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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 4, 38-44)

Naquele tempo, Jesus saiu da sinagoga e entrou na casa de Simão. A sogra de Simão estava sofrendo com febre alta, e pediram a Jesus em favor dela. Inclinando-se sobre ela, Jesus ameaçou a febre, e a febre a deixou. Imediatamente, ela se levantou e começou a servi-los.

Ao pôr-do-sol, todos os que tinham doentes atingidos por diversos males, os levaram a Jesus. Jesus punha as mãos em cada um deles e os curava. De muitas pessoas também saíam demônios, gritando: “Tu és o Filho de Deus”. Jesus os ameaçava, e não os deixava falar, porque sabiam que ele era o Messias.

Ao raiar do dia, Jesus saiu e foi para um lugar deserto. As multidões o procuravam e, indo até ele, tentavam impedi-lo de as deixar. Mas Jesus disse: “Eu devo anunciar a Boa Nova do Reino de Deus também a outras cidades, porque para isso é que eu fui enviado”. E pregava nas sinagogas da Judeia.

Circunstâncias.a) De tempo. Mateus situa logo após a cura do servo do centurião a narração da cura da sogra de Pedro; mas Marcos e Lucas, que costumam seguir mais fielmente a ordem cronológica, a colocam depois da cura do endemoniado da sinagoga de Cafarnaum: “Assim que (lt. protinus; gr. καὶ εὐθὺς) saíram da sinagoga, dirigiram-se […] à casa de Simão” (Mc 1, 29). — De lugar. Como Pedro e André fossem cidadãos de Betsaida (cf. Jo 1, 44), e se fale da casa de Pedro e André na narração, dizem alguns autores que o milagre teria ocorrido em Betsaida. No entanto, Marcos e Lucas ensinam de modo explícito que Jesus foi direto da sinagoga (de Cafarnaum) para a casa de Simão, o que não poderia ter acontecido, é claro, em duas cidades distintas. Há, portanto, duas respostas possíveis para essa dificuldade: a) ou Pedro e André, oriundos de Betsaida, moravam em Cafarnaum, b) ou moravam de fato em Betsaida, mas como tinham de permanecer por muito tempo ou com frequência em Cafarnaum por causa dos negócios, teriam ali algum tipo de domicílio de passagem, provavelmente na casa da sogra de Simão.

Explicação do texto (cf. Mt 8, 14-17). — V. 14-15. Foi então Jesus à casa de Pedro (a pedido ou do próprio Pedro ou de alguém da mesma família), cuja sogra estava de cama (isto é, numa esteira de junco estendida no chão, como era costume à época), com febre (em Lucas: sofrendo com febre alta, πυρετῷ μεγάλῳ). E (em Marcos: Aproximando-se Ele; em Lucas: Inclinando-se sobre ela) tomou-lhe a mão (acrescenta Marcos: e levantou-a, e Lucas: ordenou Ele à febre), e a febre a deixou. Ela levantou-se e pôs-se a servi-los.

V. 16. Pela tarde (Marcos e Lucas acrescentam: Depois do pôr do sol), isto é, passado já o dia de sábado, trouxeram a Cristo todos os que sofriam de algum mal, para que Ele lhes impusesse as mãos, de modo que a cidade inteira se reuniu diante da porta da casa de Pedro. Baseados no que diz Marcos: Ele curou muitos, concluem alguns autores que nem todos foram curados, senão que alguns doentes, seja por falta de disposição, seja pela hora já avançada, seja enfim por qualquer outra razão, teriam sido mandados embora. Mas insinuam o contrário tanto Mateus, que diz: curou todos os enfermos, quanto Lucas, segundo o qual Jesus, impondo-lhes a mão, isto é, a cada um, os sarava. Onde Marcos diz muitos, portanto, deve-se entender todos.

V. 17. Assim se cumpriu a predição do pro­feta Isaías: Tomou as nossas enfermidades e sobrecarregou-se dos nossos males (Is 53, 4). As palavras são citadas conforme o texto hebraico. O sentido pretendido pelo profeta é: o Messias tomou, isto é, assumiu em si as enfermidades e dores que nós mesmos deveríamos suportar por nossos pecados [1]. Para que o evangelista não pareça desviar-se do sentido da profecia, excogitaram-se três possibilidades: a) Mateus utiliza o texto em sentido acomodatício (é a sentença, v.gr., de Maldonado); b) admitida a teoria — defendida por alguns intérpretes — do duplo sentido literal, Mateus quis ver nas mesmas palavras um sentido distinto do pretendido pelo profeta; c) Mateus cita o texto segundo o mesmo sentido que o profeta ou, antes, em um sentido que se deduz, por raciocínio, do sentido literal. Cristo, ao expiar a pena dos pecados, recebeu também o poder de purificar os próprios pecados, assim como as sequelas do pecado, a saber: as enfermidades, doenças, dores etc.; e, por consequência, ao curar enfermidades e dores corporais, Cristo mostrava claramente estar assumindo em si mesmo os nossos pecados [2].

Reflexão espiritual. — Duas coisas nos ensina a entrada de Cristo na casa de Simão: 1) quem acolhe Cristo em sua vida, confiando-lhe tudo o que tem, jamais é defraudado nem perde o que entregou, mas ganha muito mais, pois ganha o tudo que é Nosso Senhor: “Jesus ameaçou a febre, e a febre a deixou” (Lc 4, 39); 2) Jesus se instala em nossa vida para desinstalar-nos dos nossos pecados: “Ela se levantou”, e exigir-nos, como dever de gratidão e resposta natural de amor, a disponibilidade de O servirmos em tudo quanto for de seu interesse e de sua Igreja: “E começou a servi-los” (ibid.). “Eia pois”, escreve S. João Crisóstomos, “recebamos também nós a Jesus. Quando Ele entrar em nós, tê-lO-emos em mente e coração, e então extinguirá Ele a chama das vontades desvairadas, e nos excitará e fará valentes em espírito para O servirmos, isto é, para levarmos a cabo o que é do seu agrado” (In Lucam 4, 38).

Referências

  1. Em que sentido deva entender-se isso, explicam-nos com mais detalhe as aulas 15 e 16 do nosso curso Quem é Jesus?
  2. O texto desta homilia é uma versão levemente adaptada de H. Simón, Prælectiones Biblicæ. Novum Testamentum. 4.ª ed., iterum recognita a J. Prado. Turini: Marietti, 1930, vol. 1, pp. 272–273, n. 178.
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