e injustos; sofrem casados, sofrem solteiros e sofrem celibatários; sofrem crianças, adultos e anciãos; sofrem homens e mulheres; sofrem, enfim, sem exceção, todos os seres humanos. A escolha que precisa ser feita é se queremos a cruz com Cristo ou sem Ele; se queremos passar pelas dores desta vida ancorados na esperança cristã ou entregues ao desespero dos mundanos.

Pedro, João e Tiago escolheram o caminho de Jesus — cada um a seu modo e com a sua particularidade. Justamente por isso, ensina São João Crisóstomo, foram os três elegidos pelo Senhor como testemunhas de sua transfiguração: "Pedro, que sobressaiu pelo amor a Cristo e pelo poder que lhe foi conferido; João, pelo privilégio do amor com que era amado por Cristo e por causa da virgindade, e pela prerrogativa do ensinamento de seu evangelho; e Tiago, pela prerrogativa do martírio" (S. Th. III, q. 45, a. 3, ad 4). Ao tomar consigo esses discípulos, no entanto, quem Nosso Senhor deseja realmente chamar, para testemunhar a sua glória, somos eu e você: porque somos prediletos dEle, como foi São João; porque precisamos amá-lO, como O amou São Pedro; e porque precisamos pagar o preço desse amor, como pagou com seu sangue o apóstolo Tiago. Intercedam eles por nós, junto ao Cristo, para que sejamos dignos de suas promessas. Amém.

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