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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 4, 1-11)

Naquele tempo, o Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo. Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites, e, depois disso, teve fome. Então, o tentador aproximou-se e disse a Jesus: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães!” Mas Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus’”. Então o diabo levou Jesus à Cidade Santa, colocou-o sobre a parte mais alta do Templo, e lhe disse: “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo! Porque está escrito: ‘Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito, e eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’”. Jesus lhe respondeu: “Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus!’” Novamente, o diabo levou Jesus para um monte muito alto. Mostrou-lhe todos os reinos do mundo e sua glória, e lhe disse: “Eu te darei tudo isso, se te ajoelhares diante de mim, para me adorar”. Jesus lhe disse: “Vai-te embora, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás ao Senhor, teu Deus, e somente a ele prestarás culto’”. Então o diabo o deixou. E os anjos se aproximaram e serviram a Jesus.

Meditação. — 1. Neste 1.º Domingo da Quaresma, contemplamos Jesus que vai ao deserto ser tentado durante quarenta dias, e a Igreja que, imitando seu divino Esposo, entra no tempo quaresmal a fim de se preparar para a batalha espiritual que ocorre durante toda esta peregrinação terrestre.

No Evangelho deste domingo, São Mateus relata a tentação de Cristo logo após o episódio do seu batismo. No Comentário ao Evangelho de São Mateus, Santo Tomás de Aquino nos explica que essa ordem da narrativa — batismo, seguido da tentação — reflete aquilo que profeticamente havia ocorrido com o povo de Deus, no Antigo Testamento: a passagem pelas “águas batismais” do Mar Vermelho primeiro, e os quarenta anos em que permaneceram no deserto e foram tentados, depois. Da mesma forma, também nós passamos pelas águas do batismo, sendo libertos da escravidão do demônio; porém, precisamos continuar lutando espiritualmente para resistir às tentações.

Essa relação entre nós e o povo de Deus é evidente. Mas, Jesus, sendo o Filho de Deus, não precisava ser batizado nem tentado. Inclusive, devido a isso, há alguns que duvidam da tentação de Jesus, e outros que a utilizam para negar sua natureza divina. No entanto, Santo Tomás, recordando o ensinamento de São Gregório Magno, esclarece que existem três formas de sermos tentados: i) a tentação externa realizada pelo demônio; ii) a tentação interna que a pessoa sente; iii) e a tentação interna com a qual ela consente. A tentação pela qual Jesus pode ter passado é apenas a primeira, que não afeta nem diminui em nada sua natureza divina.

O Evangelho relata que “o Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo” (Mt 4, 1). Aqui, vemos que Cristo se dirige ao demônio porque este não tinha poder de ir até Cristo. Então, Nosso Senhor coloca-se à disposição da tentação, por amor a nós que somos tentados e necessitamos de seu auxílio. Conforme esclarece Santo Tomás, o Espírito Santo, igual ao Filho em tudo, é o Espírito de amor pelo qual Ele se move: “Os seres humanos, portanto, são verdadeiramente conduzidos pelo Espírito Santo quando são movidos pela caridade”. Jesus vai ao deserto movido por caridade, porque era necessário que Ele vencesse Satanás nas tentações do deserto, a fim de que participássemos de sua vitória.

O amor impeliu Jesus porque Ele, como Filho de Deus, realiza as obras do Espírito Santo. E como, pelo batismo, tornamo-nos filhos no Filho, também precisamos, nesta vida, lutar contra as tentações. Assim, todas as vezes que superamos as tentações demoníacas, não o fazemos por nossas próprias forças, mas pela vitória conquistada por Cristo, ao vencer o demônio no deserto.

2. A Carta aos Hebreus nos recorda que “não temos nele (Jesus) um pontífice incapaz de compadecer-se das nossas fraquezas. Ao contrário, passou pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado” (Hb 4, 15). Aqui, está implícita uma comparação com Aarão, sacerdote do Antigo Testamento que, juntamente com o povo de Deus no deserto, caiu em apostasia, fundindo um bezerro de ouro para ser idolatrado (cf. Ex 32, 1-35). Enquanto Aarão é o sumo sacerdote que foi tentado e caiu, Jesus é o sumo sacerdote que, diante da tentação, saiu vitorioso. Mesmo se compadecendo de nossas fraquezas, Nosso Senhor permaneceu fiel.

Já nós, apesar de estarmos unidos a Cristo e sermos filhos de Deus por meio dele, precisamos nos recordar que esta vida é uma batalha constante para permanecer na graça de Deus. E o tempo da Quaresma é uma espécie de “campo de treinamento” em que, através de exercícios espirituais, preparamo-nos durante quarenta dias para as lutas e provações desta vida. Permaneçamos vigilantes e fiéis, pois, durante essa preparação quaresmal, o demônio ficará nos rodeando como “um leão a rugir, procurando a quem devorar” (1Pd 5, 8), aguardando o primeiro momento de fraqueza para nos atacar.

Neste tempo intenso de oração, penitência e desapego, estamos lutando junto com Cristo, que nos concede a graça e a eficácia da nossa luta. E é neste tempo específico que precisamos colher frutos espirituais para a vida toda. Não desanimemos, pois Cristo está conosco no deserto. Vivamos bem esta Quaresma e continuemos lutando contra as tentações a fim de um dia nos unirmos Àquele que, por amor a nós, venceu o tentador.

Oração. — Senhor Jesus Cristo, Vós que, por amor a nós, fostes ao deserto ser tentado para conquistar a nossa vitória, ajudai-nos nesta Quaresma a permanecermos fiéis diante das tentações do maligno. Assim seja. 

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