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Texto do episódio
01

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 14, 15-21)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 15 Se me amais, guardareis os meus mandamentos, 16 e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: 17 o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós. 18 Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós. 19 Pouco tempo ainda, e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis. 20 Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vós. 21 Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele.

Neste 6.º Domingo da Páscoa, a Igreja proclama o Evangelho de São João, capítulo 14, versículos do 15 ao 21, que apresenta uma promessa consoladora de Jesus aos discípulos e a todos nós: “Não vos deixarei órfãos” (Jo 14, 18).

Como os Apóstolos estavam tristes por sua partida, Cristo afirma que não irá abandoná-los, mas inaugurar uma nova forma de presença em nossas vidas. O Senhor anuncia-lhes então o envio do Espírito Paráclito, que “estará em vós” e, ao mesmo tempo, garante: “Eu [estou] em vós”. 

Isso porque, quando estamos em estado de graça, a Trindade habita em nossa alma. Trata-se de uma verdade central: Deus não está distante, mas vive em nós. Essa presença, porém, não é em si mesma sensível. Não a vemos nem sentimos necessariamente. É uma realidade sobrenatural, acolhida pela fé: Deus permanece em quem a Ele se une pela caridade.

Ora, se é assim, por que, mesmo depois da Confissão, nem sempre percebemos uma mudança interior? Sim, fomos perdoados e estamos na amizade com Deus, mas continuamos a experimentar as mesmas fraquezas. Isso ocorre porque uma coisa é possuir a vida divina e outra é agir segundo ela. Com a graça, recebemos um “organismo espiritual”, uma vida nova que nos torna capazes de amar a Deus. No entanto, essa capacidade permanece como que em potência, ou seja, sem desenvolver-se plenamente, se não houver algo que a transforme em ato.

Podemos comparar essa realidade à condição de uma criança no ventre materno. Ela está viva, recebendo continuamente da mãe a vida que a anima, mas sem exercer em plenitude todas as suas capacidades. Se romper a ligação vital com a mãe, a criança morre. Algo semelhante acontece com a alma: quando se encontra em estado de graça, ela está unida a Deus; mas o pecado grave rompe essa ligação, e a alma passa a trilhar o caminho da morte espiritual.

Uma segunda comparação que nos ajuda a entender: estar em estado de graça é como ter um carro perfeito e em boas condições, mas parado na garagem; ele é capaz de viajar grandes distâncias, mas precisa de algo que o acione e ponha em movimento. O decisivo aqui é a graça atual, uma intervenção divina que nos move a agir e transforma a capacidade em ação concreta. Sem essa ajuda, a vida divina permanece, por assim dizer, como que inativa em nós. Por isso, não basta estar em estado de graça; é necessário receber continuamente os auxílios de Deus para amar efetivamente.

Ora, a graça atual não se adquire por esforço humano nem se “produz” por mérito próprio. Ela deve ser pedida. Precisamos como “mendigos da graça” suplicar a Deus, por meio da oração, essa capacidade de amar como Ele ama.

Mas, para recebermos a graça atual, nossa oração precisa revestir-se de três características: i) a humildade para reconhecer nossa incapacidade de amar a Deus por nossas próprias forças; ii) a confiança na promessa de Deus, porque Jesus disse: “Pedi e recebereis. Batei e abrir-se-vos-á” (Mt 7, 7); iii) e a perseverança na oração para insistirmos sem desanimar, como quem se reconhece totalmente dependente de Deus.

Como nos mostra o Evangelho deste domingo, não estamos pedindo sozinhos, Nosso Senhor está pedindo conosco. Essa é a alegria de sermos membros do Corpo de Cristo. Deus habita e age em nós. O cultivo da vida espiritual consiste nestas duas atitudes fundamentais: conservar, por um lado, a união com Deus (o estado de graça); e, por outro, suplicar constantemente o auxílio divino (a graça atual), para que essa vida se manifeste em atos concretos de caridade sobrenatural. Cristo não nos abandona. Ele mesmo, Mediador perfeitíssimo, intercede por nós e nos concede o seu Espírito Santo. Cabe a nós agora pedir confiantes, sem jamais desfalecer.

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