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A virtude do justo manifesta-se na provação

“Quando os discípulos o viram andando sobre o mar, pensaram que era um fantasma e começaram a gritar. Com efeito, todos o tinham visto e ficaram assustados. Mas Jesus logo falou: ‘Coragem, sou eu! Não tenhais medo’. Então subiu com eles na barca, e o vento cessou.”

Texto do episódio
421

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 6, 45-52)

Depois de saciar os cinco mil homens, Jesus obrigou os discípulos a entrarem na barca e irem na frente para Betsaida, na outra margem, enquanto ele despedia a multidão. Logo depois de se despedir deles, subiu ao monte para rezar.
Ao anoitecer, a barca estava no meio do mar e Jesus sozinho em terra. Ele viu os discípulos cansados de remar, porque o vento era contrário. Então, pelas três da madrugada, Jesus foi até eles andando sobre as águas, e queria passar na frente deles.
Quando os discípulos o viram andando sobre o mar, pensaram que era um fantasma e começaram a gritar. Com efeito, todos o tinham visto e ficaram assustados. Mas Jesus logo falou: “Coragem, sou eu! Não tenhais medo!” Então subiu com eles na barca, e o vento cessou. Mas os discípulos ficaram ainda mais espantados, porque não tinham compreendido nada a respeito dos pães. O coração deles estava endurecido.

No Evangelho de hoje, Jesus, ao realizar o milagre da multiplicação dos pães, manda seus discípulos subirem na barca e atravessarem o mar sem Ele. Ao anoitecer, Ele os avista de longe e vê que estão sofrendo por terem de remar contra o vento. Então, Nosso Senhor lhes aparece no meio da noite andando sobre as águas e os deixa apavorados, pois acharam que se trata de um fantasma. Contudo, Ele entra na barca e, imediatamente, o vento cessa, deixando os Apóstolos ainda mais perplexos, visto que também não tinham compreendido o milagre da multiplicação dos pães.

É interessante meditarmos sobre os temas principais deste Evangelho, para compreendermos algo que é muito importante em nossas vidas: Deus nos dá a sua graça e a energia necessária para atravessarmos o deserto deste mundo, mas não com facilidades. 

Ora, qual é a ideia que está por trás de “remar contra o vento”? Em português, traduz-se que os discípulos estavam “cansados”, mas, no original grego, é dito que ele estavam “sofrendo”, basanizomenous [βασανιζομένους]— expressão baseada na palavra basanos, que quer dizer “pedra de toque” (uma pedra preta usada para verificar a pureza de um metal. Para isso, faz-se um risco na pedra com o metal; depois a cor deixada é comparada com a de um metal verdadeiro). 

Portanto, os Apóstolos estavam passando por aquele sofrimento para que fosse “aquilatada” a pureza de seus corações e o amor deles por Jesus. Assim também nós devemos passar pelas provações de Deus, não porque Ele goste de nos ver sofrendo, mas porque a virtude dos justos só se manifesta nas dificuldades.  

Infelizmente, os discípulos não tiveram fé o suficiente naquele momento e, como diz o Evangelho de hoje, os seus corações estavam “endurecidos”. Era esperado que a expressão “coração endurecido”, no grego original, fosse designada pelo termo sklērokardía (σκληροκαρδία), mais usado para indicar esse problema. No entanto, Marcos usa a palavra pepōrōménēn (πεπορωμένην), utilizada para a pele que se tornou dura e calosa. Portanto, os discípulos tinham um coração insensível e não percebiam a Verdade a respeito de Jesus. 

E nós? Será que, com as provações do dia a dia, somos capazes de reconhecer Cristo quando Ele vem? Ou temos um coração tão endurecido que vamos nos assustar com a sua divina presença, achando que Ele é um fantasma? Peçamos, então, a graça de enxergarmos Nosso Senhor quando Ele faz milagres a nosso favor, mas também ao sermos obrigados a passar pelas provações que revelarão as nossas virtudes.

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