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Homilia Dominical
2 Ago 2019 - 25:04

Ganância e preparação para a morte

No Evangelho deste domingo, Nosso Senhor apresenta um remédio infalível para a ganância: a meditação sobre a própria morte. À luz da eternidade, de fato, o que são as nossas preocupações com dinheiro, com um automóvel novo, com um tênis da melhor marca ou com o último lançamento de um celular? Nesta homilia, Padre Paulo Ricardo nos convida a sair da hipnose com os bens materiais e a dar valor às coisas que realmente importam.
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Homilia Dominical - 2 Ago 2019 - 25:04

Ganância e preparação para a morte

No Evangelho deste domingo, Nosso Senhor apresenta um remédio infalível para a ganância: a meditação sobre a própria morte. À luz da eternidade, de fato, o que são as nossas preocupações com dinheiro, com um automóvel novo, com um tênis da melhor marca ou com o último lançamento de um celular? Nesta homilia, Padre Paulo Ricardo nos convida a sair da hipnose com os bens materiais e a dar valor às coisas que realmente importam.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 12, 13-21)

Naquele tempo, alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: “Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo”. Jesus respondeu: “Homem, quem me encarregou de julgar ou de dividir vossos bens?” E disse-lhes: “Atenção! Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens”. E contou-lhes uma parábola: “A terra de um homem rico deu uma grande colheita. Ele pensava consigo mesmo: ‘O que vou fazer? Não tenho onde guardar minha colheita’. Então resolveu: ‘Já sei o que fazer! Vou derrubar meus celeiros e construir maiores; neles vou guardar todo o meu trigo, junto com os meus bens. Então poderei dizer a mim mesmo: Meu caro, tu tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe, aproveita!’ Mas Deus lhe disse: ‘Louco! Ainda nesta noite, pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste?’ Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus”.

Meditação. — 1. Na liturgia deste domingo, o evangelista São Lucas nos apresenta mais uma bela parábola de Jesus, que não se encontra nos demais Evangelhos. A cena que ele narra é a de Cristo numa situação de litígio familiar: uma pessoa deseja que Nosso Senhor sirva de juiz para resolver o problema. E é assim que Jesus aproveita a ocasião para jogar luzes sobre nossas consciências e provar como o apego aos bens materiais torna as pessoas escravas e inimigas umas das outras.

Mais ainda: Nosso Senhor adverte que a ganância pelo dinheiro conduz o homem para longe da graça. Esse homem age como o sujeito da parábola, que pensa poder “beber, comer e aproveitar”, porque possui muitos bens. Mas Deus o chama de “louco” justamente por isso. “Ainda nesta noite, pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste?” Ora, explica Jesus, é assim que acontece “com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus”.

2. A Igreja formou durante séculos uma sociedade radicada nos princípios familiares. Neste sentido, os próprios empregados das casas eram vistos como “criados”, ou seja, pessoas que faziam parte da família. Também os papéis hierárquicos como o de “rei”, “bispo”, “papa” etc, eram vistos na perspectiva de uma paternidade universal. Não havia, no fundo, uma relação simplesmente comercial ou despótica. O que havia, ao contrário, era um autêntico laço familiar entre os povos, que fazia com que mesmo as guildas, espécies de sindicatos da Idade Média, fossem associações fraternas.

De 300 anos para cá, no entanto, o surgimento do sistema bancário hipnotizou a sociedade com a possibilidade de se acumular “muitas riquezas”. E assim os homens trocaram os seguros laços familiares para se lançarem no precipício das paixões, no desejo desenfreado por bens efêmeros, que só pode gerar frustração e guerra, como ocorreu, de fato, durante todo o último século.

3. No Evangelho deste domingo, Jesus nos apresenta um remédio eficaz para a ganância pelos bens materiais: a meditação sobre a morte. Tal pensamento nos faz acordar da hipnose materialista, mostrando-nos como nem todo o dinheiro do mundo é capaz de comprar, por exemplo, a vida de alguém que se foi. A morte de um ente querido põe-nos diante da realidade deste mundo: ele é contingente, efêmero, temporário. A nossa esperança, com efeito, precisa estar radicada numa rocha mais firme, que é a vida eterna.

Tradicionalmente, os cristãos deveriam fazer o seu exame de consciência todos os dias à hora de dormir, como se aquela noite fosse a última de suas vidas. Para os padres e religiosos, a chamada oração das “Completas” tem essa finalidade de nos fazer pensar na morte e, assim, desejar uma vida mais conforme o Evangelho. A morte é, afinal de contas, uma espécie de “dom” de Deus, porque, depois do pecado original, a eternidade neste mundo seria uma condenação. Portanto, o nosso exame de consciência nos ajuda a acolher de bom grado as determinações de Deus, inclusive a morte.

Firmes nessa verdade, somos impulsionados pelo amor a Jesus Cristo, que nos abre as portas para o verdadeiro paraíso celeste.

Oração.Ó Deus, que introduzistes a morte no gênero humano para nos livrar dos sofrimentos deste mundo, fazei-nos conscientes da efemeridade dos bens materiais, a fim de que ajuntemos tesouros somente nos céus. Assim seja.

Propósito. — Fazer alguma obra de misericórdia corporal.

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