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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 1, 47-51)

Naquele tempo, Jesus viu Natanael que vinha para ele e comentou: “Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade”. Natanael perguntou: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi”. Natanael respondeu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”. Jesus disse: “Tu crês porque te disse: ‘Eu te vi debaixo da figueira? Coisas maiores que esta verás!’ E Jesus continuou: “Em verdade, em verdade eu vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”.

A vida do homem sobre a terra, lembra-nos o Livro de Jó, não é senão luta e desassossego (cf. 7, 1). Ainda peregrinos, vivemos neste mundo sem ter morada fixa, já que nossa pátria está acima das nuvens, junto de Deus. Até que lá cheguemos, no entanto, temos de sobreviver a este desterro e aos inúmeros perigos com que nele deparamos, às diversas emboscadas que ao longo do caminho nos arma a inveja de Satanás. Ora, assim como o Senhor enviara um anjo para guardar o povo de Israel até a chegada à terra prometida, assim também Ele envia à sua Igreja — novo Israel — anjos custódios que a guiem e protejam até o seu triunfo derradeiro na glória celeste. É o que nos recorda a festa que hoje celebramos, após quarenta dias de devota preparação. Os Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael, com efeito, são os três grandes instrumentos de que se serve Deus para conduzir os membros da Igreja às moradas eternas. Embora pequenos na hierarquia celeste, estes três anjos — e Miguel (em hebraico, “quem como Deus”), de modo particular — são prova de que é pela humildade que se vence a soberba do demônio; embora muitíssimo superiores a nós em natureza, eles se dignam servir-nos a nós, homens pobres e débeis de inteligência e vontade, e isso por amor obediente a Deus e por saberem que a mínima quantidade de graça divina deposita no coração de um homem vale mais do que todo o universo criado, visível e invisível. Estas três glórias dos coros angélicos são, pois, um exemplo formidável de que somente pelo reconhecimento da própria pequenez é possível tornar-se grande aos olhos do Altíssimo, que resiste aos orgulhosos (cf. Tg 4, 6) e a quem nada nem ninguém pode superar em grandeza, poder e santidade. A Ele, em sintonia com os anjos e santos do céu, entoemos sem cessar um hino de glória e louvor e peçamos-lhe a força necessária para, com a ajuda dos Santos Arcanjos, preservarmos intocado em nosso coração o dom da graça santificante.

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