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Homilia Dominical
1 Abr 2016 - 27:29

Felizes os que creram sem ter visto!

O Evangelho deste domingo lembra a figura de São Tomé e proclama “bem-aventurados os que creram sem ter visto”. A experiência desse apóstolo, que saiu de uma busca simplesmente sensível para a transcendência da fé, transitando da incredulidade à confissão da divindade de Cristo, deve servir-nos de exemplo em nossa caminhada espiritual.
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Homilia Dominical - 1 Abr 2016 - 27:29

Felizes os que creram sem ter visto!

O Evangelho deste domingo lembra a figura de São Tomé e proclama “bem-aventurados os que creram sem ter visto”. A experiência desse apóstolo, que saiu de uma busca simplesmente sensível para a transcendência da fé, transitando da incredulidade à confissão da divindade de Cristo, deve servir-nos de exemplo em nossa caminhada espiritual.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo
20, 19-31)

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: "A paz esteja convosco".

Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor.

Novamente, Jesus disse: "A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio".

E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: "Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos".

Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros discípulos contaram-lhe depois: "Vimos o Senhor!"

Mas Tomé disse-lhes: "Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei".

Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: "A paz esteja convosco".

Depois disse a Tomé: "Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel".

Tomé respondeu: "Meu Senhor e meu Deus!"

Jesus lhe disse: "Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!"

Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.

*

Neste domingo, a liturgia proclama o Evangelho da aparição de Cristo Ressuscitado a São Tomé. A princípio, esse apóstolo queria uma experiência sensível com o Senhor: "Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei" (v. 25). Depois, no entanto, ele faz a mais bela e perfeita profissão de fé do Novo Testamento, reconhecendo explicitamente o senhorio e a divindade de Cristo: "Meu Senhor e meu Deus!" (v. 28). Contemplando com os olhos a humanidade gloriosa de Jesus, São Tomé transcende, vai além, e crê que aquele homem é, ao mesmo tempo, Deus e Senhor.

A experiência desse apóstolo ensina-nos que a virtude da fé é muito superior à experiência dos sentidos — verdade que fica patente, por exemplo, no mistério da Eucaristia: embora vejamos, toquemos e degustemos a aparência de pão, a palavra de Cristo, "Isto é o meu corpo" (Mt 26, 26), diz-nos que a partícula consagrada deixou de ser pão para converter-se no Seu próprio Corpo. Santo Tomás de Aquino expõe com clareza essa realidade no hino eucarístico Adoro te devote, quando canta: "Visus, tactus, gustus in te fallitur, / Sed auditu solo tuto creditur — A visão, o tato e o paladar falham com relação a Vós, / Mas só de ouvi-Lo em tudo creio".

O itinerário da fé, portanto, indica uma passagem do corpo à alma e do sensível ao espiritual. No início de nossa conversão, a fé pode começar baseando-se na experiência dos sentidos externos. Passamos a acreditar por um fascínio com os milagres operados pelo poder de Cristo: fomos a um grupo de oração e vimos um paralítico andar, um cego enxergar ou um possesso ser livre do espírito do mal. O processo também pode começar através dos sentidos internos. Acreditamos porque recebemos uma consolação ou ficamos "tocados" com um momento de oração. Mesmo que venham de Deus, todas essas coisas estão muito ligadas a sensações físicas e, por isso, são passageiras. Para crescer na fé, a alma precisa purificar-se e colocar a sua fé principalmente na palavra de Cristo, que nos é transmitida pela Igreja, pelos santos e pelos Papas. Os milagres e as consolações de Deus são como muletas de que precisamos prescindir, a partir de um determinado momento, para começarmos a caminhar de verdade.

Por isso, a Carta aos Hebreus diz que Cristo é o "autor e consumador da nossa fé" (Hb 12, 1), Ele que "não pode enganar-se nem enganar" [1] e que, vivendo na intimidade da Santíssima Trindade, veio dar-nos a conhecer os mistérios do Céu.

No final do Evangelho de hoje, o Senhor declara "bem-aventurados os que creram sem ter visto" (v. 29). Essa mesma bem-aventurança é proclamada em um belo trecho da Primeira Carta de São Pedro:

"Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Na sua grande misericórdia ele nos fez renascer pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma viva esperança, para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada para vós nos céus; para vós que sois guardados pelo poder de Deus, por causa da vossa fé, para a salvação que está pronta para se manifestar nos últimos tempos. É isto o que constitui a vossa alegria, apesar das aflições passageiras a vos serem causadas ainda por diversas provações, para que a prova a que é submetida a vossa fé (mais preciosa que o ouro perecível, o qual, entretanto, não deixamos de provar ao fogo) redunde para vosso louvor, para vossa honra e para vossa glória, quando Jesus Cristo se manifestar. Este Jesus vós o amais, sem o terdes visto; credes nele, sem o verdes ainda, e isto é para vós a fonte de uma alegria inefável e gloriosa, porque vós estais certos de obter, como preço de vossa fé, a salvação de vossas almas." (1 Pd 1, 3-9)

Esse texto do primeiro Papa dirigido aos primeiros cristãos é muito precioso porque anima os fiéis, lembrando que as tribulações e perseguições do tempo presente são passageiras, mas a fé em Cristo é uma fonte de "alegria inefável e gloriosa". Deus quer que também nós cresçamos "de fé em fé" (Rm 1, 17), até conhecermos, ainda aqui na terra, a bem-aventurança de crer sem ter visto.

Para tanto, Deus nos deu a Si mesmo na Comunhão, a fim de que, recebendo-O com fé, possamos unir-nos intimamente a Cristo Ressuscitado e progredir cada vez mais na vida espiritual. Quem quer que se dedique generosamente a uma fervorosa ação de graças após a Comunhão — padres e leigos, religiosos e religiosas, enfim, todo o povo de Deus — perceberá como, pouco a pouco, Nosso Senhor vai aumentando e robustecendo a nossa fé, até que cheguemos à Sua mesma estatura.

Referências

  1. Concílio Vaticano I, Constituição Dogmática Dei Filius (24 de abril de 1870), III: DH 3008.
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