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Homilia Dominical
19 Out 2019 - 27:42

Deus quer intercessores!

Se Deus já sabe o que é bom para nós, por que precisamos pedir e até ser insistentes? Qual o sentido de “rezar sempre, e nunca desistir”? Assim como Deus onipotente quis precisar da súplica de Moisés, Aarão e Ur para dar ao povo de Israel a vitória sobre os amalecitas, também hoje, é por intercessão de Nosso Senhor e de seus sacerdotes que a Igreja obtém e obterá a vitória sobre seus inimigos. Assista à homilia deste domingo do Padre Paulo Ricardo e saiba como também você pode participar desse combate da oração.
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Homilia Dominical - 19 Out 2019 - 27:42

Deus quer intercessores!

Se Deus já sabe o que é bom para nós, por que precisamos pedir e até ser insistentes? Qual o sentido de “rezar sempre, e nunca desistir”? Assim como Deus onipotente quis precisar da súplica de Moisés, Aarão e Ur para dar ao povo de Israel a vitória sobre os amalecitas, também hoje, é por intercessão de Nosso Senhor e de seus sacerdotes que a Igreja obtém e obterá a vitória sobre seus inimigos. Assista à homilia deste domingo do Padre Paulo Ricardo e saiba como também você pode participar desse combate da oração.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 18, 1-8)

Naquele tempo, Jesus contou aos discípulos uma parábola, para mostrar-lhes a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir, dizendo: “Numa cidade havia um juiz que não temia a Deus, e não respeitava homem algum. Na mesma cidade havia uma viúva, que vinha à procura do juiz, pedindo: ‘Faze-me justiça contra o meu adversário!’ Durante muito tempo, o juiz se recusou. Por fim, ele pensou: ‘Eu não temo a Deus, e não respeito homem algum. Mas esta viúva já me está aborrecendo. Vou fazer-lhe justiça, para que ela não venha a agredir-me!’”

E o Senhor acrescentou: “Escutai o que diz este juiz injusto. E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? Será que vai fazê-los esperar? Eu vos digo que Deus lhes fará justiça bem depressa. Mas o Filho do homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?”

Meditação. — 1. No Evangelho deste domingo, Jesus conta a parábola do juiz injusto para mostrar aos seus discípulos a importância da oração e da humilde perseverança. O juiz da parábola era um homem irreverente, que não temia a Deus nem respeitava homem algum. Mas, diante da insistência de uma pobre viúva, ele se viu constrangido a atender-lhe, pois já não suportava mais ouvi-la choramingar aos seus pés. “Vou fazer-lhe justiça”, decidiu o juiz, “para que ela não venha a agredir-me”.

A oração persistente é a tônica do ensinamento de Nosso Senhor. Ele explica, por meio de uma parábola, como Deus está disposto a nos agraciar com os seus dons e a sua misericórdia, porque se um juiz injusto atende a uma pobre viúva, quanto mais o Pai dos Céus, que ama os seus filhos e deseja salvá-los, não atenderá àqueles que o procuram? “E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? Será que vai fazê-los esperar?”

Deus, contudo, espera a nossa oração perseverante para verificar a qualidade de nosso amor. Desde o início, Ele já conhece as nossas necessidades e sabe, melhor do que nós mesmos, o que precisamos. Se, portanto, nós não somos imediatamente correspondidos em nossas súplicas, é porque o Senhor, como ensina Santo Tomás de Aquino, deseja também a nossa união com Ele. Afinal de contas, fomos eleitos pela graça para participarmos do amor de Deus. E é por isso que precisamos pedir insistentemente pela misericórdia divina.

Na oração de uma alma em estado de graça, Deus Pai enxerga o seu próprio Filho, que veio a este mundo e intercedeu por cada um dos homens e mulheres. Unidos, pois, a Jesus, nós podemos rezar humilde e eficazmente, porque somente o Filho unigênito possui um Coração agradável a Deus. Essa união acontece por meio da Igreja, Corpo Místico de Cristo, que é simbolizada pela viúva da parábola. Como essa humilde senhora, a Igreja deve suplicar a misericórdia e a justiça contra seus adversários. E o Pai dos Céus verá nessa oração a de seu próprio Filho Jesus, em quem Ele pôs a sua afeição.

