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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 19, 16-22)

Naquele tempo, alguém aproximou-se de Jesus e disse: “Mestre, que devo fazer de bom para possuir a vida eterna?” Jesus respondeu: “Por que me perguntas sobre o que é bom? Um só é o Bom. Se queres entrar na vida, observa os mandamentos”. O homem perguntou: “Quais mandamentos?” Jesus respondeu: “Não matarás, não cometerás adultério, não roubarás, não levantarás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe, e ama teu próximo como a ti mesmo”.

O jovem disse a Jesus: “Tenho observado todas essas coisas. Que ainda me falta?” Jesus respondeu: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me”. Quando ouviu isso, o jovem foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico.

O jovem rico (cf. Mt 19, 16-22; Mc 10, 17-22; Lc 18, 18-23). — V. 16-17a. Aproximou-se de Jesus certo adolescente (em Lucas, um princeps, “homem de posição”) e o interrogou: “Bom Mestre [1], que devo fazer para possuir a vida eterna?” E Jesus lhe respondeu: “Por que me perguntas sobre o que é bom?” — Em alguns códices de Mateus e também em Marcos e Lucas, lê-se: τί με λέγεις ἀγαθόν = “Por que me chamas bom?”, versão que melhor se ajusta ao que vem na sequência: “Ninguém é bom senão só Deus” [2]; Deus, com efeito, é a própria Bondade incriada, da qual deriva, como de fonte inexaurível, toda bondade criada. Para muitos autores, queria Cristo sugerir que não é apenas bom Mestre, mas também Deus; talvez se possa dizer, mais simplesmente, que Cristo recusou com delicadeza o elogio do jovem ou, quem sabe, lhe repreendeu o costume, muito estendido na época, de cumular os rabinos com louvaminhas excessivas.

V. 17b-21. Para conseguir a vida eterna, é necessário observar os Mandamentos (v.gr., não matar o inocente, não cometer adultério etc.). Ao adolescente seria fácil, a partir disso, subentender os demais preceitos do Decálogo; por isso, ao responder ele com franqueza: “Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade. Que ainda me falta?”, Jesus, nota S. Marcos, “fixou nele o olhar e o amou”, isto é, deu-lhe a entender pelo olhar que o amava, e disse-lhe: “Se queres ser perfeito”, isto é, se queres entrar em estado de vida mais perfeito, “vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro”, isto é, uma copiosa e permanente retribuição “no céu; depois, vem e segue-me” pela imitação das virtudes, mas também por companhia física, como um de meus discípulos. Estas palavras contêm explicitamente dois conselhos evangélicos, a saber: o de pobreza e o de obediência (“vende tudo o que tens […] e segue-me”), e implicitamente também o de celibato voluntário, dado que o perfeito seguimento de Cristo, sem essa condição, é quase impossível.

V. 22. “Quando ouviu isso, o jovem foi embora cheio de tristeza”, pois de ambas as partes se sentia preso: por um lado, pelo desejo de vida mais perfeita e, por outro, pelo amor às riquezas: “era”, de fato, “muito rico” em bens da fortuna [3].

Reflexão. — É somente a graça preveniente que inspira ao homem o desejo de perfeição e santidade, e, embora tenham todos graça suficiente para tornar certa e eficaz a própria eleição, muitos rejeitam as moções do Espírito Santo e, por apego a bens inferiores, deixam de cumprir a vocação a que Deus os tinha chamado. Muitos, assim, “frustram” o desígnio de Deus para suas vidas, quer por amor às riquezas, que prendem o homem à terra e o impedem de alçar os voos da perfeição cristã, quer pelo pecado da acídia, pelo qual se sente um profundo tédio dos bens divinos por causa do esforço que eles quase sempre exigem. Em remédio disso, devem-se exercitar sobretudo três virtudes: a) a temperança no uso dos bens deste mundo, para que não se apossem do nosso coração; b) a religião, não deixando o cansaço vencer nossos deveres para com Deus; c) e a devoção, para alimentar o desejo de entregar-se a Deus cada vez mais, a ponto de termos nele o nosso tudo.

Referências

  1. O vocativo ἀγαθέ não consta em Mateus, mas é certo em Marcos e Lucas. 
  2. A palavra θεός, em Mateus, parece dever-se a uma glosa, mas é parte do texto em Marcos e Lucas.
  3. O texto desta homilia é uma tradução adaptada de H. Simón, Prælectiones Biblicæ. Novum Testamentum. 4.ª ed., iterum recognita a J. Prado. Marietti, 1930, vol. 1, p. 461, n. 327.
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