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Texto do episódio
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 1,7-11)

Naquele tempo, João pregava, dizendo: “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo”. Naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia, e foi batizado por João no rio Jordão. E logo, ao sair da água, viu o céu se abrindo, e o Espírito, como pomba, descer sobre ele. E do céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho meu bem-querer”.

Estamos no dia 6 de janeiro, e o calendário da Igreja universal celebra hoje a solenidade da Epifania do Senhor, transferida no Brasil para o domingo seguinte. Mesmo assim, a leitura facultativa para o dia de hoje, embora não seja dia da Epifania, nos fala de uma das manifestações de Jesus.

Na Epifania, celebram-se três manifestações de Jesus. A primeira é a manifestação aos magos; depois a manifestação no Batismo de João e, finalmente, a manifestação nas bodas de Caná.

A Tradição da Igreja coloca essas três epifanias em datas coincidentes. Tradicionalmente, crê-se que Jesus, no mesmo dia em que os magos o adoraram, foi batizado e, um ano mais tarde, realizou seu primeiro milagre em Caná da Galileia.

É nisso que piedosamente crê a Tradição da Igreja. Evidentemente, não é necessário crer nesta coincidência cronológica, embora os Padres da Igreja e os escritores escolásticos a admitam.

Seja como for, o importante para nós não é a coincidência de datas, mas a coincidência teológica e espiritual.

Por quê? Porque, de fato, Jesus se manifesta. É necessário que Ele nos mostre um pouco a sua verdade, isto é, a sua identidade escondida. Aqui entra o testemunho de São João Batista, quando o Evangelho nos diz que ele verdadeiramente batizava com água, mas que viria outro que batizaria no Espírito Santo, alguém mais forte do que ele e cujas sandálias não era digno de desatar.

São Marcos, com muita brevidade, narra a cena do Batismo de Jesus: abrem-se os céus, e o Espírito Santo, em forma de pomba, paira sobre Jesus, enquanto Deus declara: “Tu és o meu Filho bem amado”.

Eis a manifestação trinitária durante o Batismo. Por isso somos chamados a crer que aquela criança nascida no Natal, em Belém, é a própria presença de Deus entre nós. Ele é o Emanuel! E sendo Ele a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, onde Ele está estão as outras duas Pessoas.

A Trindade está sempre onde está Jesus. Isso tem para nós uma consequência espiritual muito clara: quando somos batizados, nós nos unimos a Jesus de forma extraordinária, tornando-nos parte de seu Corpo.

Daí que exista uma presença dele em nós, pois a sua humanidade passa a nos tocar o tempo todo. Ora, porque essa santíssima humanidade está em contato conosco, ela traz consigo a presença de toda a Trindade.

Em síntese, se estamos em estado de graça, isto é, na amizade de Deus, em nós habita a Trindade, mas não de forma genérica. Ela habita da seguinte maneira: porque somos tocados por Jesus, Aquele que batiza no Espírito Santo, a Trindade está em nós.

Quando vamos rezar, podemos procurar Jesus naquele mesmo lugar em que sabemos ser tocados por Ele na hora da Comunhão. Quando comungamos, sabemos que Jesus ressuscitado está nos tocando fisicamente.

No mesmo lugar em que Ele nos toca na Comunhão podemos buscá-lo na hora da oração e em qualquer momento do dia. Nessa ação de Cristo em nós está envolvida toda a Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo.

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