2. Fomos eleitos pela graça para sermos, com Jesus, instrumentos da misericórdia divina. Sem essa eleição e a intervenção de Jesus, estaríamos todos arruinados, porque somente Cristo pode impedir a ira divina sobre nós, suplicando na cruz: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23, 24).

Na primeira leitura da missa, essa oração perseverante e de intercessão já aparece prefigurada em Moisés. Para vencer os amalecitas, ele se pôs a orar insistentemente, e enquanto “conservava a mão levantada, Israel vencia; quando abaixava a mão, vencia Amalec”. Os sacerdotes Aarão e Ur, então, puseram uma pedra debaixo de Moisés, para que se sentasse, e seguraram as suas mãos erguidas, até finalmente vencerem “Amalec e sua gente a fio de espada”.

Na cruz, Jesus também permaneceu de braços abertos e intercedeu por cada um dos filhos de Deus. Agora Ele intercede pelas batalhas da Igreja e nos conclama a segurarmos seus braços estendidos, a fim de que tenhamos parte na sua gloriosa vitória. O Leão da Tribo de Judá vencerá sobre os adversários da Santa Igreja e, por isso, pede apenas que tenhamos a mesma fé e constância dos justos que, como a viúva da parábola, suplicam a Deus: “Até quando tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar o nosso sangue contra os habitantes da terra?” (Ap 6, 10). E o Senhor lhes promete a certeza da vitória.

Sim, Jesus vencerá. E as lutas que a Igreja vive contra o mundo, o diabo e a carne não lhe são alheias. Do céu, Ele permanece com os braços abertos, intercedendo por nós e nos conduzindo à vitória definitiva sobre as hostes infernais. De nossa parte, resta a perseverança na oração, porque quando o Filho do Homem voltar, Ele nos pergunta, “será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?”

3. Diante das tribulações da Igreja, somos tentados a abandonar a jornada, como se Cristo já não houvesse vencido o maligno. Ora, é nesse momento de tribulação que Nosso Senhor conta com nossa perseverança, como Moisés contou com os braços de Aarão e Ur para apoiá-lo. Neste sentido, os sacerdotes têm uma missão especialíssima de suportar as dores do Corpo Místico de Jesus, unindo-se a Ele em sacrifício, como prometeram no dia da ordenação, quando o bispo lhes perguntou: “Queres implorar, juntamente conosco, a misericórdia divina para o povo a ti confiado, cumprindo sem desfalecer o mandato de orar?”

Os sacerdotes devem, pois, ser fiéis a esse chamado de oração, celebrando toda a Liturgia das Horas e os demais compromissos de sua missão, sobretudo a Eucaristia. Desse modo, eles podem unir-se a Jesus na obra redentora. Na mensagem de Nossa Senhora de La Salette, muitos padres são censurados por não oferecerem sacrifícios pelos seus fiéis e, com isso, atraírem a ira divina sobre eles. Também Santo Tomás de Aquino adverte a respeito dos frutos de uma Missa celebrada por um mau padre. Embora a Missa seja sempre de Nosso Senhor Jesus Cristo e, portanto, “não vale menos a Missa de um sacerdote mau que a de um bom, pois ambos celebram o mesmo sacramento”, é igualmente verdade, “quanto à eficácia que tiram da devo­ção do sacerdote que as reza, que a Missa de um sacerdote melhor é mais frutuosa” (Suma Teológica, III, q. 82, a. 6).

Seja como for, Deus conta com a fidelidade de sacerdotes e leigos para exercer a sua obra salvífica, uma vez que Ele mesmo nos elegeu para clamarmos dia e noite: “Senhor, tende misericórdia do teu povo”.

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