Quando Cristo chegou ao Brasil...
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 6, 44-51)

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: “Ninguém pode vir a mim, se o pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos Profetas: ‘Todos serão discípulos de Deus’. Ora, todo aquele que escutou o Pai e por ele foi instruído, vem a mim. Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. Em verdade, em verdade vos digo, quem crê possui a vida eterna.

Eu sou o pão da vida. Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer, nunca morrerá. Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”.

Continuamos a leitura do belíssimo discurso de Jesus, no capítulo 6 do evangelho de S. João. Trata-se do discurso do pão da vida. Jesus finalmente começa a falar da Eucaristia. Recordemos que o discurso do pão da vida, assim como a Missa, é dividido em duas partes. Na primeira, Jesus se apresenta como o pão da vida, mas no sentido de pão da Palavra, ou seja, que alimenta através da fé: “Quem crer será salvo” e ressuscitará no último dia. É a salvação que vem pela fé. Se não tivermos fé, não poderemos ter acesso à segunda parte, que são os sacramentos. Somente quem crê verdadeiramente em Jesus, recebe o Batismo e tem uma vida reta, de acordo com os ensinamentos de Cristo, é que pode receber a Eucaristia que Jesus quer nos dar. O Evangelho de hoje conclui com a seguinte frase de Jesus: “Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente, e o pão que eu darei é minha carne para a vida do mundo”. É importante dar-se conta de que, aqui, se está falando de outra vida. De fato, no evangelho de S. João a palavra ζωή , “vida”, é usada sempre em referência, não à vida deste mundo, mas à do próprio Deus. É dela que Jesus está falando. Quando Ele afirma ser o pão vivo, Ele não se refere à vida biológica, como se Ele tivesse a mesma vida que as plantas de um jardim ou os animais de um zoológico ou até mesmo homens como nós. Não, Cristo fala aqui de outra vida: da vida eterna. Ora, quando somos batizados, Deus introduz em nós essa outra vida, qualitativamente superior. É a vida do próprio Deus, que deseja fazer-nos participantes dela. Mas assim como precisamos cuidar de nossa vida material, comendo todos os dias, tomando remédio quando necessário etc., assim também precisamos cuidar da vida espiritual. E para alimentá-la, temos de fazer as duas coisas que estamos meditando nesses dias. Primeiro, ter vida de fé, de oração, de escuta, disposta a mudar de opinião e mentalidade. Isso é converter-se, isso é μετάνοια, conversão, mudança de mentalidade. Nοῦς significa “inteligência”, é a nossa inteligência que tem de ir além, para que mudemos nosso jeito de ser, ouvindo a Deus e crendo nele e em Jesus Cristo. Ao fazermos isso, já começamos de algum modo a receber em nós a vida divina, principalmente quando recebemos o sacramento do Batismo. Mas essa vida precisa ser alimentada, e é aí que entra a Eucaristia: “A minha carne é dada para a vida do mundo”. Ou seja, o cosmos, o mundo não tanto como obra de Deus, mas como realidade pervertida pelo pecado do homem, precisa ser resgatado da morte. Os nossos primeiros pais, Adão e Eva, comeram um fruto envenenado; agora, precisamos comer outro alimento, que dê a vida verdadeira. É Jesus, a carne que Ele dará no sacrifício da cruz para a vida do mundo. É extraordinário. Aqui está exatamente o núcleo da Eucaristia.

Hoje, dia 22 de abril, celebra-se o descobrimento do Brasil. Há 521 anos, os navegadores portugueses avistaram ao longe uma montanha, o Monte Pascal, lá na Bahia. Passados uns dias em terra, resolveram celebrar a primeira Missa, no dia 26 do mesmo mês. Isso é um evento de primeira importância, de uma transcendência que não temos como dimensionar. Pela primeira vez, a redenção, a vida eterna, veio para o Brasil! Até então, só havia por aqui vida material, humana, biológica. Claro, as almas dos índios eram imortais; mas, sem a redenção de Cristo, obstinadas em seus pecados, estavam condenadas ao inferno. Agora, porém, com os navegadores portugueses, chega enfim a vida eterna às nossas terras. Quando o frei Henrique de Coimbra ergueu pela primeira vez a hóstia consagrada nas praias da Bahia, Cristo, com o seu sacrifício redentor, disse aos brasileiros o mesmo que diz hoje no Evangelho: “A minha carne dada para a vida do mundo”. É o sacrifício da cruz. O Calvário veio até nós, e agora nós podemos, unidos a esse sacrifício de amor de Jesus na Missa, alimentar-nos do pão da vida, da Eucaristia, comer do pão que nos fará viver eternamente com a vida de Deus. Temos, pois, de render graças a Ele! O descobrimento do Brasil, para historiadores “mundanos” e seculares, pode ser considerado um “triunfo das navegações portuguesas” ou, na avaliação de alguns marxistas, uma “invasão dos europeus” no continente americano. Dê-se-lhe o nome que se queira… O fato é que, espiritualmente, a Eucaristia é de verdade a entrada da vida eterna! Deus em pessoa, Cristo ressuscitado, pôs os pés em nosso país e veio salvar-nos, veio arrancar-nos das garras do demônio e da perdição. Por isso, ler o discurso do pão da vida nesta data tão importante é dar-nos conta do quanto fomos agraciados. Cristo na Eucaristia veio até nós e espera de nós uma resposta, uma resposta de mudança de vida, de mentalidade na fé, e de comportamento no nosso dia a dia, observando os Mandamentos de Deus e correspondendo ao amor infinito que Cristo manifestou na santa cruz. Que Deus abençoe o nosso país, nos dê a graça de correspondermos à vocação sobrenatural que o Brasil recebeu, ao receber seus primeiros cristãos e a Eucaristia como dom, pão vivo descido do céu.

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