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Homilia Dominical
8 Out 2015 - 28:17

Como é difícil entrar no Reino de Deus!

“Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?” Dois mil anos depois de Cristo, a famosa pergunta do jovem rico continua a ecoar nos corações dos homens. O que fazer para conseguir a salvação? É verdade que, para ir para o Céu, “basta ser bom” e não cometer grandes pecados? Qual o verdadeiro itinerário indicado pelo Evangelho para ascender à perfeição? Descubra como trilhar o difícil caminho da “infância espiritual” e aprenda a chegar lá, auxiliado pela graça de Deus.
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Homilia Dominical - 8 Out 2015 - 28:17

Como é difícil entrar no Reino de Deus!

“Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?” Dois mil anos depois de Cristo, a famosa pergunta do jovem rico continua a ecoar nos corações dos homens. O que fazer para conseguir a salvação? É verdade que, para ir para o Céu, “basta ser bom” e não cometer grandes pecados? Qual o verdadeiro itinerário indicado pelo Evangelho para ascender à perfeição? Descubra como trilhar o difícil caminho da “infância espiritual” e aprenda a chegar lá, auxiliado pela graça de Deus.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 10, 17-30)

Naquele tempo, quando Jesus saiu a caminhar, veio alguém correndo, ajoelhou-se diante dele e perguntou: "Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?" Jesus disse: "Por que me chamas de bom? Só Deus é bom, e mais ninguém. Tu conheces os mandamentos: não matarás; não cometerás adultério; não roubarás; não levantarás falso testemunho; não prejudicarás ninguém; honra teu pai e tua mãe". Ele respondeu: "Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude". Jesus olhou para ele com amor, e disse: "Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!" Mas quando ele ouviu isso, ficou abatido e foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico. Jesus então olhou ao redor e disse aos discípulos: "Como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus!" Os discípulos se admiravam com estas palavras, mas ele disse de novo: "Meus filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus! É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!" Eles ficaram muito espantados ao ouvirem isso, e perguntavam uns aos outros: "Então, quem pode ser salvo?" Jesus olhou para eles e disse: "Para os homens isso é impossível, mas não para Deus. Para Deus tudo é possível". Pedro então começou a dizer-lhe: "Eis que nós deixamos tudo e te seguimos". Respondeu Jesus: "Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna.

O contexto da leitura desse domingo está na afirmação de Jesus, dada na última semana, de que “quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele” (Mc 10, 15). Imobilizado pelo enigma dessa sentença, o jovem rico do Evangelho vai atrás de uma explicação e pergunta a Jesus: “Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?” (v. 17), como se dissesse: Em que consiste isso de “receber o Reino de Deus como uma criança”?

A primeira resposta de Jesus diz respeito às condições necessárias para ser salvo, que são os Dez Mandamentos – resumidos pela doutrina cristã em dois: o primeiro, relativo a Deus, manda que O amemos com todas as nossas forças (cf. Dt 6, 5); e o segundo, relativo ao próximo, manda que o amemos como a nós mesmos (cf. Lv 19, 18).

A resposta do jovem é sincera: “Mestre – diz ele –, tudo isso tenho observado desde a minha juventude” (v. 20). Só o fato de observar o Decálogo já faz com que Cristo olhe para aquele rapaz “com amor” (v. 21). Com isso, Nosso Senhor, ao mesmo tempo em que reconhece a sua obediência e a sua boa vontade, demonstra como o amor de Deus precede à nossa iniciativa (cf. 1 Jo 4, 19).

Depois de fitá-lo com amor, então, Jesus dá uma segunda resposta ao jovem rico: “Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!” (v. 21). Aqui, as palavras de Nosso Senhor vão além: para segui-Lo, de fato, mais do que a simples salvação, é preciso buscar a santidade; não basta que cumpramos as nossas obrigações, mas que generosamente nos desapeguemos deste mundo e – sursum corda! – elevemos os nossos corações ao Alto. O que o Concílio Vaticano II faz, ao afirmar a vocação universal à santidade na Igreja, é justamente confirmar esse chamado de Cristo ao amor e à perfeição, independentemente do estado de vida em que nos encontremos.

A reação do jovem às palavras do Mestre – “quando ele ouviu isso, ficou abatido e foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico” (v. 22), narra o evangelista – é ocasião para que Ele ensine uma verdade importante: “Meus filhos – Ele diz –, como é difícil entrar no Reino de Deus!” (v. 24). A frase de Cristo é límpida e dispensa comentários. Mesmo assim, seguem-no, de modo unânime, todos os Padres e Doutores da Igreja, em todos os tempos e lugares. Cabe aos teólogos modernos se apresentarem e explicarem as suas invencionices, como a doutrina do infierno vuoto ou as afirmações mais ou menos presunçosas de que, para salvar-se, “basta ser bom” ou não cometer grandes pecados.

Na verdade, grandes e tremendas são as exigências do Evangelho e, diante delas, até mesmo os pobres discípulos de Cristo se queixam, aterrorizados: “Então, quem pode ser salvo?” (v. 26). Ao seu espanto, Nosso Senhor responde indicando a necessidade do auxílio da graça divina para a salvação humana: “Para os homens isso é impossível, mas não para Deus. Para Deus tudo é possível” (v. 27).

É verdade, pois, que “é difícil entrar no Reino de Deus”, mas, com a ajuda da Sua graça, “tudo é possível”. É ela, primeiro, que abre o coração do homem à fé e vai fazendo com que, pouco a pouco, ele se purifique de suas faltas mais grosseiras (os pecados mortais), até que ele possa dizer, com o jovem rico: “Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude”. É também ela que, depois, nos torna generosos no amor e na oração e nos faz ir crescendo mais e mais na “via purgativa” dos iniciantes. É essa mesma graça, por fim, que purifica ativamente as almas mais progredidas, que estão na “via iluminativa”, e as fazem caminhar a passos largos na santidade.

Nas pessoas de vida ativa, todas essas “purificações” de Deus estão escondidas nas mais variadas provações desta vida – desde calúnias e perseguições até os acidentes e tragédias a que todos estamos sujeitos. Para a nossa natureza decaída pelo pecado e agitada pelas vaidades deste mundo, de fato, não há outro caminho senão o da Cruz para nos fazer chegar à infância espiritual de que fala o Evangelho: assim como viemos ao mundo pobres e sem nenhuma preocupação terrena, é assim que devemos ir ao encontro de Deus, no Céu.

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